A Reconstrução do Brasil nº 15 – Os novos arreganhos da extrema-direita … e também de além mar …

Caros leitores/as,

Nesta edição, sentimo-nos na contingência  de atribuir nova orientação ao nosso escrito: desta feita, não mais o destaque às conquistas mais relevantes  obtidas pelo governo. Avolumam-se,  no momento, internamente, ameaças poderosas advindas de perigosa rearticulação da extrema-direita,  bem como  sinais visíveis que estão a sugerir a predisposição do nosso “irmão do Norte”  de interferir em nosso próximo  processo eleitoral. E, pela expertise e recursos que ele dispõe para tal,  há que se  ter extrema atenção a respeito. A intenção de concretizar tais interferências ainda  é estimulada, criminosamente, pela ação de maus brasileiros: na “Conferência de Ação Política Conservadora”  que acaba de ocorrer no Texas, Flávio Bolsonaro, ao lado do irmão Eduardo, estimulou a realização de pressões  estrangeiras nas próximas eleições de nosso País!   

Seguem-se alguns comentários sobre os dois tipos de ameaça, necessariamente sucintos.

No campo interno – só não vê quem não quer – reorganizam-se as forças do atraso, as que querem vender (a baixo custo) o patrimônio público, privatizando  empresas de grande valor estratégico. A cereja do bolo seria a privatização da própria Petrobras, como alardeado publicamente por “patriotas” como  o candidato da extrema direita  Flávio Bolsonaro, o  governador Tarcísio de Freitas, de São Paulo e o rei-dos-banqueiros André Esteves. As verbas orçamentárias referentes à Saúde, à Educação e aos programas sociais, capazes de retirar do mapa da fome (pela segunda vez) cerca 24 milhões de de brasileiros, seriam reduzidas. O salário mínimo e a aposentadoria voltariam a ser congelados, sem ganhos reais.

Um enfoque, a meu  ver  significativo, a respeito  de tal avanço, é a própria queda do sigilo bancário das contas do Lulinha pelo min. André Mendonça, contrariamente ao parecer do PGR,  em exemplo clássico do chamado “fishing”, a saber, abrir as  contas de alguém para verificar se é encontrado algo criminoso ou, pelo menos, obter informações, graças a vazamentos  condenáveis, e divulgá-las a seguir, de forma maliciosa. Sem sucesso,  buscou-se no caso, como é óbvio, desmoralizar o filho e, por extensão, atingir o  o pai e seu governo. Segundo alguns analistas,  a condução do processo que o envolveu,  lembra, sob alguns aspectos, a condução da famigerada Operação Lava   Jato.

Não à toa, em fins de março, o presidente do PT – Edinho Silva, divulgou um vídeo  denunciando a existência de uma articulação para  impedir  o crescimento da aprovação de Lula e mencionou a existência de indícios de financiamento ilegal. Para o PT, “trata-se de uma possível atuação coordenada, com relevante capacidade financeira”. Campanhas de tal nível espalhadas por todo o País,indicam capacidade de mobilização de recursos. Na visão petista,  trata-se de algo que atinge o próprio funcionamento institucional. O partido pretende  acionar órgãos tais  como o Tribunal Superior Eleitoral, o Ministério Público e a Polícia Federal, para investigação a respeito. A extrema direita mundial – Donald Trump à frente – atribui muita importância ao resultado de nossa  próxima eleição, graças à possibilidade de Flávio Bolsonaro, como candidato desse movimento, assumir o poder. Em outros países da América do Sul, eleições foram marcadas pelo apoio expresso dos Estados Unidos,  inclusive, oficialmente,  com a destinação de recursos.

 No contexto, também se insere a campanha contra o STF. Movida  basicamente pela grande imprensa e pelas redes sociais,  inclui manipulação de fatos e  disseminação de falsas narrativas. Por mais que se considere que cabia maior prudência em situações como aceitar caronas em avião etc., fica claro ao observador que, na ausência comprovada de crimes, está em curso um processo que mistura vingança contra Alexandre de Moraes, como responsável maior pela condenação de Bolsonaro, com a  intenção de desacreditar o Poder Judiciário, como um todo  e,  via transversa, o próprio Governo. 

Ao final desta parte,  assinala-se o fracasso dos bolsonaristas em estimular  nova greve geral dos caminhoneiros, frente ao aumento do custo do diesel, devido a várias providências  adotadas pelo governo, até agora bem sucedidas.

         No terreno dedicado ao volátil relacionamento Brasil – Estados Unidos, nosso País  se encontra em posição delicada. É fato que ainda dependemos dos EEUU, muito embora a dependência  seja decrescente no campo das trocas comercias. Hoje, o fluxo de comércio com a China é muito superior ao mantido com os norte-americanos.(27%  x 13%). Após grosseira  carta enviada por Trump a Lula, a situação evoluiu favoravelmente aos nossos interesses, fruto de encontro “casual” mantido pelos dois presidentes por ocasião da abertura dos trabalhos  da  ONU, em setembro de 2025. Apesar da simpatia de Trump em relação a Lula, apregoada em seu discurso, sucedendo-se no País.  em sequência,  a diminuição das elevadas taxas de importação de produtos  norte-americanos e o cancelamento da aplicação da lei Magnisty em relação ao ministro Alexandre de Moraes, no momento, tal relacionamento mostra sinais de tensionamento.

         A pretendida visita de Darren Beattie, assessor do presidente Trump e pessoa da ala mais extremada  da direita americana, ao prisioneiro Jair Bolsonaro, antes  de sua pretendida  participação em encontro em São Paulo,  soou pra o Governo como ato de indelicadeza diplomática, pela proximidade da próxima eleição presidencial. Após conhecido pelo  Itamaraty que tal visita era desconhecida pela Embaixada americana, o MRE opinou contrariamente à visita a Bolsonaro. Com base na lei da reciprocidade, Lula decidiu cancelar o visto anteriormente concedido ao americano,  até que o seu Ministro da  Saúde (mais esposa e filha) tivessem vistos concedidos. Tais vistos não haviam sido autorizados como forma de reação americana ao “relevante” fato de que foi em sua gestão ministerial que médicos cubanos foram contratados para clinicar em áreas inóspitas, evitadas por médicos nacionais pelo seu afastamento dos grandes centros.

         Recrudescem as pressões americanas para que as principais  facções criminosas do Brasil   o Primeiro Comando da Capital (PCC),   o Comando Vermelho (CV) e a Família do Norte (FDN), sejam declaradas organizações terroristas. Note-se que, admitida tal classificação, com base em uma dessas leis que, imperial e unilateralmente, os EEUU afirmam que tem aplicação extraterritorial,  aquele país poderia intervir militarmente em território pátrio.  Tal reconhecimento também afetaria o ingresso de capitais no Brasil. E, mesmo assim, existem políticos  que se manifestam favoravelmente à pretensão americana! (Vide, entre outros, o governador Tarcício de  Freitas). Cabe indicar que a tal reunião em São Paulo  indicada por Darren Beattie, acabou ocorrendo no dia 18 de março p,p,. Articulada pela Embaixada americana com governos estaduais,  bancos internacionais, fundos estratégicos, empresas de mineração e representantes estatais  norte-americanos, teve o propósito declarado de acessar terras raras, lítio e outros recursos estratégicos diretamente no território, contornando o governo federal. Chegaram a ser assinados memorandos de entendimento com governadores  da oposição, considerados nulos pelo Governo, que os classificou como afrontas  à soberania nacional.

         O âmago da questão atual é a proximidade das eleições de outubro, quando o Brasil fará uma escolha fundamental para o seu futuro: decidirá entre  a continuação do louvável trabalho de Lula ou optará pelo retorno a um passado de horrores  políticos, econômicos e sociais que vivenciamos no governo anterior. Por que a posição do País é considerada delicada? Porque, em algum momento de exacerbação geopolítica, Lula dificilmente poderá manter sua correta posição de equidistância em relação aos EEUU e à China. E o momento parece crítico pois  os EEUU estão saindo feridos de seu conflito com o Irã e a popularidade de Trump, internamente, recuou para 36%. (O último dia 29 de março viu  milhões de americanos nas ruas protestando contra Trump e a participação na guerra do Golfo). A defesa da soberania nacional será severamente testada. Até o momento,  Lula tem reagido com sobranceria, sem provocações desnecessárias, mas com firmeza .em defesa de nossos interesses.   É o caso, por  exemplo, da retirada do visto de  Darren Beattie, já mencionada.

          Neste período de acirramento de tensões, Lula tem desenvolvido intensa articulação política com outros governos, revelando  sua disposição de articular-se  geopoliticamente. A visita do Presidente da Africa do Sul (que se fez acompanhar por grande número de ministros) recebeu atenção especial. Nela mereceram destaque  questões ligadas à defesa, no contexto de produção conjunta de armamentos, forma de  diminuir-se  a dependência externa de material bélico. Foi na sequência desta reunião que Lula mencionou a necessidade de FFAA fortes, que  tenham poder de dissuasão, forma de evitar  invasões de nosso território … . Aliás, após a incursão bélica norte-americana na Venezuela, que resultou no sequestro do  presidente Maduro,  Lula vem dedicando maior atenção às questões militares ligadas ao nosso reaparelhamento. Cerca de  uma semana após tal ação militar, Lula reuniu  os Comandantes  militares e recebeu uma proposta de destinação de 800 bilhões de reais, ao longo de  15 anos,  para atender às necessidades militares mais críticas do País.

         Vivemos dias decisivos e  muitos não se dão conta disto. No País, tudo o que foi duramente reconquistado a partir de janeiro de 2023 está ameaçado. O prório Governo tem parte de culpa ao não valorizar devidamente uma comunicação midiática frequente com a população, via redes sociais, o que prejudica o conhecimento dos avanços que promove e deixa o campo livre para fakenews habilmente exploradas pelos bolsonaristas  Exemplo muito citado de sucesso nesse campo é a postura da atual presidenta mexicana   Claudia Sheinbaum e de seu antecessor López Obrador.

          Embora fugindo ao tema, não há deixar de fazer  menção, superficial que seja, à atual guerra EEUU/Israel x Irã. Afinal, trata-se de conflito que está produzindo repercussões mundiais muito sérias  e  já começa a afetar o nosso País. Após o fechamento de Ormuz, o preço do barril do petróleo, em um mês, passou de US$ 70 para US$ 120!   De fato, tal guerra configura um turning point mundial, marcando, ao que tudo indica,  o fim do unilateralismo americano que dominou  o mundo por décadas.  O resultado pode ser comparado ao de um jogo perde-perde, envolvendo sérios óbices  para todos os países,  mormente aos diretamente envolvidos. No caso dos próprios EEUU, por exemplo,  maior potência militar do mundo, assinale-se o elevado custo das hostilidades, cerca de um bilhão de dólares/dia; o aumento da inflação interna; a crescente perda de credibilidade do país, interna e externamente (no campo interno, a grande queda de  apoio  político a Trump ocorre quando faltam sete meses para as eleições a meio mandato; e o aumento da já estratosférica dívida pública (pela primeira vez, atingiu os  38 trilhões de dólares!). Não desprezar, para os países agressores do Irã, a responsabilidade política e moral por, devido a erro estratégico gravíssimo (fim da guerra em dias?!) terem provocado uma crise energética sem precedentes e prejuízo notável às economias de, praticamente, todos os países, por um tempo considerável. No caso, a culpa de Israel é maior porque, pelas  notícias conhecidas, os EEUU envolveram-se na guerra por influência direta de Netanyahu. A bem da verdade, assinale-se que o Irã  tem a seu favor o reconhecimento mundial pela coragem e resiliência demonstradas,  após 47 anos de sanções, por ter sido capaz de enfrentar, sozinho,  a nação  mais  poderosa militarmente do mundo e Israel, ao mesmo tempo, por um período ainda indeterminado, mas bem maior que os poucos dias previstos. Ainda em enfoque global, fazem sentido as críticas (inclusive internas)  de  que os EEUU foram à guerra sem terem propósitos  políticos bem definidos e sem fórmula pré-estabelecida de como  sair do conflito. Sua habitual arrogância impediu que fosse considerada uma duração mais prolongada das ações bélicas.

         De  toda a sorte, o final a guerra será fundamental para valorizar o multilateralismo. Segundo  a  maior parte dos analistas,  uma possível  derrota americana (ou, com mais propriedade, uma eventual não-vitória) acelerará inexoravelmente o declínio de seu ciclo de poder. No caso, existem possíveis consequências muito prejudiciais  ao nosso País.  Fruto do desprestígio decorrente de um resultado menos favorável  em relação ao Irã e da queda da popularidade interna, os Estados Unidos tenderão a voltar-se com muito maior agressividade e cupidez  contra o “seu “quintal” – a América do Sul. Com base, inclusive em sua recente Estratégia de Segurança Nacional (dezembro de 2025), revivendo uma nova Doutrina Monroe (ou  Corolário Trump ….),  buscarão obter  o domínio  mais pleno possível dos países da  América do Sul e de seus recursos,  (E aproxima-se a eleição presidencial do país mais importante da região …).  Em termos políticos, a recente criação de uma “Comissão da Paz” por Trump (o Brasil, o México e a Colombia não foram convidados …) caminha em tal direção.

Oremus.

 

Abraço cordial do

Luiz Philippe da Costa Fernandes

 

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RESUMO DE ARTIGOS SELECIONADOS PARA A “RECONSTRUÇÃO …”  Nº 15

(JAN-MAR 26)

– “Inflação fecha 2025 em 4,26%, melhor resultado desde 2018” – 09 JAN 2026.

 O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,33% em dezembro de 2025, acelerando em relação a novembro, quando havia marcado 0,18%. Apesar disso, o resultado do último mês do ano ficou abaixo da taxa observada em dezembro de 2024, de 0,52%, e representou o menor índice para um mês de dezembro desde 2018. Com isso, a inflação oficial encerrou 2025 com variação acumulada de 4,26%. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado anual ficou 0,57 ponto percentual abaixo do IPCA de 2024, que havia alcançado 4,83%, e permaneceu dentro do intervalo da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional, cujo teto é de 4,5%…. “

“Ursula von der Leyen exalta liderança’ de Lula antes de assinar acordo UE-Mercosul” – 16 JAN 2026.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, exaltou a liderança do presidente …  Lula …  horas antes da assinatura do acordo Mercosul-União Europeia, que será assinado neste sábado em Assunção, no Paraguai. ‘Meu caro presidente Lula, o senhor é realmente um líder comprometido com valores que são muito importantes para nós: democracia, uma ordem internacional com base em regras e respeito ao nosso planeta, respeito às comunidades e respeito às comunidades e nações soberanas. É este tipo de líder que precisamos hoje’, disse. ‘Amanhã assinaremos o acordo com o Mercosul. Mas, antes disso, é importante para mim me reunir com o senhor, presidente Lula. Por mais de duas décadas, inúmeros negociadores e seus líderes trabalharam neste acordo com o Mercosul, que levou 25 anos para ser concluído. Agora ele foi concluído e é a conquista de uma geração inteira. Mas a liderança política, o compromisso pessoal e a paixão que o senhor demonstrou nos últimos meses são enormes’, ressaltou Von der Leyen em seu discurso. ‘O acordo UE-Mercosul tem uma mensagem forte que diz: sejam bem-vindos ao maior mercado do mundo e à maior área de livre comércio do mundo’, destacou.”

– “Precisamos construir soberania energética’, diz Lula, ao assinar contratos da Petrobras para novos navios” – 21 JAN 2026.
O presidente …  Lula …  afirmou nesta terça-feira, … que o Brasil precisa tomar uma decisão estratégica para reduzir vulnerabilidades externas e fortalecer sua base produtiva: ‘Nós precisamos construir uma soberania energética. A declaração ocorreu durante a cerimônia de assinatura de contratos do Programa Mar Aberto, da Petrobras, no Estaleiro Ecovix, em Rio Grande (RS), em um evento que oficializou investimentos de R$ 2,8 bilhões e indicou potencial de geração de mais de 9 mil empregos diretos e indiretos. … No ato, foram detalhadas contratações para a construção de cinco navios gaseiros, 18 empurradores e 18 barcaças, com operação pela Transpetro e execução em estaleiros de três estados Rio Grande do Sul, Amazonas e Santa Catarina  em um movimento que o governo e a estatal apresentam como parte da retomada sustentável da indústria naval e offshore brasileira …”

– “Turistas estrangeiros deixam US$ 7,9 bilhões na economia do Brasil em 2025, o maior valor da história” – 27 JAN 2026.  
O turismo internacional levou o Brasil a um novo marco econômico em 2025. Ao longo do ano, visitantes estrangeiros deixaram no país US$ 7,865 bilhões, o equivalente a R$ 41,7 bilhões, estabelecendo o maior volume de gastos já registrado na história do setor. O desempenho acompanha a explosão no número de chegadas internacionais e consolida o Brasil como um dos destinos de maior crescimento no cenário global. Os dados foram divulgados pelo Banco Central … O resultado financeiro reflete diretamente o recorde histórico de visitantes internacionais. Em 2025, 9,3 milhões de turistas desembarcaram no Brasil, número 37,1% superior ao projetado inicialmente para o período. O salto nas chegadas posiciona o país entre os destinos com maior crescimento percentual no mundo, superando com folga a média global. À frente da Embratur, Marcelo Freixo destacou o papel estratégico do turismo na economia nacional e celebrou os números inéditos. ‘É mais um resultado histórico que reafirma o poder do turismo como uma matriz econômica de geração de emprego e renda para o nosso país’, afirmou. Segundo ele, ‘Esse recorde se traduz em crescimento para os pequenos negócios e reforça o papel do turismo como modelo de desenvolvimento econômico compatível com as exigências do século XXI’.”

– “Resolução do PT defende tarifa zero e fim da escala 6×1 sem redução de salários – Documento do partido também aborda política externa, regulação das big techs e o impacto fiscal das propostas, tema comentado por Fernando Haddad – 07 FEV 2026. “A resolução aprovada pelo Diretório Nacional do PT … reforça a defesa de mudanças estruturais na política social e trabalhista do país, com destaque para o fim da escala 6×1 sem redução de salários e para o avanço da proposta de tarifa zero no transporte público. O texto partidário também volta a tratar da meta de inflação, defendendo sua redução, e apresenta uma agenda que combina pautas econômicas, sociais e institucionais, além de posicionamentos sobre política externa e regulação do ambiente digital. A resolução é apresentada como parte da estratégia do partido para os próximos embates políticos e eleitorais. Sobre ,,, o fim da escala 6×1 … . a proposta busca responder a uma demanda histórica de movimentos sindicais e de entidades ligadas à saúde do trabalhador. Em relação ao transporte público, a resolução aponta para a ampliação da política de tarifa zero, … . o  ministro …  Haddad …  alertou para os desafios de financiar o transporte sem a cobrança de tarifas. .. [e]  … disse que o governo estuda alternativas para viabilizar a proposta. … A resolução também dedica espaço à política internacional e critica o que chama de tentativas de interferência externa em países da América Latina…. ‘Não aceitamos qualquer tentativa de interferência externa sobre o direito à autodeterminação dos povos. Condenamos os ataques à Venezuela e as ameaças à Cuba…. .’. No campo diplomático, o partido sustenta que o Brasil retomou protagonismo global nos últimos anos e reforça a defesa do multilateralismo…”. A resolução acrescenta que o Brasil fortaleceu o Brics, recompôs relações com países da América Latina, da África, da Europa e da Ásia e voltou a ser ouvido em fóruns internacionais,… . Outro eixo central do texto é o ambiente digital. O PT afirma que há uma ‘nova arena de disputa política marcada pelo poder das big techs e pela circulação acelerada de informações e desinformações’. Diante disso, o partido defende a regulação das plataformas antes das próximas eleições…. A resolução …  sustenta a necessidade de um esforço nacional contra fake news e contra o uso ilegal da inteligência artificial, com o objetivo de garantir eleições ‘verdadeiramente democráticas e transparentes’. No conjunto, o documento busca consolidar uma agenda que combina propostas sociais ambiciosas, preocupação com a sustentabilidade fiscal e um discurso de fortalecimento institucional, sinalizando as prioridades políticas do partido para o próximo período.”     

– “Lula: ‘o Brasil não está escolhendo entre China e Estados Unidos’” – 09 FEV 2026.

“O presidente …Lula …  afirmou …  que o Brasil não deve se submeter à lógica de disputa entre grandes potências e defendeu uma política externa orientada pelo interesse nacional. … Segundo o presidente, o Brasil deve atuar para fortalecer o multilateralismo e evitar que o mundo seja conduzido por uma lógica de imposição do mais forte. ‘Queremos mostrar que o mundo não pode prescindir do multilateralismo. Precisamos provar no debate que foi o multilateralismo que criou uma harmonia entre os Estados e que permitiu que a gente vivesse em paz até agora, pelo menos em uma parte do mundo’, declarou. Lula criticou o que chamou de unilateralismo baseado na teoria de que ‘o mais forte pode tudo’ e afirmou que esse modelo não interessa ao Brasil. ‘O unilateralismo imposto pela teoria de que o mais forte pode tudo não me interessa’, disse. … Em seguida, o presidente reforçou que o Brasil não está adotando uma postura de alinhamento automático a nenhum dos polos globais em disputa. ‘Nós não estamos escolhendo entre China e Estados Unidos. Estamos escolhendo aquilo que é melhor para o nosso país’, declarou.”

– “Com confiança em alta, governo Lula capta US$ 4,5 bilhões em títulos no mercado internacional” – 10 FEV 2026.

Emissão soberana nos Estados Unidos registra forte demanda, reforça reservas internacionais e sinaliza credibilidade da dívida brasileira. O governo do presidente Lula captou US$ 4,5 bilhões no mercado financeiro internacional com a primeira emissão de títulos soberanos do Brasil em 2026, realizada nos Estados Unidos. A operação envolveu a criação de um novo papel de dez anos e a reabertura de um título de 30 anos, reforçando as reservas internacionais do país e sinalizando confiança dos investidores na economia brasileira. …  a emissão foi marcada por elevada demanda e volumes expressivos, refletindo uma percepção positiva do mercado internacional sobre a credibilidade fiscal do Brasil. … Em nota oficial, o Tesouro Nacional avaliou que o desempenho da operação reflete um cenário favorável para o país no mercado financeiro internacional. ‘Os resultados com alta demanda, alto volume e spreads baixos evidenciam a confiança dos investidores na robustez e atratividade da dívida soberana brasileira, refletindo a percepção favorável do mercado internacional quanto à credibilidade do país’, afirmou o órgão.”

Revista Vox, dos Estados Unidos, exalta Brasil como exemplo na defesa da democracia” – 19 FEV 2026.

“Publicação compara reação das instituições brasileiras a Jair Bolsonaro com a atuação dos EUA diante de Donald Trump e destaca papel do Congresso. A … Vox publicou uma ampla reportagem destacando o Brasil como um exemplo recente de resistência institucional ao autoritarismo. No texto …a publicação sustenta que o país conseguiu conter investidas autoritárias do …  Jair Bolsonaro, em contraste com o cenário vivido atualmente nos Estados Unidos sob … Donald Trump … . Segundo a Vox, em 2018 o Brasil elegeu Bolsonaro, descrito como um político que tentou promover ‘o tipo de concentração de poder autoritária que o presidente Donald Trump está atualmente promovendo nos Estados Unidos’. A diferença fundamental, de acordo com a reportagem, é que no Brasil essas tentativas foram bloqueadas. ‘Ao contrário da América, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal …trabalharam para conter o presidente e limitar severamente sua capacidade de agir como um ditador eleito’, afirma o texto…. . A combinação de presidencialismo com multipartidarismo teria impedido a formação de uma lealdade partidária extrema como a observada no sistema bipartidário dos Estados Unidos…. O texto também destaca o protagonismo do Supremo Tribunal Federal (STF) [que] … bloqueou iniciativas de ampliação de poder … impediu mudanças no sistema eleitoral e atuou contra tentativas de enfraquecer mecanismos de transparência e fiscalização. …Alexandre de Moraes é apontado como figura central na resistência institucional [e] … se tornou ‘o oponente mais eficaz e implacável das tentativas de ampliação de poder de Bolsonaro’. O STF não apenas reagiu às medidas do Executivo, mas também assumiu postura ativa na investigação de ameaças contra a democracia…. Quando apoiadores radicais de Bolsonaro invadiram o Palácio do Planalto, o Congresso e o Supremo, as Forças Armadas não aderiram à tentativa de ruptura institucional. A investigação conduzida posteriormente pelo STF resultou na responsabilização de Bolsonaro e aliados. A publicação observa que, ao contrário do que ocorreu após a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021 nos Estados Unidos, no Brasil houve consequências jurídicas severas. Bolsonaro foi condenado por envolvimento na conspiração golpista e também ficou inelegível até 2030 por decisão da Justiça Eleitoral. A Vox considera que, em tese, o resultado deveria ter sido o oposto, já que os Estados Unidos são uma democracia mais antiga e mais rica do que o Brasil. Ainda assim, o país sul-americano demonstrou maior capacidade institucional de reação diante de um presidente com inclinações autoritárias. Ao final, a publicação sugere que os Estados Unidos poderiam aprender com o caso brasileiro, especialmente no que diz respeito à criação de mecanismos institucionais que reduzam a polarização extrema e fortaleçam os freios e contrapesos.”

– “Desemprego atinge mínima histórica em 19 estados e DF em 2025. Taxa média anual cai para 5,6%, menor nível da série histórica” – 20 FEV 2026.

A taxa média anual de desocupação no Brasil recuou para 5,6% em 2025, uma queda de 1 ponto percentual em relação a 2024, quando o índice estava em 6,6%. No quarto trimestre de 2025, o indicador caiu para 5,1%, 1,1 ponto percentual abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua … As informações foram divulgadas … pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística  que destacou que vinte unidades da federação alcançaram a menor taxa anual de desocupação desde o início da série histórica da pesquisa….  o resultado histórico reflete o aquecimento do mercado de trabalho. ‘A mínima histórica em 2025 decorre do dinamismo observado no mercado de trabalho, impulsionado pelo aumento do rendimento real. Contudo, a queda da desocupação mascara problemas estruturais: Norte e Nordeste mantêm informalidade e subutilização elevadas, evidenciando ocupações de baixa produtividade.”

– “Caixa inicia nova etapa do Gás do Povo para 4,5 milhões de famílias” – 23 FEV. 2026

“A Caixa Econômica Federal começa a liberar nesta segunda-feira a recarga gratuita do botijão de gás de cozinha para 4,5 milhões de famílias em todo o país. A medida integra a terceira etapa do programa Gás do Povo, que amplia o alcance da política social voltada à população de baixa renda. O benefício substitui o modelo anterior de depósito em dinheiro e passa a ser concedido exclusivamente de forma digital. A iniciativa atende famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), com renda mensal per capita de até meio salário mínimo. … têm prioridade no programa as famílias já contempladas pelo Bolsa Família. A quantidade de recargas ao longo do ano varia conforme o número de integrantes do núcleo familiar. Famílias com duas ou três pessoas terão direito a quatro recargas anuais, o equivalente a uma a cada três meses. Já aquelas com quatro ou mais integrantes poderão receber seis recargas por ano, em intervalos bimestrais.”

– “Bolsa brasileira recebe R$ 42,5 bi de investimentos estrangeiros, mais que em todo o ano de 2025 – 04 MAR 2026.

“ …  A bolsa brasileira registrou forte entrada de capital estrangeiro nos primeiros meses de 2026. Somente em fevereiro, investidores internacionais realizaram R$ 401,6 bilhões em compras e R$ 385,5 bilhões em vendas na B3, resultando em saldo líquido positivo de R$ 16,09 bilhões.Segundo levantamento da consultoria Elos Ayta, ….a esse  resultado se soma o fluxo líquido de R$ 26,47 bilhões observado em janeiro. Com isso, o total de recursos estrangeiros direcionados ao mercado acionário brasileiro alcançou R$ 42,56 bilhões até fevereiro. Para o CEO da Elos Ayta, Einar Rivero, o número chama atenção por diversos fatores. O montante já é cerca de 1,58 vez maior que todo o fluxo registrado em 2025, quando a bolsa brasileira recebeu R$ 26,87 bilhões em investimentos estrangeiros.  … [Tal] CEO  aponta quatro hipóteses principais para explicar o crescimento do fluxo internacional para o mercado brasileiro. A primeira está associada ao diferencial de juros entre países…. Outro fator é a reprecificação relativa de ativos. … Rivero também menciona o chamado efeito portfólio global, em que gestores internacionais buscam diversificar investimentos entre diferentes mercados. … Por fim, entram em cena os ciclos de liquidez global. … . Na avaliação de Rivero, o cenário atual reúne esses diferentes fatores. ‘O comportamento atual parece combinar os quatro vetores: prêmio real elevado, múltiplos comprimidos nos anos anteriores, melhora de percepção relativa e maior apetite a risco’, concluiu.”

– “Petrobras lucra R$ 110,1 bilhões em 2025 e mostra força operacional” – 06 MAR 2026.

“A Petrobras encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 110,1 bilhões, o equivalente a US$ 19,6 bilhões, em um resultado que representa alta de 200% em relação a 2024 …. Os números …divulgados pela Agência Petrobras, … evidenciam a capacidade da estatal de ampliar sua rentabilidade mesmo em um ambiente internacional adverso para o setor de petróleo. O desempenho da empresa foi alcançado em um cenário de queda de 14% no preço do Brent ao longo do ano, referência global do mercado petrolífero …  O Fluxo de Caixa Operacional atingiu R$ 200 bilhões, ou US$ 36 bilhões, impulsionado sobretudo pela expansão de 11% na produção total no período…. A principal alavanca do resultado foi o avanço consistente da produção. Em 2025, a Petrobras alcançou 2,99 milhões de barris de óleo equivalente por dia, consolidando um crescimento de 11% sobre 2024 e ficando acima do limite superior da meta estabelecida para o ano. Considerando a produção total de óleo e gás natural, a companhia chegou à marca de 3 milhões de barris de óleo equivalente por dia. Esse desempenho foi sustentado pela entrada em operação e pelo aumento de capacidade de importantes unidades no pré-sal e em áreas estratégicas da companhia. … A Petrobras também atribuiu parte importante do resultado à maior eficiência operacional na UN-BS e em Búzios, um dos ativos mais produtivos da companhia. …  A Petrobras afirmou ter alcançado o melhor resultado dos últimos dez anos na incorporação de reservas, adicionando 1,7 bilhão de barris de óleo equivalente. Com isso, o índice de reposição de reservas chegou a 175%,. … As exportações de petróleo também tiveram desempenho histórico. A Petrobras registrou recorde anual de 765 mil barris por dia e novo recorde trimestral de 999 mil barris por dia no quarto trimestre de 2025. … O balanço de 2025 mostra uma Petrobras financeiramente sólida, operacionalmente mais eficiente e com forte capacidade de investimento. … Os números reforçam a importância estratégica da empresa para a economia brasileira, tanto pela geração de riqueza e empregos quanto pela arrecadação pública e pela distribuição de dividendos.                                                                   

– “Ministério da Defesa lança catálogo para promover indústrias de defesa brasileiras” – 23 MAR 2026.

 O Ministério da Defesa (MD) lançou, …  o Catálogo de Produtos da Base Industrial de Defesa (BID) do Brasil … [que] reúne informações estratégicas sobre empresas e produtos com atuação relevante no cenário internacional e é destinada a autoridades governamentais e militares, delegações estrangeiras, investidores e potenciais compradores do setor. ..  o material apresenta 154 empresas e 364 produtos cadastrados, contemplando uma ampla diversidade da produção nacional, como embarcações, veículos blindados, aeronaves, aviônicos e sistemas de monitoramento, desenvolvidos por empresas de diferentes portes. … o ministro José Mucio afirmou que … ‘Somos a maior indústria de defesa da América do Sul’. [o setor] …. nos últimos três anos, se destaca …  em termos comerciais de seus produtos, inclusive, com dois recordes seguidos, em 2024 e 2025, quando superamos, nesse último ano, a marca de US$ 3,4 bilhões em exportações autorizadas’ … ‘ desenvolver a BID é promover a soberania, pois representa o Brasil ter capacidade de manter a estrutura nacional de defesa com autonomia, livre de ingerências externas ou reduzindo essa necessidade e dependência’ … O vice-presidente … Alckmin ressaltou que a Missão 6 do programa Nova Indústria Brasil (NIB), lançado pelo governo federal em 2024, trata da indústria da defesa, priorizando a inovação, a sustentabilidade, a competitividade e a exportação. … Para Alckmin, … ‘Uma indústria de defesa forte é um seguro de vida para a nação’,

Com satisfação, verifiquei a existência entre os artigos apresentados, de inúmeros modelos de mísseis de alcances  e empregos variáveis, incluindo uso de combustível sólido.  

A Reconstrução do País nº 14 – Um Trimestre Extremamente Agitado

Este trimestre,  especialmente  seu final, foi repleto  de eventos importantes, com reflexos, por vezes,  na própria “Reconstrução”, A propósito, cabe mencionar:    

  • Ao final de outubro, ocorreu uma mega-operação da Polícia do Rio de Janeiro  nos Complexos da Penha  e do Alemão que resultou na morte de  122 bandidos e de quatro policiais. Ocorreram várias críticas a tal Operação e à forma com que foi realizada. Sua espetacularidade chegou a ser relacionada à necropolítica, no caso, ao desejo de criar-se um fato políco-eleitoral de interesse do governador Cláudio Castro
  • Estourou o grande escândalo do Banco Master,  após  reveladas irregularidades financeiras, resultando em uma fraude de R$ 12,2 bilhões. O Banco  foi liquidado  pelo Banco  Central, em novembro de 2025. O assunto, sob segredo de justiça,  ora é investigado no STF, pelo   Min. Dias Toffoli.
  • Foi aprovado pelo Senado, no dia 25 de novembro, projeto de combate às facções criminosas (PL.5.582/2025), elaborado originalmente pelo Governo. Tal PL, graças a manobra espúria do Presidente da Câmara Hugo Motta,  acabou relatado, naquela Casa Legislativa (em sua sexta versão), pelo dep. Guilherme Derrite, homem de confiança do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, Cabe indicar que os textos iniciais apresentados pelo Relator tinham como óbvio pbjetivo  a redução do alcance da Polícia Federal e a limitação de  recursos a ela destinados. Derrite, antes de reintegrar-se à Câmara para desincumbir-se da mencionada  relatoria, era  o Secretário  de Segurança  Pública daquele Estado.
  • Na sequência,  cabe relatar a  crise entre Governo  Federal e  Senado (início de dezembro), provocada pela incompreensível reação do presidente do Senado  Davi Alcolumbre à indicação  do Ministro Jorge Messias para o STF, indicação que, constitucionalmente, cabe ao Presidente da República.
  • O Presidente da Alerj – Rodrigo Bacellar –  foi preso  no dia 3 de dezembro, devido a vazamento de informações sigilosas relativas à execução da Operação Unha e Carne da PF, fato   que acabou  impedindo a   prisão do dep. estadual TH Jóias,  ligado ao Comando Vermelho. Bacellar foi afastado da Presidência da Alerj mas, após votação lá ocorrida, foi solto e passou a usar tornozeleira eletrônica, entre outras restrições. Logo em seguida, ocorreu a prisão do desembargador do TRF-2, Macário  Neto, acusado de ser a fonte inicial de tal vazamento.  Aliás, está sendo ressaltada a amizade de  Bacellar e do  Macário com o gov, Cláudio Castro. É possível que, comprovado o envolvimento dos dois com  o Comando Vermelho, as espúrias ligações entre o Poder Público e  tal  facção, no Rio de Janeiro, venham, agora, a respingar no  Executivo estadual .
  • No dia 12,  foi formalmente informada, pelo Governo norte-americano, a retirada do Min. Alexandre de Moraes  e  de sua esposa, da lista  de sancionados pela lei Magnitsky. Tal decisão, bem como a retirada das sobretaxas aplicadas ao País, ocorrida anteriormente, constituíram-se rudes golpes ao bolsonarismo.
  • Ainda no dia 12, teve lugar  o início de investigações determinadas pelo Min. Flávio  Dino (STF) sobre a Sra. Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, ex-assessora técnica de Arthur Lira durante a presidência dele da Câmara dos Deputados  e que continuou na função sob a presidência de Hugo Motta. Foram autorizados  mandatos de busca e apreensão  na residência da funcionária, visando apurar  supostos desvios na destinação das referidas e emendas.  Ela é considerada  peça-chave no processo de organização das indicações das emendas parlamentares ao Orçamento.
  • Também em tal data,  foram alvos de busca e apreensão, pela PF, visando apurar  o desvio de recursos públicos oriundos de cotas parlamentares, o  líder do PL na Câmara dos deputados, dep. Sóstenes Cavalcante (PL/RJ), e o dep. Carlos Jordy (PI-RJ). O dep. Sóstenes alegou que os 470 mil reais em dinheiro vivo encontrados em seu flat deviam-se à venda de um imóvel de  sua propriedade e que ele havia esquecido de depositar a importância em banco .
  • No dia 14, a dep. Carla Zambelli (PL-SP),  ora presa na Itália, renunciou ao cargo  e perdeu o mandato, cumprindo-se determinação do STF. Quatro dias após, mais dois deputados tiveram seus mandatos cassados, dessa feita, pela  Mesa Diretora  da  Câmara:  Eduardo Bolsonaro  (PL-)RJ)   e   Alexandre   Ramagem, (PL-RJ)) , ora  foragido nos Esatados Unidos .  No  primeiro  caso,  , por  já  ter  ultrapassado  o limite de faltas previsto na Constituição;  com respeito a Ramagem, os ministros da 1ª Turma entenderam que ele não poderá comparecer às sessões da Câmara em 2026 ao ficar preso e, por isso, decretaram a perda do seu mandato.
  • No dia 16 de dezembro,  a 1ª turma do STF terminou o julgamento  dos  seis réus que integraram o Núcleo 2 (Gerenciamento de Ações)  encerrando-se o julgamento da trama golpista.
  • No dia 17,  o Senado aprovou o chamado “PL  da Dosimetria” (PL 2.162/23), que reduz as penas de Bolsonaro e dos demais condenados pela tentativa de golpe de estado.  Desde o início da tramitação, na Câmara, ficou muito evidente que a motivação maior era a redução da pena aplicada ao ex-Presidente Bolsonaro, Após  emenda apresentada pelo  sen . Moro, foi efetuada uma manobra para evitar que o texto voltasse para apreciação na Câmara. Sabe-se, agora, que ocorreram pressões dos Estados Unidos a favor da aprovação do Projeto (ver notícia datada 19 DEZ, no Anexo). O assunto ainda terá desdobramentos em 2026, sendo previsto o veto presidencial e a judicialização da matéria junto ao STF.
  • Encerra-se esta apresentação de “fatos notáveis”, com  a tentativa, que é dos dias recentes, de desmoralizar o Min, Alexandre de Moraes, em movimento coordenado com setores da Imprensa, tudo com o propósito maior, ao que tudo indica,  de desgastar o STF.

No próximo trimestre já começará a campanha presidencial. Felizmente, os bons indicadores econômicos estão a favorecer um quarto mandato do Lula a exercer-se – se Deus quiser  –  com um novo Congresso menos tóxico …  Vale a pena realçar algumas das  maiores conquistas obtidas por Lula em seu atual governo, além de retirar o País, pela segunda vez, do Mapa da Fome: menor taxa média de desemprego – 6,4%  – desde 2012, quando os dados começaram a ser relacionados pelo IBGE; do início de 2023 até o último mês de setembro, o rendimento médio real dos brasileiros passou de R$ 3.198 para R$ 3.574, também batendo recorde da série histórica (com a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, a estimativa é que a renda média no país continue em crescimento em 2026); será entregue a menor inflação quadrianual da história do Brasil; em um balanço do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)  a inflação no governo Lula-3 é projetada em 19,7% (o recorde anterior ocorreu no governo Lula-2, quando o IPCA acumulou 22,2%).

    Sobre a próxima campanha presidencial, a preocupação que ganha corpo no Palácio do Planalto diz respeito a uma possível interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral. Será que a “química” Lula x Trump será forte o suficiente para impedir ações que visem favorecer o candidato da direita/extrema direita na próxima corrida presidencial? São avaliados riscos de que os Estados Unidos venham a adotar, em coerência, aliás, com sua nova  Estratégia de Segurança Nacional  – que ameaça retomar a vetusta Doutrina Monroe, para a América do Sul –  estratégias semelhantes às  adotadas anteriormente em relação a países de muito menor importância política e geopolítica (ver notícia de 24 DEZ, no anexo).  Aliás, as reconhecidas interveniências norte-americanas no Congresso, a favor da aprovação do projeto de dosimetria (diminuição das penas aos punidos pela recente tentativa de golpe de estado) constituem-se sinais nada alvissareiros …

Em âmbito externo, as notícias são inquietantes, cabendo mencionar o atual estado de beligerância  entre os Estados Unidos e a Venezuela, com todo o seu   potencial de desestabilização  do subcontinente, com reflexos diretos em  nosso País. De fato, não obstante a menor simpatia que se tenha por Nicolás Maduro,  a postura norte-americana representa uma ameaça a toda a América do Sul, talvez  ameaça maior ao nosso próprio país, haja vista a próxima eleição presidencial e o peso geopolítico do Brasil na América do Sul. 

Abre-se um parênteses para expressar uma opinião sobre  assunto  que decepciona: acho lamentável a atuação da Marinha norte-americana no episódio. De um Armada cheia de glória e vitórias , recordemo-nos, por exemplo,  do   afundamento de quatro navios-aeródromos japoneses na batalha de Midway , ela ora se transforma em uma Marinha que é empregada para  afundar  impiedosamente pequenos barcos  encontrados no mar, por suspeita de transporte de drogas, sem qualquer verificação prévia (mais de 30 já foram destruídas). Pior ainda, o abate, a tiros, dos  mais de 100 sobreviventes às primeiras explosões, que conseguiram atirar-se ao mar . Tais atos são crimes de guerra que deslustram qualquer força armada e seu país de origem!  A própria apreensão de  petroleiros venezuelanos, em função de bloqueio estabelecido pelos Estados Unidos, contraria o Direito Internacional. A posição do Brasil expressa no Conselho de Segurança por seu representante  na ONU – Embaixador Sério Danese – foi muito clara: “A força militar reunida e mantida pelos Estados Unidos nas proximidades da Venezuela e o bloqueio naval recentemente anunciado constituem violações da Carta das Nações Unidas. Portanto, devem cessar imediata e incondicionalmente em favor da utilização dos instrumentos políticos e jurídicos amplamente disponíveis”.

Os próximos meses serão de grande importância para os rumos democráticos em nosso País  e na América do Sul!

Esperando que os amigos tenham tido uma feliz e santa Noite de Natal, ao lado dos que lhe são mais caros e aproveitando o ensejo para também formular votos de um venturoso 2026, com muita saúde, despede-se, cordialmente,

Luiz Philippe da Costa Fernandes

 PS – Recordando: em relação ao Anexo, o que se  imagina é que o leitor, em relance,  verifique a variedade de assuntos selecionados no trimestre. O interesse por cada notícia pode ser ampliado com a leitura de seu resumo por mim providenciado. Finalmente, em caso de especial curiosidade, sua integra pode ser lida com o uso do Google, a partir de cada título.

ARTIGOS SELECIONADOS PARA A “RECONSTRUÇÃO …”  Nº 14 (OUT-DEZ/25)

– “Tarifaço: Trump retira taxa extra de 40% de café, carnes e outros produtos agrícolas brasileiros” – 21 NOV.
Os Estados Unidos anunciaram, nesta quinta-feira (21), a retirada da tarifa extra de 40% aplicada a alguns produtos brasileiros. … A lista inclui carnes, café, açaí, coco, castanhas e outros produtos agrícolas. O presidente … Trump já havia anunciado, na semana passada, a redução de tarifas de importação de cerca de 200 produtos alimentícios  entre eles, café, carne, banana e açaí. A medida beneficiou em parte o Brasil, já que as taxas caíram de 50% para 40% na ocasião. Agora, a tarifa fica zerada para produtos incluídos na nova decisão.”

– “IR zero e taxação dos super-ricos reforçam narrativa de Lula e podem ampliar sua base popular’, avalia Renato Meirelles” – 06 OUT.
“Presidente do Instituto Locomotiva afirma que as medidas fortalecem a imagem de Lula e podem consolidar sua recuperação de popularidade. A aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e da taxação mínima sobre os super-ricos pode se transformar em um divisor de águas para a popularidade do presidente Lula …. A análise é [do] presidente do Instituto Locomotiva … Segundo ele, a combinação das duas medidas econômicas tem um potencial político muito maior do que o de simples ajustes tributários: trata-se de um símbolo claro de redistribuição de renda e de retomada da narrativa de justiça social que sempre marcou os governos do PT.”

– “IBP diz que licença na Margem Equatorial fortalece soberania energética e desenvolvimento no Norte” – 21 OUT.
O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) divulgou nota em que comemora a autorização do Ibama para que a Petrobras realize a perfuração do poço exploratório FZA-M-059, na Margem Equatorial, próximo à costa do Amapá. A manifestação da entidade foi publicada … após o anúncio oficial do governo federal e da Petrobras. ‘Esta é uma decisão importante que permitirá ao país conhecer melhor o potencial de suas reservas, apoiando a segurança energética e o desenvolvimento socioeconômico da Região Norte’, afirmou o presidente do IBP, Roberto Ardenghy. Segundo o IBP, a licença representa um passo estratégico para o Brasil diante do declínio natural esperado das principais áreas produtoras do país  as bacias de Campos e Santos a partir da década de 2030. A entidade cita estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) segundo o qual a reposição de reservas é uma necessidade estratégica para evitar perda de capacidade produtiva.”

– “Reforma Casa Brasil: ‘todos poderão acessar o crédito para fazer a obra’, diz ministro” – 21 OUT.
O ministro das Cidades, Jader Filho, detalhou nesta terça-feira (21) o funcionamento do Reforma Casa Brasil, programa habitacional lançado na segunda-feira (20). A iniciativa prevê a liberação de R$ 40 bilhões em crédito para reformas residenciais em todo o país. Segundo o ministro, a proposta complementa o Minha Casa, Minha Vida, que atende à demanda por novas moradias. ‘Mas quando a gente fala de déficit habitacional, tem famílias que não querem uma casa. O que elas querem é poder reformar sua casa, construir um banheiro, fazer um cômodo novo, rebocar a sua parede. E foi a pedido do presidente Lula que nós trabalhamos nisso’, afirmou Jader Filho em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro … “

– “Portos do Brasil batem recorde histórico de movimentação de cargas no 3º trimestre”   07 NOV.
A movimentação de cargas nos portos brasileiros atingiu um marco histórico no terceiro trimestre de 2025, consolidando o país como referência em eficiência portuária. De julho a setembro, foram movimentadas 378,2 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 6% em relação a 2024.”

– “Galípolo ‘deixou a desejar’  e Selic em 15% ‘é um absurdo’, diz Gleisi” – 07 NOV.
“A ministra … Gleisi Hoffmann, afirmou que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ‘deixou a desejar’ ao manter a taxa Selic em 15% ao ano pela terceira vez consecutiva. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Gleisi disse esperar que o BC leve em conta os indicadores positivos da economia brasileira para iniciar o ciclo de cortes. Na entrevista, a ministra demonstrou frustração com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). ‘Eu acho que deixou a desejar, entendeu? O Galípolo. deixou a desejar’, declarou, Ao criticar a postura da autoridade monetária diante dos dados econômicos recentes. Gleisi  argumentou que o cenário atual com crescimento do PIB, geração de empregos e inflação controlada justifica uma política monetária menos rígida: ‘você tem o Brasil crescendo, com geração de emprego e inflação sob controle. Para que continuar com uma política tão restritiva? Isso tem impacto na nossa indústria, no crédito e no crescimento do país’, afirmou. “

Não vejo diferença maior entre Galípolo e seu antecessor  – Campos Neto. Em comum, o mesma atenção prioritária aos interesses  dos bancos,  do chamado Mercado  e dos rentistas, em desfavor do  Estado Brasileiro. 

– “Com R$ 200 bilhões de investimento, Data Center do TikTok no Ceará será o maior do Brasil” – 03 DEZ.
O Data Center do Tik Tok no Ceará … terá mais de R$ 200 bilhões em investimento privado. O anúncio do aporte para o empreendimento, maior do Brasil e o primeiro da empresa na América Latina, foi feito …  com a presença do presidente Lula, nesta quarta-feira (3), em Fortaleza. Focado na exportação do serviço, o Data Center será instalado na Zona de Processamento para Exportação (ZPE) do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP). A fase de obra e a operação devem gerar mais de 4 mil empregos, entre temporários e permanentes. … ‘Hoje é um dia histórico para o Ceará. …  O Data Center que estamos falando tem média salarial de R$ 5 mil. Além de tudo, também iremos tratar a água de esgoto de Fortaleza e de sua Região Metropolitana, fazendo assim uma solução ambientalmente equilibrada. As empresas, ainda, estão obrigadas a investir R$ 15 milhões por ano para o desenvolvimento das comunidades que moram no entorno do Complexo do Pecém’, destacou o governador Elmano de Freitas. O empreendimento coloca o Brasil como polo estratégico fundamental para a expansão da infraestrutura de tecnologia da empresa na região. … O Data Center será abastecido exclusivamente por energia 100% renovável. Nenhuma energia será retirada da rede elétrica atual, ou seja, não compete com o consumo residencial e comercial do Ceará. …  Outro destaque é que o Data Center usará tecnologia de resfriamento que não utiliza água. Toda a refrigeração dos equipamentos será feita por sistemas 100% baseados em ar, com alta eficiência energética. Assim, o consumo de água da instalação será muito baixo e restrito a uso humano (banheiros, cozinha, limpeza) … ”

“Nova doutrina de segurança de Trump explicita imperialismo e busca pelo controle das Américas –  Estratégia nacional do atual presidente dos Estados Unidos resgata a Doutrina Monroe e reforça ambições militares no Hemisfério Ocidental” – 06 DEZ.
 A nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos …  apresenta uma guinada agressiva na política externa do presidente …Trump, reafirmando ambições históricas de supremacia norte-americana no continente americano. O documento,… destacou a intenção explícita de recuperar a antiga Doutrina Monroe, concebida no século 19 para declarar o Hemisfério Ocidental como área de influência exclusiva de Washington .O texto define o conceito de ‘realismo flexível’ como eixo da visão estratégica de Trump e afirma que a política externa do presidente é ‘motivada acima de tudo pelo que funciona para a América’. Segundo o documento, os Estados Unidos devem ‘restaurar a preeminência americana’ na região e colocar as Américas no topo das prioridades do governo…. sinalizando que o robusto aumento da presença militar norte-americana no Caribe não será temporário. Desde que Trump assumiu o mandato, críticas se intensificaram diante de sua retórica considerada imperialista. Ele chegou a mencionar, de forma vaga, ideias como retomar o Canal do Panamá e anexar a Groenlândia e o Canadá. Mais recentemente, a mobilização militar na região [do Caribe] reforçou preocupações: mais de 10 mil soldados foram enviados ao Caribe, acompanhados de porta-aviões, navios de guerra  e jatos de combate, em meio a ameaças de ataques em países como Venezuela e outros afetados por operações de cartéis de drogas. O documento também destaca o avanço econômico da China na América Latina como preocupação crescente, retomando a lógica de disputa de influência que marcou a Guerra Fria. ….{Para o Indo-Pacífico: reforço militar para conter China e defender Taiwan. … A Europa é alvo de ataques e advertências sobre ‘apagamento civilizacional’. … Ao mesmo tempo, o documento afirma que interessa aos EUA resolver rapidamente o conflito na Ucrânia e restabelecer ‘estabilidade estratégica’ com a Rússia …  Nova hierarquia geopolítica: Américas e Pacífico como prioridades, Europa como perdedora.”

– “Produção brasileira de gás natural deve dobrar até 2035 e garantir superávit nacional” – 07 DEZ.
“A
 produção brasileira de gás natural deverá crescer 95% nos próximos dez anos, consolidando um cenário de oferta superavitária em todo o período até 2035. A projeção está no Caderno de Gás Natural do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2035) …  O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que as projeções confirmam a eficácia do planejamento energético conduzido pelo Governo Federal.  De acordo com o estudo, a produção líquida de gás natural deverá passar de 65  para 127 milhões de metros cúbicos por dia, entre 2025 e 2035 um aumento de 95%. Já a oferta potencial nacional na malha integrada crescerá cerca de 85% no mesmo intervalo. A demanda total de gás natural poderá crescer 6,2% ao ano até 2035, impulsionada principalmente pela indústria, responsável por cerca de 65% da demanda não termelétrica. … Os projetos classificados como previstos, próximos de entrar em operação, totalizam R$ 16 bilhões.”

– “Governo Trump fez pressão a favor de PL da Dosimetria para beneficiar Bolsonaro” – 19 DEZ.
A aprovação do chamado PL da Dosimetria, que reduz penas e beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros réus pelos atos de 8 de Janeiro, foi marcada por intensa articulação nos bastidores e pela atuação direta de representantes do governo dos Estados Unidos. O projeto avançou no Senado em meio a um ambiente de forte pressão política, interna e externa, segundo relatos de interlocutores envolvidos nas negociações. …  De acordo com a apuração, o vice-secretário de Estado norte-americano, Christopher Landau, esteve à frente das tratativas. Ele teria feito ligações telefônicas a membros do governo brasileiro, pressionando auxiliares do Palácio do Planalto para que a proposta avançasse no Congresso Nacional. Em troca, foram sinalizados possíveis avanços nas negociações tarifárias entre os dois países. No âmbito interno, o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT), confirmou que foi responsável por costurar o acordo político que viabilizou o avanço do PL da Dosimetria [e] reconheceu que conduziu a negociação de forma autônoma. ‘Fiz a negociação sem consultar Lula e Gleisi Hoffmann. … Não vou esconder esse fato’, … Nos bastidores do Congresso, a avaliação de parlamentares governistas é de que o projeto avançou em um contexto de pressão incomum, com interlocutores estrangeiros demonstrando interesse direto no desfecho da votação. A leitura predominante é que o tema deixou de se restringir ao debate jurídico e passou a integrar um pacote mais amplo de negociações políticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos.”

– “Brasil fechará 2025 com o maior gasto anual com juros no mundo” – 23 DEZ.
O Brasil deverá encerrar 2025 como o país que mais gasta com juros da dívida pública no mundo, em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB). O volume elevado de despesas financeiras reflete a combinação de uma dívida pública alta com uma taxa básica de juros ainda em níveis extremamente elevados, mantendo o país em uma posição desconfortável no cenário internacional. A avaliação consta de análise publicada pelo Valor Econômico, com base em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) … . Segundo os números mais recentes, o Brasil já liderou o ranking global em 2024, com gastos equivalentes a 8,28% do PIB, e deve preservar essa liderança ao longo de 2025. Entre 153 países analisados, o Brasil aparece à frente de economias como Sri Lanka, que registrou despesas financeiras equivalentes a 7,81% do PIB, Paquistão, com 7,76%, e Bahrein, com 6,54%. Entre grandes emergentes, os números também são elevados: México (6,48% do PIB), África do Sul (5,26%) e Índia (5,11%). Nos 12 meses encerrados em outubro, as despesas líquidas com juros …  somaram R$ 987,2 bilhões, o equivalente a 7,88% do PIB. Para o fechamento do ano, a expectativa é que esse montante supere R$ 1 trilhão, alcançando cerca de 8% do PIB.” 

Vale parafrasear uma frase  famosa: “Ou o Brasil acaba com o Galípolo ou o Galipolo acaba com o Brasil”...  

– “Governo Lula vê risco de interferência de Trump na eleição brasileira de 2026” 24 DEZ.
“O governo do presidente … Lula …  avalia que a relação institucional com Washington não elimina o risco de uma eventual interferência externa no processo eleitoral brasileiro de 2026. Integrantes do Palácio do Planalto consideram que, mesmo diante de gestos recentes de distensão, os Estados Unidos podem adotar estratégias semelhantes às observadas em eleições de outros países da América Latina. A análise [se baseia] em reportagem da Folha de S. Paulo, que ouviu um alto funcionário do governo brasileiro. Segundo essa avaliação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode ter feito apenas um recuo tático ao retirar parte das tarifas sobre produtos brasileiros e suspender sanções baseadas na Lei Magnitsky, após a tentativa frustrada de impedir a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. No entendimento do governo brasileiro, a preocupação se baseia em precedentes recentes. Na eleição legislativa da Argentina, Trump condicionou a liberação de um pacote de ajuda financeira de US$ 20 bilhões a um bom desempenho eleitoral do partido do presidente Javier Milei. Já em Honduras, durante o pleito presidencial, Trump apoiou publicamente o candidato da ultradireita, Nasry “Tito” Asfura. Nesse contexto, a presidente hondurenha, Xiomara Castro, afirmou que houve um ‘golpe eleitoral’ motivado pela ‘interferência do presidente dos Estados Unidos’. Antes da votação, Trump declarou que a candidata governista, Rixi Moncada, era comunista e que sua eventual vitória entregaria o país à Venezuela…. O Planalto avalia que a agenda internacional terá um peso inédito na disputa presidencial de 2026. A percepção interna é de que Trump deve apoiar abertamente o candidato da direita brasileira, alinhado ideologicamente ao atual governo dos Estados Unidos. …”

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A Reconstrução do País nº 13 – ‘Se abaixar a cabeça, eles colocam uma cangalha e a gente não levanta mais’ (Lula)

Caros amigos/leitores,

Inicia-se esta “Reconstrução” com grande  alegria e satisfação A condenação de Bolsonaro e dos seus asseclas mais próximos, do chamado “núcleo  crucial”, constitui-se  um marco da Democracia em nosso País. Desnecessário relembrar aqui o vulto das pressões que experimentou o STF e, especificamente, a sua 1ª turma, incluindo, em caráter inédito e inteiramente descabido, ameaças diretas do presidente do país mais poderoso do mundo. Tais ameaças, anteriormente ao veredito, já haviam se consubstanciado,  concretamente, pela  imposição de elevadas tarifas de exportação para os Estados Unidos (50%, para uma série de produtos), cancelamento de  vistos para entrada nos EEUU e. inclusive, a imposição da lei extraterritorial estadunidense  denominada Magnitsky,[1] ao min. Alexandre de Moraes.

Muito já se escreveu sobre as reais causas   do “tarifaço” aplicado ao País. Em princípio, parece claro que as motivações de tal agressão são muito mais políticas do que econômicas. Recorde-se, de pronto, as declarações  de Pete Hegseth, secretário de Guerra dos EUA, em discurso no US Army War College, em 23/04/2025: “Vamos recuperar nosso quintal.” … Notar que a afirmação faz muito sentido geopolítico, no momento em que os Estados estão buscando acentuar  sua influência em nosso subcontinente. Ainda no contexto de moldura mais geral, lembra-se também a afirmação de Trump segundo a qual a desdolarização, caso concretizada, corresponderia à derrota em uma terceira guerra mundial.

Assim, ganha relevo a  defesa feita por Lula e Dilma Rousseff a favor da  desdolarização,  na  última reunião do Brics, no Rio de Janeiro;  a viagem de Lula a Moscou, quando da comemoração dos oitenta anos da derrota do nazifascismo;  as críticas ao genocídio sionista na Faixa de Gaza; e, mais, a fala de Lula reafirmando a soberania de nosso País e indicando  que “o mundo não tem mais imperador”.  Tais  parecem ser os fatores que mais  pesaram para a imposição do tarifaço ao País, em dose máxima (ao lado da India). O cientista político  Jorge Folena  chegou  a afirmar explicitamente que “Trump não liga para Bolsonaro. Seu alvo é o Brics”. Não se chega a concordar inteiramente com Folena. Afinal, houve compromisso, segundo notícias na Imprensa, de que Bolsonaro retiraria o País dos Brics, caso reeleito, não sendo de desprezar-se, ainda, a grande vantagem que adviria para os EUA, em caso de uma vitória da direita (extrema-direita) nas  próximas eleições presidenciais no Brasil.  De toda a sorte, cabe não esquecer que a menção ao processo contra o Bolsonaro constituiu-se a indicação inicial da “carta” de Trump a Lula.

Vale a pena destacar aqui a postura de nosso Presidente ante as insolentes ameaças contidas em tal carta, encaminhada em forma de correspondência aberta, (às favas a diplomacia!), onde virtualmente se determinava ao País interromper “IMEDIATAMENTE” (assim, mesmo, em caixa ala) a ação em curso contra Bolsonaro e se informava a imposição das tarifas já imencionadas de 50%. Em clara linguagem intimidatória, a mensagem não deixava em aberto nenhuma linha de negociação. Desde o início, Lula afirmou sua postura: as tarifas poderiam ser negociadas (embora os EUA acumulassem um superávit de  US$ 410 bilhões no comércio com o Brasil nos últimos 15 anos), mas a soberania era inegociável. Acredito que tal posicionamento tenha causado alguma surpresa a Trump que, aparentemente, esperava uma acomodação do Brasil correspondente à subserviência que demonstrara Bolsonaro quando Presidente.  Via-se também um de seus filhos traiçoeiramente agir, com o maior desenvoltura, junto ao Congresso americano e a assessores de Trump, visando a imposição das mais elevadas medidas punitivas possíveis  contra o seu próprio país. Esse o erro de Trump: imaginar que a métrica das atuais lideranças brasileiras fosse refletir a dos “próceres” brasileiros com que se acostumara a  lidar antes. Mas, agora, defrontou-se com pessoas da têmpera de um Lula e de um Alkmin, na Presidência; de um Alexandre de Moraes e de um  Dino, no STF; de um Haddad, de um Celso Amorim, entre outros.

A meu ver, um fator importante, que muito pesou na decisão de Trump e não é muito realçado, tem origem psicológica.  Trump vê em Lula alguém que se lhe sobrepõe em vários aspectos. o que não é admitido intimamente pela sua insegurança e sua necessidade de levar vantagem em tudo. Para começar, Lula, sem dispor de poder militar, é admirado em todos ao quadrantes do mundo, que reconhece nele qualidades admiráveis de humanismo e de liderança Isto não ocorre com ele, Trump, cada vez mais  menosprezado pelo seu autoritarismo e arrogância.

Segundo o cientista político e jurista  Alysson  Mascaro, a ofensiva norte-americana visa atingir  o próprio Estado brasileiro. “Trump declarou guerra ao Brasil”. Alysson alertou ainda que  as sanções contra o  Brasil e a tarifa de 50% representam  o uso do “porrete” do imperialismo, em substituição à política da “cenoura” – convencimento via  incentivos econômicos e ideológicos. “Quando se abandona a cenoura e se parte para o porrete, é porque o império está em declínio”, afirmou.   

Portou-se nosso Governo com destemor, mas sem provocações. De fato, há que se distinguir: os Poderes Executivo e Judiciário (STF) portaram-se plenamente à altura da grave crise. Já o Legislativo está até agora enredado nas idas e vindas de uma (inconstitucional) anistia a Bolsonaro e da intitulada PEC da Impunidade, assuntos que, pelas pesquisas de opinião, não são  os de maior interesse para a maioria dos brasileiros, que aguarda o encaminhamento de temas de interesse popular  maior – e não somente à família Bolsonaro –  como  a isenção do IR para quem ganha até R$ 5,5 mil, por exemplo.

O posicionamento  altivo de nosso governo merece ser tão mais elogiado quando se verifica que tal não foi a reação de outros países. Sem preocupação cronológica.  cabe relembrar os episódios humilhantes proporcionados por Trump na Casa Branca, em audiências aos Presidentes da Ucrânia e da África do Sul,  respectivamente, Volodymyr Zelensky e Cyril Ramaphosa. Em ocasião oposterior,   em seu resort de golfe, na Escócia,  Trump também tratou com desdém a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen e o Primeiro-Ministro britânico Keir Stammer. De fato,  somente a   China e a Rússia,  foram (são) capazes de enfrentar os EUA. sem  subserviência. A realçar, ainda, o vergonhoso acordo econômico que o Japão viu-se obrigado a aceitar com os EUA, por imposição de Trump.

Como é vista, no exterior, a posição de nosso País frente à crise? Segundo  Joseph Stiglitzvencedor do prêmio Nobel de economia, sob a liderança de Lula, o Brasil reafirmou seu compromisso com o Estado de Direito e a democracia, enquanto os EUA parecem estar renunciando  à própria Constituição.  Para o Washington Post, a postura americana representa um ataque direto à democracia brasileira e aos princípios jurídicos internacionais. “É difícil conceber uma ação que o governo Trump possa tomar na relação EUA-Brasil  mais prejudicial à credibilidade dos EUA na promoção da democracia do que sancionar um juiz da Suprema Corte de um país estrangeiro por não gostarmos de suas opiniões judiciais”, declarou uma fonte do próprio  Departamento de Estado americano.

A maior parte dos analistas acredita que a sobretaxa contra o Brasil, além de não fortalecer a economia americana, irá  desorganizar cadeias produtivas daquele país, com consequente aumento de custos e instabilidade para empresas e consumidores. A retaliação contra o Brasil poderá ter um alto preço a ser pago internamente, algo que já está ocorrendo, dando margem às  primeiras reações dos usuários.

De fato,  o País deu uma lição de Democracia aos próprios Estados Unidos, ao punir exemplarmente, assegurados todos  os preceitos legais, o responsável maior pela tentativa de golpe de estado e seus assessores mais diretos. Tal não ocorreu  nos Estados Unidos, onde Trump não foi punido e ainda acabou reeleito, além de anistiar   todos os participantes da tentativa de golpe também ocorrida naquele país, da qual, inclusive resultaram mortes. A proposito, convido o leitor a consultar a  matéria ““The Economist: Brasil oferece aos Estados Unidos uma lição de maturidade democrática”, constante no anexo (28 AGO).   Stefen Levitsky  afirmou que o Brasil, apesar de suas imperfeições respondeu melhor às ameaças à democracia representadas por Jair Bolsonaro do que os Estados Unidos reagiram a Trump. “No final do dia, acho que o STF fez o que precisava fazer para defender a democracia brasileira”, declarou. Para ele,  o STF “reprimiu uma ameaça conhecida à democracia” e isso tornou o país hoje “consideravelmente mais democrático do que os EUA”.

Para além das sanções impostas, incluído o tarifaço, existe no ar um nova e grave ameaça: a abertura de uma investigação pelos Estados Unidos contra o Brasil, com base na seção 301 da legislação americana, o que assinala  um novo e delicado capítulo na relação entre os dois países. Além do Pix, o inquérito norte-americano lista uma série de práticas brasileiras que podem ser “discriminatórias e prejudiciais ao comércio dos EUA”. Entre os alvos citados estão:  barreiras ao comércio eletrônico e plataformas digitais;  falhas na proteção à propriedade intelectual;  tarifas preferenciais; restrições à entrada do etanol norte-americano; desmatamento ilegal; e supostas deficiências na aplicação de normas anticorrupção, com referência à Operação Lava-Jato. No Governo, acendeu-se o alarme:  uma vez instaurado o processo, as margens para acordos ficam drasticamente eduzidas. “Se houver condenação, há medidas que os Estados Unidos são legalmente obrigados a tomar. É um processo muito grave e perigoso”.

De toda  sorte, existem decorrências positivas.  Segundo  Rubens Ricupero, ex-embaixador do Brasil em Washington, a postura de Trump constitui um “presente eleitoral” ao presidente Lula.. Em entrevista à revista CartaCapital, Ricupero avaliou que a iniciativa fortalece a posição de Lula em defesa da soberania nacional. As  investidas grotescas de Donald Trump contra o Brasil criaram uma onda de intenso sentimento patriótico, em defesa do governo Lula e de profunda irritação com a família Bolsonaro. Outro fato auspicioso: muito embora o  aumento das tarifas comerciais pelos EUA tenha colocado  o Brasil no topo da lista dos países mais tarifados do planeta, ainda assim, em agosto, ocorreu um superávit de US$ 6,1 bilhões, um aumento  de quase 36% em relação ao mesmo período do ano anterior!

Um plus: Lula foi o primeiro líder político de maior realce  que acusou Israel de genocídio, há cerca de ano, tendo experimentado uma onda de críticas internas e externas Aliás, em minha opinião, o grande retardo da Europa em reagir a tal crime contra a Humanidade é uma das causas de sua desmoralização. Levou longe demais a subserviência a Washington!

Em termos geopolíticos globais, o mundo está assistindo a mudanças que irão marcar profundamente a Humanidade. É voz corrente, entre analistas de todos os matizes,  o fato de que o  “Mundo Ocidental”,  como o conhecemos,  está entrando em colapso, tudo indicando que o planeta acabará desemboscando em um mundo multipolar, onde os  EEUU terão perdido sua supremacia. Como resta aos americanos  um relevante fator de força – o seu  incontestável  poder militar – sempre há o risco de um “tudo ou nada” , com previsões catastróficas para a Humanidade. O tema, naturalmente, exige avaliações   mais cuidadosas, não cabíveis  neste texto.

Cabe uma última menção ao recente discurso de Lula, na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, que me encheu de orgulho, e  ao encontro casual(?) com Trump. Abre-se uma janela de de entendimento com os EUA, a ser encarada com cautela.

Com tais considerações, despede-se,  com um abraço amigo,

Luiz Philippe da Costa Fernandes

 

[1] A Lei Magnitsky, foi criada em 2012, durante o governo de Barack Obama, visando punir autoridades russas envolvidas na morte do advogado Sergei Magnitsky. Após  emenda aprovada quatro anos após, a legislação passou a ter alcance global, permitindo sanções contra qualquer pessoa acusada de corrupção ou violação grave de direitos humanos — independentemente da nacionalidade. Cabe notar que já ocorreu tentativa anterior de aplicação extraterritorial de leis aprovadas pelos Estados Unidos, caso das leis Heims- Burton e D’Amato. Não parece concebível que  o mundo civilizado admita que um país – por mais poder que detenha – pretenda  estabelecer regulamento jurídico que se aplique extraterritorialmente a todos os  demais.

Muito embora a imposição das novas tarifas por Trump seja relativamente recente, ela já se reflete em  desaceleração econômica mundial. Segundo dados do Banco Mundial, em junho, a previsão de crescimento global em 2025 foi revista para baixo, caindo de 2,7% para 2,3% — uma redução de 0,4 ponto percentual. Trata-se do nível mais baixo de expansão em 17 anos, excetuando os períodos de recessão em 2009, durante a crise financeira, e em 2020, por conta da pandemia.

A Reconstrução do País n° 11 – Começa a Remoção do entulho…

Caros leitores/ amigos,

Começa a Remoção do Entulho…

No País, assume aspectos mais visíveis o que denominei de “remoção do entulho”, referindo-me, obviamente, ao próximo ajuste de contas da camarilha de golpistas que ameaçou o nosso regime democrático com a Justiça. Acerto que é absolutamente necessário e indispensável para evitar-se que, em futuro mais ou menos próximo, venham a ser feitas novas tentativas de derrubada de governos democraticamente eleitos. Estou convencido de que a condenação dos responsáveis é a peça fundamental para a efetiva pacificação do País, não obstante as reações previsíveis por parte da extrema-direita, após a esperada prisão do Inelegível e dos demais maiores responsáveis pelo golpe e pelo previsto assassinato do Presidente Lula, do Vice-Presidente Alkmin e do Ministro Alexandre de Moraes.

Como todos estão acompanhando, o processo já evoluiu do indiciamento de 40 pessoas pela PF à denúncia do PGR ao STF. No último dia 26, após a apresentação da defesa prévia dos denunciados do chamado “núcleo crucial” (Bolsonaro e mais sete, incluindo vários ex-ministros de Estado) a denúncia foi aceita e todos foram declarados réus, pela 1ª turma do STF. Muda – e para muito pior – o status dos responsáveis maiores pela organização criminosa.

Cabe lembrar aqui algumas palavras do PGR Gonet, na denúncia ao STF:

“O grupo de apoio do então Presidente da República, que formará o núcleo da organização criminosa, cogitou de o Presidente abertamente passar a afrontar e a desobedecer a decisões do Supremo Tribunal Federal, chegando a criar plano de contingenciamento e fuga de Bolsonaro, se a ousadia não viesse a ser tolerada pelos militares”.

Quanto ao evento de importância magna para a própria Humanidade, refiro-me, também obviamente, à eleição de Trump. E às iniciativas que vem adotando, que ultrapassam os piores prognósticos feitos a respeito. Há quem afirme, com razão, que os Estados Unidos, considerados o “modelo de Democracia” para o mundo, ora flertam perigosamente com uma ditadura. Além de provocar uma incerteza na economia mundial devido às elevações drásticas de impostos de importação, há ameaças mais diretas e assustadoras, caso do reiterado anúncio de sua intenção de que o Canadá venha a constituir-se um novo Estado norte americano e à pretendida anexação da Groelândia e do Canal de Panamá, não tendo sido afastada, explicitamente, a intervenção militar. Curioso assinalar que os seus primeiros ataques foram dirigidos aos seus aliados mais tradicionais, caso da Comunidade Europeia, do Canadá e do México.. Grandes mudanças geopolíticas estão à vista. Há quem associe as reações destemperadas de Trump aos estertores de uma América que vê surgir uma nova configuração geopolítica em que o Poder americano é contestado por outros atores pelo menos de igual peso global. E, em âmbito interno americano, avolumam-se sinais de descontentamento com a visível queda do prestígio norte-americano no mundo. Em relação ao nosso País, já vigora a elevação dos impostos de importação do aço e do alumínio, havendo ameaça de elevação de impostos para muitos outros produtos.

No contexto, é parficularmente ultrajante a atitude do clã Bolsonaro – ex-Presidente e o filho Eduardo à frente, mas não só – em campanha aberta em prol da aplicação de sansões norte americanas ao Brasil devido à atuação de Alexandre de Moares, vale dizer, ao nosso Poder Judiciário, devido à próxima condenação de Bolsonaro e em prol de uma anistia (pleiteada antes da condenação!). Trata-se de caso típico de atentado contra a soberania nacional que, com a extinção da Lei específica a respeito, ora é capitulado no próprio Código Penal.

Anima-se politicamente a oposição com a queda de popularidade de Lula, devida ao aumento do custo de certos alimentos, fenômeno de variadas causas, inclusive externas, que o Governo busca resolver com prioridade É o caso do bolso do pobre e da classe média pesando mais do que os índices econômicos muito favoráveis ostentados pelo governo, incluindo, entre outros, o do PIB, o da taxa de desemprego e o do aumento da massa salarial.

Certamente. haveria muitos outros aspectos a comentar nesta “Reconstrução”, como bem o atesta a quantidade de matérias constantes do Anexo. Fica-se, entretanto, com as já apresentadas, pela sua grande relevância relativa.

Renovo minha satisfação por voltar a contactá-los, agora por intermédio desta série, que sucedeu-se aos “Desmontes” do tempos nada saudosos de Tremer & Bolsonaro…

Com meu cordial abraço, até a próxima “Reconstrução”, ao final de junho p.v..

Luiz Philippe da Costa Fernandes

PS – Repetindo aviso já divulgado anteriormente: o Anexo visa proporcionar, em relance, uma visão sobre a variedade de providências que caracterizou uma “reconstrução” bem sucedida, no trimestre. Em caso de maior curiosidade, a íntegra de cada artigo pode ser lida com o uso do Google, a partir de cada título.

ARTIGOS SELECIONADOS PARA A “RECONSTRUÇÃO DO PAÍS” Nº 11

– “No governo Lula 3, Brasil volta a ser um país majoritariamente de classe média”– 05/01/25.
“O Brasil volta a despontar como um país majoritariamente de classe média graças ao crescimento do emprego e aos ganhos de renda durante o terceiro mandato do presidente … Lula … De acordo com um estudo … reportado pelo jornal O Globo, o número de domicílios nas classes C, B e A — rendimentos domiciliares acima de R$ 3,4 mil — atingiu 50,1% em 2024, superando pela primeira vez desde 2015 a marca de metade das famílias…. ‘Desde 2023 houve migração importante das famílias da classe
D/E para a classe C, decorrente da melhora significativa do mercado de trabalho no pós- pandemia’, afirma a economista Camila Saito, da Tendências. Tipicamente, as classes C e B são consideradas a base da classe média, com a renda do trabalho como principal
fonte de sustento. Nos dois primeiros anos do governo Lula 3, o país viveu uma retomada econômica marcada por políticas de valorização do salário mínimo. Em 2023 e 2024, houve reajustes acima da inflação, o que ajudou a impulsionar a massa salarial: ‘Isso acarretou melhor desempenho dessas classes em relação às demais’, destaca Camila. … “

– “Brasil registra recorde na exportação de produtos industrializados” – 7/01/25.  
“Brasil exportou US$ 337 bilhões, dos quais US$ 181,9 bilhões foram manufaturados.  [O] …Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços …  divulgou nesta segunda-feira (6/1) os impressionantes resultados da Balança Comercial brasileira para o ano de 2024. Segundo dados oficiais, as exportações totalizaram US$ 337 bilhões, representando um crescimento de 3,3% …  em comparação a 2023, que foi de US$ 599,5 bilhões. O superávit comercial alcançou US$ 74,6 bilhões, destacando o fortalecimento da economia nacional no cenário internacional. O destaque do relatório pertence à indústria de transformação, que registrou um recorde histórico de exportações de US$ 181,9 bilhões em 2024 … Este marco evidencia a eficácia das políticas públicas implementadas pelo governo brasileiro para impulsionar a produção nacional e fortalecer a presença do país no comércio exterior.”

– “Setor naval fecha 2024 com investimentos de R$ 30 bilhões” – 11/01/25.
“Nos últimos dois anos, o total de projetos aprovados pelo Fundo da Marinha Mercante foi 70% maior que o registrado entre 2019 e 2022.  A indústria naval e o setor portuário brasileiro encerraram 2024 com o melhor resultado em mais de uma década. O segmento fechou o último ano com R$ 30,8 bilhões aprovados para mais de 430 novos projetos, incluindo construção de embarcações, reparos, docagens, modernização de unidades, ampliação de estaleiros e novas infraestruturas portuárias, impulsionado pelos recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM), O ministro … Silvio Costa Filho destacou que o governo federal tem retomado e priorizado projetos negligenciados pela gestão anterior. Segundo ele, o valor aprovado no último biênio foi duas vezes superior ao priorizado nos quatro anos do governo anterior. Nos últimos dois anos, o total de projetos aprovados pelo FMM foi 70% maior que o número registrado entre 2019 e 2022, passando de 768 (em quatro anos) para 1.300 nos últimos dois anos. “Não tenho dúvidas de que estamos no caminho certo para retomar o protagonismo da indústria naval e do setor portuário. … . ‘ Nos últimos dois anos, aprovamos, por meio do Fundo da Marinha Mercante, quase R$ 45 bilhões em projetos de modernização e construção no setor naval.. Isso significa mais crédito, mais investimento, fortalecimento do setor portuário e de navegação, o que representa desenvolvimento econômico, geração de empregos e aumento de renda para os brasileiros’, disse o ministro. …  Outro dado expressivo foi o valor destinado à realização de obras para expansão da indústria naval. De janeiro a dezembro de 2024, foram firmados contratos no valor de R$ 5,33 bilhões, o maior volume desde 2012. Esses recursos financiaram 548 novas obras, sendo a maior parte para a navegação interior (415), seguidas por apoio marítimo (94), apoio portuário (37) e cabotagem (2). … “

“’O Brasil está na mira de Trump’, diz Pepe Escobar” – 18/01/25.
 O jornalista e analista geopolítico Pepe Escobar afirmou, …  que a nova administração de Donald Trump representará uma mudança radical na geopolítica internacional. Segundo Escobar, o Brasil, como principal ator da América Latina e membro dos BRICS, será diretamente afetado …  ‘A guerra do Império do Caos contra os BRICS agora se multiplicará, mirando o Sul Global, e o Brasil está no centro dessa estratégia’, declarou. ‘ … o retorno de Trump à Casa Branca marca uma reconfiguração das relações internacionais, com os Estados Unidos assumindo uma postura ainda mais agressiva. ‘Trump 2.0 significa uma mudança de paradigma total, em que a desordem internacional será imposta como regra’, explicou. Ele apontou que o objetivo principal será conter a China, enfraquecer os BRICS e consolidar a influência americana sobre aliados e adversários. [e] …. alertou que a nova administração deve intensificar pressões econômicas e políticas contra os BRICS, … . ‘O Brasil, como principal ator latino-americano nos BRICS, será alvo de políticas que visam desestabilizar o bloco e limitar a cooperação econômica e política entre seus membros’, disse Escobar. Ele destacou também o fortalecimento de iniciativas como o corredor de transporte Norte-Sul, que conecta Rússia, Irã e Índia, como uma resposta às sanções e à tentativa de isolamento promovida pelos EUA. Segundo Escobar, Trump adotará táticas ainda mais ousadas, que incluem o fortalecimento do controle sobre aliados estratégicos e até mesmo movimentos de anexação territorial. ‘A Groenlândia e o Canadá são exemplos claros dessa nova fase imperialista, com Trump e sua equipe explorando todas as possibilidades, desde plebiscitos até anexações unilaterais’, afirmou. Escobar destacou que o Brasil enfrentará um cenário geopolítico desafiador nos próximos anos, especialmente com a escalada de tensões entre Estados Unidos e China. ‘As elites brasileiras, alinhadas com os interesses americanos, devem intensificar sua retórica contra os BRICS, enquanto Trump busca desestabilizar qualquer iniciativa de integração regional ou global que ameace a hegemonia dos EUA’, alertou. … ‘Estamos entrando em um período de caos imposto, em que o Sul Global e os BRICS serão o principal alvo’, concluiu.” 

– “Em 2024, Brasil alcança faturamento histórico com turismo e supera marcas da Copa de 2014” – 24/01/25.
O turismo brasileiro bateu recordes em 2024, com faturamento de US$ 7,341 bilhões, segundo dados do Banco Central … . Este é o maior valor alcançado pelo setor nos últimos 15 anos, superando até mesmo os números registrados em 2014, durante a Copa do Mundo da FIFA, quando o país faturou US$ 6,914 bilhões com os gastos de turistas estrangeiros … “

– “Arrecadação federal recorde reflete reativação da economia em 2024, diz Receita” – 28/01/25.
“O  secretário da Receita Federal … celebrou …  a arrecadação federal recorde em 2024, atribuindo o resultado ao aquecimento de diversos setores econômicos. …  o aumento da massa salarial foi um dos principais fatores que impulsionaram os números. [Segundo o Secretário] ‘Os números refletem a reativação da economia do ano passado, com um resultado espetacular … Destacamos também o aumento da massa salarial, que tem papel relevantíssimo na arrecadação de 2024”.

– “Dívida pública bruta do Brasil cai a 76,1% do PIB em dezembro e superávit primário supera expectativa” – 31/01/25.
A dívida bruta do Brasil registrou queda em dezembro, quando o setor público consolidado brasileiro apresentou superávit primário acima do esperado, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira pelo Banco Central. A dívida pública bruta do país como proporção do PIB fechou dezembro em 76,1%, contra 77,7% no mês anterior. Já a dívida líquida foi a 61,1%, de 61,2% em novembro ….Em dezembro, o setor público consolidado registrou um superávit primário de 15,745 bilhões de reais, acima da expectativa de economistas consultados ….”                           

Acordo  notícia posterior, .com o resultado do ano passado, o estoque ficou dentro do intervalo de 7,0 trilhões a 7,4 trilhões de reais estabelecido como meta no Plano Anual de Financiamento (PAF) do Tesouro para 2024.

– “Brasil é visto como grande potência por 21% das pessoas no mundo, aponta estudo” – 11/02/25.
Um estudo divulgado pela Conferência de Segurança de Munique (MSC) …revelou que 21% das pessoas em 11 países consideram o Brasil uma grande potência. A pesquisa entrevistou 11 mil pessoas em nações do G7 e dos BRICS, analisando a percepção global sobre quais países exercem influência significativa no cenário internacional. A visão do Brasil como potência global varia conforme o país pesquisado. Na Índia, 37% dos entrevistados enxergam o Brasil como um ator relevante, enquanto no próprio Brasil esse índice é de 34%. … . Por outro lado, o mundo está experimentando uma polarização crescente entre estados e dentro deles, aponta o estudo. Os Estados Unidos lideram o ranking, sendo reconhecidos como uma grande potência por 90% dos entrevistados, seguidos por China (87%) e Rússia (81%). O Brasil ocupa a 14ª posição, à frente de países como Turquia, África do Sul e México. … A pesquisa foi realizada entre 14 e 29 de novembro de 2024, com 1.000 entrevistados em cada um dos 11 países, e tem uma margem de erro de 3,1 pontos percentuais.”

– “Varejo do Brasil fecha 2024 com maior expansão em 12 anos” – 13/02/25
“O setor de varejo do Brasil registrou em 2024 o maior crescimento das vendas em 12 anos, embora tenha apontado enfraquecimento no final do ano em linha com as expectativas de perda de força gradual da economia. As vendas varejistas tiveram queda de 0,1% em dezembro na comparação com o mês anterior, segundo dados divulgados …  pelo … IBGE …  , o setor registrou em 2024 crescimento de 4,7%, o oitavo ano de expansão e no ritmo mais intenso desde 2012 (+8,4%)”

– ‘Investimentos militares no governo Lula superam os de Bolsonaro, mas gastos com pessoal permanecem elevados” – 16/02/25
Os primeiros dois anos do governo  ,,,  Lula  mostraram avanços no setor de defesa nacional, como o aumento na taxa de investimentos, mas também mantiveram desafios relacionados aos gastos com pessoal, especialmente nas Forças Armadas. Sob a gestão do ministro …  Múcio Monteiro, o Brasil viu uma elevação no montante destinado a investimentos em defesa. Em 2022, o último ano do governo … Bolsonaro, 6,8% do orçamento de defesa foi alocado para essa área. Já no ano passado, o índice aumentou para 7,4%, com valores corrigidos pela inflação, … s. Entretanto, de acordo com a Folha de S.Paulo, houve uma queda no pagamento de militares ativos e inativos, que caiu de 80% para 78,2%. A redução reflete a falta de reajustes para a categoria, somada a distorções no uso de recursos no setor militar. …  a despesa com pessoal continua alta, sendo que os inativos representam 60% dessa fatia. …  Em relação aos investimentos, o Brasil ainda está aquém da meta ideal recomendada pela … OTAN, que sugere que 20% do orçamento de defesa seja destinado a equipamentos e seus programas. Embora apenas três dos 32 membros atuais da OTAN tenham cumprido essa meta em 2024, a pressão internacional sobre o Brasil para aumentar seus investimentos também persiste. … . Os principais projetos de defesa brasileira nos últimos anos incluem a aquisição de caças suecos Saab Gripen, que em 2024 teve um desembolso de R$ 1,5 bilhão, quase R$ 500 milhões a mais do que o previsto inicialmente. Também se destacam o programa de submarinos da Marinha (R$ 960 milhões), o programa de controle do tráfego aéreo da Força Aérea Brasileira (FAB) (R$ 840 milhões), o programa Calha Norte (R$ 720 milhões) e  a adoção do cargueiro Embraer KC-390 pela Suécia (R$ 690 milhões). “                                                     

 Não se menciona o SisGAAZ.

– “Petrobras lança licitação para adquirir oito navios gaseiros e ampliar frota da Transpetro” – 17/02/25.
A Petrobras, por meio [da] …Transpetro, anuncia nesta segunda-feira (17) a abertura de uma licitação internacional para a aquisição de oito navios gaseiros com capacidades de 7 mil, 10 mil e 14 mil metros cúbicos. A medida faz parte do programa de renovação e ampliação da frota da Transpetro, iniciado em julho do ano passado. …O evento será realizado no Terminal da Baía de Ilha Grande (Tebig), em Angra dos Reis, Rio de Janeiro, e contará com a presença do presidente  Lula …”.

– “Polo Naval de Rio Grande renasce com contratos da Petrobras e superação dos efeitos da Lava Jato – 24/02/26.
– Uma série de autoridades e representantes da classe trabalhadora discursaram no evento da assinatura de contrato de ampliação da frota da Petrobras e Transpetro com o consórcio formado pelos estaleiros Ecovix, de Rio Grande (RS), e Mac Laren, de Niterói (RJ), em Rio Grande (RS), nesta segunda-feira (24). A cerimônia marca a retomada da indústria naval, após a Operação Lava Jato criar o ‘cemitério dos estaleiros’ no Brasil. Com o desmonte, embarcações passaram a ser importadas de outros países … Além disso, o governo … Temer levou à paralisação do Polo Naval de Rio Grande e à suspensão da produção de plataformas para exploração de petróleo. A Ecovix foi criada em 2010 como braço de construção naval do grupo de engenharia Engevix, que foi alvo da Lava Jato. À época, havia o contrato para a fabricação de cascos de plataformas da Petrobras para a exploração de petróleo e gás natural. … como afirmou o ministro … Luiz Marinho … a destruição do setor após o golpe contra a presidente Dilma …  foi devastador, detalhando: ‘Chegamos em 2014 com quase 100 mil trabalhadores em obras relacionadas ao setor naval. Depois do golpe contra a presidenta Dilma, [chegamos] …  em 2019, a 37 mil trabalhadores. … .A Petrobras terá um papel central nessa retomada. A presidente da estatal  anunciou que está interessada em explorar o petróleo na Bacia de Pelotas. Os investimentos na Bacia de Pelotas trarão ‘contribuições inestimáveis’ ao estado do Rio Grande do Sul, …  mencionando os investimentos previstos para as duas refinarias no estado, uma delas a primeira biorrefinaria do país, e a produção de 44 novas embarcações da classe Handy até 2029..

– “Sob Lula, economia brasileira contraria pessimistas e cresce 3,4% em 2024” – 07/03/25.
“O … PIB do Brasil fechou 2024 com crescimento de 3,4%, alcançando R$ 11,7 trilhões, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (7) pelo … IBGE. … O resultado anual é o melhor desde 2021 e foi impulsionado principalmente pelos setores de serviços e indústria…. Pela ótica da demanda, o principal fator de crescimento do PIB em 2024 foi a despesa de consumo das famílias, que avançou 4,8% em relação a 2023. O desempenho positivo foi favorecido por uma série de fatores, incluindo programas de transferência de renda do governo, melhoria do mercado de trabalho e uma taxa média de juros mais baixa em comparação ao ano anterior.”

– “Governo amplia reforma agrária com entrega de 12 mil lotes pelo programa Terra da Gente” – 07/03/25.
O governo federal oficializa, nesta sexta-feira (7), um amplo pacote de medidas voltadas para a reforma agrária, durante evento … em Campo do Meio (MG). A cerimônia, que contará com a presença do presidente Lula (PT), marca a entrega de 12.297 lotes para famílias acampadas em 138 assentamentos rurais espalhados por 24 estados. No total, são 385 mil hectares de terras destinadas à produção agrícola familiar e à inclusão produtiva. O programa Terra da Gente também receberá um  … um investimento de R$ 1,6 bilhão em 2025 … destinado à construção de moradias, apoio inicial aos assentados e incentivo à participação de jovens e mulheres na reforma agrária. A expectativa é de que pelo menos 18 mil famílias sejam contempladas com novas residências. .. Outro investimento de peso será feito no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que receberá R$ 1,1 bilhão. Entre 2023 e 2024, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) adquiriu 249 mil toneladas de alimentos de cooperativas e associações, sendo que 26% dos fornecedores eram assentados da reforma agrária. …   Durante a cerimônia, Lula assinará sete decretos que reconhecem como de interesse social 13.307 hectares de terras para fins de reforma agrária, beneficiando cerca de 800 famílias. Os decretos abrangem propriedades em diferentes estados, incluindo …fazendas todas localizadas no Complexo Ariadnópolis, em Minas Gerais. Outras áreas beneficiadas estão em Pau-d’Arco (PA), Formosa (GO), Barbosa Ferraz (PR) e Cruz Alta (RS), … . “            

A meu ver, o caminho certo para baratear produtos alimentícios, no médio prazo. Lembrar que o “agro pop”, embora de fundamental importância econômica para o País, só cogita, nas extensas terras que ocupa, de plantar commodities visando a exportação.

Lula inaugura maior centro de mobilidade híbrida-flex da América Latina, em MG” – 11/03/25. “Inauguração consolida o Brasil como polo de inovação e sustentabilidade na indústria automotiva mundial. Cerimônia marca início dos investimentos de R$ 32 bilhões da Stellantis para o Brasil e a América Latina entre 2025 e 2030. ‘Hoje é um dia que eu estou feliz. Primeiro, porque o BNDES aprovou uma verba de R$274 milhões para contribuir com essa inovação tecnológica da Stellantis. Segundo, pelo anúncio de investimentos da Stellantis. Terceiro, pela quantidade de emprego. E quarto, pelo comportamento de uma empresa multinacional que tem se comportado aqui no Brasil da forma mais extraordinária, estabelecendo uma relação 100% civilizada e harmônica com as coisas do governo’, disse o presidente Lula”.

– “Real é a terceira moeda mais valorizada no mundo em 2025” – 26/03/25.  
“Desde o início do ano, a moeda brasileira avançou 7,87% frente ao dólar, ficando atrás apenas do rublo e da coroa sueca”,

A Reconstrução do País nº 10 – A segunda maior crise do Governo

Caros leitores/ amigos,

Ora se encerra um trimestre muito especial: Lula completa a metade de seu terceiro mandato e, felizmente,  Campos Neto e Arthur Lira deixam de ser atores principais no cenário político. A tais boas notícias, se contrapõe o que denominei de “segunda maior crise do governo”. A primeira, obviamente, se refere  à tentativa de golpe de estado, em janeiro de 2023, ocasião em que chegou a ser planejada a morte  de Lula, de Alkmin e de Alexandre de Moraes. Desta feita, o ataque não cogitou de mortes, mas de levar a cabo a desmoralização do governo, conduzindo ao fracasso a sua possível reeleição,  em 2026. Teve início no final de novembro, com um processo  de especulação envolvendo o dólar,  que chegou à cotação  de R$ 6,30 – maior valor nominal de sua história  –, o que obrigou o Banco Central a reagir,  vendendo mais de US$ 26,75 bilhões, em uma série de intervenções no câmbio.  O movimento teve o patrocínio do chamado Mercado; de graúdos especuladores e rentistas;  de alguns grandes bancos; da extrema-direita bolsonarista,  incluídos os seus representantes no Congresso (e sua eficiente rede  de mídias sociais); dos jornalões subservientes ao Mercado (Folha e Estadão, à frente); e  contou, ainda, com a  descabida elevação de juros pelo Banco Central, que ora coloca o Brasil, no mundo, em termos de juros reais (descontada a inflação),  na  segunda  posição, com 9,48%, ficando atrás apenas da Turquia, líder do ranking, com 13,33%. Por que é descabida a elevação de juros a tal magnitude? Porque ocorre, na ausência de fatos políticos ou econômicos novos e relevantes, no momento em que: o País passou a ser  a 8ª economia do mundo (era a 12ª); a  insegurança alimentar severa caiu 85%; ocorreu  aumento real do salário mínimo após quatro anos e o menor índice de desemprego dos últimos  dez anos (6,1%!); apresenta a maior massa salarial dos últimos dez anos; e reduziu de 40% a extrema pobreza.

A propósito, é certo que a remessa de dividendos para o exterior e a eleição de Trump tiveram alguma influência no aumento do dólar , mas de menor importância relativa.  Após a apresentação dos fatos indicados, causa perplexidade a recente afirmação de Campos Neto, (com o apoio do Galípolo!) negando que tenha ocorrido algum ataque especulativo. “Passagem de pano” para o Mercado?

Note-se que mesmo o encaminhamento do projeto de contenção de gastos enviado ao Congresso   não aplacou a desconfiança com o compromisso fiscal do governo. Pelo que foi noticiado, o Mercado esperava mais e, sobretudo, maior peso sobre a população mais pobre, com cortes mais expressivos nas verbas dos  programas sociais, menor aporte à Saúde e à Educação  e interrupção de aumentos reais do salário mínimo. A assinalar, ainda, que acabou por não prosperar no Congresso o equilíbrio que o Governo buscou manter em seu projeto,  com base em cortes aos  mais abonados, em termos de severidade na manutenção do teto máximo de pagamento a todos os funcionário dos três Poderes, cobrança maior de impostos para quem recebe mais de R$ 50 mil por mês, limitação das emendas parlamentares etc.. Uma curiosidade: no governo Bolsonaro, responsável por  vários descalabros econômicos, mormente para fazer caixa para sua reeleição, o BC se manteve impávido e o Mercado de nada reclamou.

Qual o grande desafio a enfrentar? Se o Governo cede agora, desmoraliza-se o seu compromisso eleitoral com os mais pobres,  reduzindo-se consideravelmente a possibilidade de reeleição de Lula.  De fato, seria reconhecer que o  Mercado, mesmo sem votos,  passou a ser o real condutor dos destinos do País.  Por outro lado, a manutenção de um elevado valor do dólar afeta os preços em geral, principalmente os dos alimentos que dependem de insumos externos, aumentando a inflação e corroendo a popularidade do governo. O  aumento da inflação, por sua vez, forçaria a uma alta ainda maior dos juros. Arma-se um demolidor círculo vicioso  para o Governo. Por isso mesmo,  trata-de luta decisiva para Lula.  Registro minha confiança no governo, estimando que Lula, com a sua reconhecida habilidade, conseguirá  fazer  prevalecer o bom senso e a vontade popular, apanágio maior da Democracia. E, afinal, segundo o Presidente,  2025 marcará o início da “colheita” de providências adotadas  nos dois anos anteriores.

Permito-me um comentário a respeito, lembrando que, por vezes, a melhor defesa é o ataque … . A meu juízo,  um dos principais elementos de força do chamado “Mercado” é justamente o fato de “não  ter cara”. Quem, afinal, representa a “entidade”?  Parece-me que não deve ser difícil, para o Governo,  levantar o nome dos maiores especuladores (os que efetuaram maciças compras de dólar,  no período) e,  independentemente de eventuais ações judiciais julgadas cabíveis,  divulgar amplamente o nome de tais maus brasileiros que, por motivações espúrias,  não hesitam em prejudicar os interesses maiores do  País.

Foi também um  trimestre em que, a meu juízo, firmou-se ainda mais, de modo indelével, a liderança e o prestígio de Lula, em nível mundial. Certamente, mais em nível mundial do que  internamente.  A  assertiva se justifica à vista de seu desempenho na presidência do G20 e da concretização, após 25 anos de negociação, do acordo Mercosul-UE. No G20,  “o grande legado da presidência brasileira é a formação da Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, idealizada por Lula e lançada formalmente … . Mais de 82 países e dezenas de entidades internacionais aderiram” (ver notícia datada 20 NOV no Anexo).  Mas não foi só: as críticas que encabeçou à ONU, principalmente à composição de seu  Conselho de Segurança, e a sua  defesa em prol da  taxação de super-ricos, são idéias-força que podem ter algum  prazo de maturação para atos  concretos, mas que deitaram raízes.  A reforma na governança global entrou no texto final da cúpula dos líderes do G20, bem como, de forma inédita, menção  à taxação de grandes fortunas (apesar da discordância argentina).

 Acerca do acordo com a UE, lembra-se que tal acordo – que incluirá  uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, abrangendo mais de 700 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto de US$22,3 trilhões –, acabou assinado, em boa parte, devido à ação direta de Lula junto aos governos europeus. Não por outra razão pontuou Alkmin: Se não fosse Lula o presidente do Brasil, dificilmente o acordo teria saído.” A destacar, ainda, que ele só foi assinado após experimentar reformulações, excluindo aspectos desfavoráveis a nosso País que constavam no texto anterior,  em assuntos como  espaço para políticas públicas sobre compras  governamentais, comércio no setor automotivo e exportação de minerais críticos. É certo que existem vozes dissonantes sobre a oportunidade da assinatura – é o caso das reservas feitas pelo renomado economista  Paulo Nogueira Batista Júnior que afirma que, apesar das alterações introduzidas,  o acordo  ainda mantém seu viés neoliberal de origem que, ao final, acarretará prejuízo ao País.

Já em nível interno, ocorre um fenômeno que merece ser aqui abordado.  O desempenho do governo Lula pode ser classificado como  excelente,  afirmação que não se baseia em afinidades políticas, mas em resultados numéricos, já alinhados  anteriormente. Mas a importante pesquisa Quaest que acaba de ser realizada (4 a 9 de dezembro p. p.; 8.598 eleitores entrevistados; margem de erro de 1% para mais ou para menos) indica que apenas 52% da população aprova o Governo, enquanto 48% o reprova.  O foco  da contradição  parece residir na falta de uma comunicação mais eficiente com a população. (O ex-presidente do México  López  Obrador conseguiu a façanha, em seu país,  como se sabe, vizinho ao EEUU, de obter não só a eleição da indicada pelo  seu governo, classificado como “humanista”  – Claudia Sheinbaum, a primeira mulher a chegar à presidência –  como, também, e maioria  parlamentar,   em boa medida.   graças a um eficiente  trabalho de comunicacão social, por meio de sites  diários, em rede nacional). Ponto favorável ao governo, que a pesquisa deixou bem patente,  foi a constatação de  que Lula venceria todos os seus possíveis oponentes. em 2026, por larga margem de votos (e.g.: Lula 51% x 35% do inelegível  Bolsonaro;   52% de Lula x 26% de Tarcísio de Freitas; 52% x 27% de Marçal etc…). Outro dado marcante é que substituindo-se Lula por Haddad, ele também seria  vencedor em todos os cenários!

Acrescentam-se mais algumas poucas considerações sobre o atual momento político,  em que  Lula acaba de ser alvo de virtual chantagem pelo  Congresso e dos juros estabelecidos pelo BC,  além do brutal ataque cambial que seu governo experimentou na área do dólar. O problema com o Congresso  atenuou-se, num primeiro momento, com a liberação das verbas exigidas pelos parlamentares, em troca da aprovação de projetos de interesse vital para o governo (para o País!), caso do projeto de controle de gastos e da LDO, entre  outros.  A popularidade de Lula parece não ter sofrido maior abalo, como já indicado, graças à clara disposição presidencial de temperar os cortes com algum sacrifício também ao “andar de cima”, o que acabou não prosperando, por falta de apoio legislativo. Aliás, no Congresso, o projeto acabou desidratado,  como um todo.  Em lugar dos 70 bilhões de corte pretendido, chegou-se a valor inferior, ainda não mensurado perfeitamente. E há que levar em conta  a possibilidade de futuros ataques especulativos de idêntica natureza…

Fato muito relevante ocorreu no dia 23 p. p.:  a decisão do ministro Dino de suspender o pagamento de R$ 4,2 bilhões em emendas parlamentares de comissão, aprovadas na Câmara, após manobra considerada espúria do presidente da Casa, Arthur  Lira. Em sua decisão, Dino lembrou as denúncias já divulgadas sobre  desvios de verbas de tais emendas, em geral,  e a execução de  obras malfeitas decorrentes, indícios de corrupção em alta escala. Determinou, ainda, investigação pela PF a respeito, estabelecendo que os pagamentos de tais emendas só poderão ocorrer após a análise das atas das Comissões temáticas da Câmara  e a verificação se os os critérios de transparência e rastreabilidade, já determinados pelo STF, foram cumpridos. Com chave de ouro, concluiu sua decisão estabelecendo que a autorização de todas as emendas de 2025 fica condicionada ao cumprimento rigoroso das exigências feitas. Nunca é demais realçar que o montante de cerca de R$ 50 bilhões destinado ao pagamento das emendas parlamentares só existe no Brasil, não encontrando paralelo, mesmo aproximado,  em nenhum outro país do mundo. (A verba total disponível para o Poder Executivo investir em seus 31 Ministérios  é  de aproximadamente R$ 70 bilhões, o que leva certos analistas a considerar que o atual regime do Brasil, de fato, já é um semi-parlamentarismo).  O que vinha ocorrendo é que, de forma recalcitrante, mesmo após decisões anteriores do STF a respeito, recorrendo a artifícios diversos, Arthur Lira, vinha se furtando de acatar as decisões daquela Suprema Corte, na íntegra, culminando, no caso das emendas de comissão em questão, por contrariar frontalmente tais determinações. O primeiro encaminhamento ao STF de cópias das atas  das Comissões e de informações exigidas pelo min. Dino (dia 27 p. p.) não foi julgado satisfatório, por não responder, objetivamente,  às questões formuladas, o que levou o  ministro a apresentar à Câmara novas indagações, também já respondidas, não se conhecendo, ainda, até o momento deste encaminhamento,  a posição do  Dino, Registre-se o ambiente de certa suspeição, levantado por alguns, sobre um possível entendimento Lula/Dino, com base no fato de o questionamento ter ocorrido logo após a aprovação dos atos legislativos de interesse direto do governo,  a respeito. De toda sorte, é de prever-se um clima difícil para o Governo, ao início do próximo período legislativo. 

Em relação ao BC, aparentemente,  Galípolo não irá alterar o panorama descabido  do atual patamar de juros, pelo menos no médio prazo. Mas estima-se que venha a fazê-lo ao longo do tempo, vencida a atual crise especulativa. Afinal, foi indicação enfática do próprio Haddad. O fato é que, a  manter-se  o atual patamar de juros, com o acréscimo ainda de dois pontos previstos nas duas reuniões futuras do BC, há quem indique que isto pode  traduzir-se em um cenário econômico  muito ruim em 2026, podendo afetar a reeleição de Lula. Lembra-se que o aumento de 1%  na taxa Selic  gera um prejuízo anual de cerca de R$ 35 bilhões aos cofres públicos!

Cabe mencionar a questão da próxima posse de Trump dia 20 de janeiro e sua possível repercussão sobre  nossa economia,   nossa  política  externa e até mesmo sobre  reações no campo interno. Não é segredo para ninguém que, em atitude deplorável e atentatória à soberania nacional, Eduardo Bolsonaro, às claras, entre outros, pleiteia que Trump  pressione o País, mediante sansões econômicas,  em prol  do atendimento aos anseios maiores da  extrema direita nacional  incluindo, no limite, pressões sobre o STF, para que  seja concedida  anistia aos  envolvidos no golpe, Bolsonaro à frente. Em situação normal, a conjectura não faria sentido mas … passa a ser considerada, em um governo Trump, com assessoria direta de Elon Musk,  ambos dotados de muita vaidade e arrogância, no segundo caso, também com o orgulho ferido, após ter sido obrigado a curvar-se, aqui em nosso País, a Alexandre de Moraes.   Tenho para mim – e não estou sozinho -, que o golpe pretendido  por Bolsonaro não se concretizou em boa parte, também devido aos repetidos avisos de altos emissários norte-americanos, de que o movimento golpista não teria apoio dos EEUU. A questão é que, sob  alento de Trump  e com o estímulo de governos de  extrema-direita, pode  ocorrer  um fortalecimento do DNA golpista dos bolsonaristas. Chegarão a cogitar de  nova aventura contra a Democracia? Em tal cenário, eventuais emissários  americanos provavelmente iriam aportar outras orientações …. De minha parte, também tenho receio de que a dinheirama do Musk venha a favorecer  o ressurgimento de entidades como os mal-afamados  “Instituto Brasileiro de Ação Democrática” (IBAD) e Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), como órgãos aglutinadores de golpistas e da extrema direita, em geral. Mas há que confiar, como faço, na força de nossas instituições democráticas, que comprovaram recentemente o seu valor e continuam  a fazê-lo!

No mais,  avança,  com a prisão dos generais  Braga Netto  e Mário Fernandes, o necessário expurgo das FFAA de elementos que não valorizam os valores constitucionais  e democráticos. Espera-se a denúncia do PGR ao STF,  até fevereiro p. v., relativa aos processos sobre a tentativa de golpe de janeiro de 2023,  a “subtração” das jóias e a falsificação de atestado de vacina.  Que toda esta evolução legal tenha continuidade – como até agora -, nos estritos limites da Lei.

Feliz com o rápido restabelecimento  de Lula, seguem meus votos de que os festejos natalinos tenham transcorrido em ambiente de muito Amor  e Felicidade e de que o ano de 2025 seja venturoso para todos nós e de Paz e Prosperidade para a o nossa Pátria! Abraço cordial do

Luiz Philippe da Costa Fernandes

PS – Repetindo aviso já divulgado anteriormente: o Anexo visa proporcionar, em relance, uma visão sobre a variedade de providências que caracterizou uma “reconstrução” bem sucedida, no trimestre. Em caso de maior curiosidade, a íntegra de cada artigo pode ser lida com o uso do Google,  a partir de cada título.

ARTIGOS SELECIONADOS PARA “A RECONSTRUÇÃO DO PAÍS nº 10”
– “Moody’s eleva rating do Brasil e país se aproxima do grau de investimento” – 01/10/2024 
“Com perspectiva positiva, Brasil avança no cenário internacional de crédito, sinalizando resiliência econômica e fiscal.  A agência de classificação de risco Moody’s anunciou a elevação do rating de crédito do Brasil, subindo de Ba2 para Ba1, o que deixa o país a um passo de alcançar o cobiçado grau de investimento. … O anúncio foi amplamente repercutido e celebra melhorias estruturais na economia brasileira, especialmente em termos de robustez fiscal e crescimento sustentável. Segundo a agência, o cenário do país segue com uma perspectiva positiva …[e] o crescimento do Brasil superou expectativas, sendo impulsionado por reformas que têm conferido maior resiliência ao seu perfil de crédito, embora tenha ressaltado que a credibilidade do arcabouço fiscal ainda é moderada.”

– “A pedido de Lula, CGU fará auditoria na Aneel por apagões da Enel em SP” – 15/10/2024
“Objetivo é apurar causas do novo apagão que ocorreu mesmo após a Enel, concessionária de energia em São Paulo, acumular multas na Justiça. “O governo não controla mais a Eletrobras, que poderia atuar nesta calamidade”, disse a presidenta do PT, Gleisi
Hoffmann.”

– “Indústria do Brasil avança 30 posições em ranking global de produção graças ao BNDES e à política industrial de Lula e Alckmin” – 21/10/2024.
“ A indústria de transformação brasileira apresentou um salto significativo no cenário global, alcançando a 40ª
posição no ranking mundial de crescimento da produção, conforme relatório do Instituto de
Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). … O Brasil, que ocupava a 70ª posição em 2023, avançou 30 colocações em um ranking que inclui 116 países, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido). … A indústria de bens duráveis é a principal responsável por esse dinamismo. Além disso, houve fatores como a criação de empregos com melhores salários, o aumento do rendimento real, a acomodação da inflação e programas públicos como o reajuste do salário mínimo e a ampliação do Bolsa Família … . “

“Lula supera Biden e Trudeau no ranking de aprovação global de líderes” – 23/10/2024.
“ O presidente … Lula … ficou na 11ª posição no ranking de aprovação de líderes globais, com 40,8% de aprovação e 52,9% de desaprovação, segundo pesquisa da Morning Consult Pro divulgada nesta quarta-feira (23). … O ranking, que avaliou líderes de 25 países, destacou o primeiro-ministro indiano Narendra Modi como o mais popular … Lula superou líderes como Joe Biden (13º) e Justin Trudeau (20º), e todos os líderes a partir da 9ª posição no ranking tiveram mais desaprovação do que aprovação.”

O que se sabe sobre o ataque de homem-bomba em Brasília” – 14/11/2024.
“Duas explosões foram registradas na noite desta quarta-feira (13/11) nas proximidades … da Câmara dos Deputados e da sede do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília,num atentado suicida cometido por um radical de extrema direita. … [Sua] ex-mulher disse que alvo era o ministro Alexandre de Moraes. Por volta das 19h30, uma explosão destruiu o porta-malas de um carro estacionado no Anexo 4 da Câmara dos Deputados [e] vinte segundos depois, uma segunda explosão foi ouvida … em frente à sede do Supremo. … , o autor das explosões, … o chaveiro Francisco Wanderley Luiz, de 59 anos, se matou após
tentar e não conseguir entrar no STF. … ele jogou explosivos em direção à marquise do edifício e mostrou outros artefatos, antes de se deitar deliberadamente sobre a bomba e detoná-la junto à nuca. … Explosivos também foram encontrados em um trailer nas imediações, e numa casa alugada pelo autor do atentado em Ceilândia…. . [O terrorista] foi candidato em 2020 a vereador pelo PL, …e não se elegeu. … e-mail enviado à instituição diz
que não haverá descanso até que a Corte seja eliminada. O STF é há anos um dos principais alvos de ataques da extrema direita brasileira, que enxerga o tribunal como intrusivo e um obstáculo no caminho do bolsonarismo. ‘O que ocorreu ontem não é um fato isolado do
contexto’, disse Moraes. ‘O contexto … se iniciou lá atrás, quando o famoso gabinete do ódio começou a destilar discurso de ódio contra as instituições; contra o Supremo Tribunal Federal, principalmente; contra a autonomia do Judiciário; contra os ministros do Supremo e as
famílias de cada ministro’. .Para Moraes, a ‘necessária pacificação do país ‘só é possível com a responsabilização de todos os criminosos. Não existe possibilidade de pacificação com anistia a criminosos’, frisou o ministro…”

-“G20 termina com gosto de vitória para Lula. Veja o que foi decidido” – 20/11/2024.
“A Cúpula de Líderes do G20 deste ano foi encerrada na noite de terça-feira (19/11), … na capital fluminense. O evento marcou o fim da presidência rotativa do Brasil e o início do comando da África do Sul. O grande legado da presidência brasileira é a formação da Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, idealizada por Lula … . Mais de 82 países e dezenas de entidades internacionais aderiram. Até a Argentina, liderada por Javier Milei … [assinou]. O projeto fez Lula ser visto com bons olhos, especialmente por unir forças divergentes em prol de uma causa que atinge boa parte do mundo, principalmente nações em desenvolvimento. … o petista seguiu com críticas à Organização das Nações Unidas (ONU), na cobrança por maior inclusão dos países do Sul Global, principalmente da América Latina e África. As prioridades da presidência brasileira no G20 foram frisadas no documento final da reunião … [onde] o bloco expressa consenso em pontos como o combate à fome, a reformulação da governança global e a taxação de super-ricos. Uma reforma na governança global entrou no texto final da cúpula dos líderes do G20, que se comprometeram a trabalhar para que as medidas saiam do papel. Um dos principais focos da alteração seria o Conselho de Segurança da ONU, … Segundo a perspectiva da presidência brasileira, a atual composição do conselho dificulta a representação de países [da] … África e América Latina…. outro avanço durante a presidência brasileira no G20 foi a inclusão, até então inédita, de comunicado sobre taxação de grandes fortunas,  …”

– “Após protagonismo no governo Bolsonaro, ‘kids pretos’; deixam Alto Comando do Exército” – 24/11/2024
“ O Alto Comando do Exército, grupo composto pelos 16 generais quatro estrelas da Força, não tem nenhum ‘kid preto”; pela primeira vez após o grupo de elite assumir protagonismo durante o governo Jair Bolsonaro . … A nova configuração do Alto Comando … mostra um cenário diferente do final de 2022, quando quatro generais
das Forças Especiais estavam em funções estratégicas do Exército. Eram eles os generais … Freire Gomes, Júlio César de Arruda, José Eduardo Pereira e Estevam Theophilo. Cinco generais ouvidos pela reportagem afirmaram, sob reserva, … que a ida massiva desses militares para o governo Bolsonaro – como os generais Luiz Eduardo Ramos e Mario Fernandes – desgastou a imagem interna dos integrantes das Forças Especiais. Ao menos 28 deles assumiram cargos no Executivo de 2019 a 2022.”

Pelo que é conhecido, tais “kids” tiveram, no EB, o papel mais relevante no golpe, incluindo o planejamento para o assassinato de Lula, Alkmin e Alexandre de Moraes. Existem situações que, inexplicavelmente, não foram repercutidas pela Imprensa, mas que, a meu ver, se revestem de grande importância. Refiro-me, em primeiro lugar, à depredação dos prédios dos três Poderes – ocasião em que, acordo vários testemunhos, pessoas com toucas ninja e portando parelhos de comunicação portáteis pareciam orientar a massa. Em segundo lugar, lembro a destruição de várias torres de transmissão, em ação coordenada. Tais ações deveriam ser mais investigadas pois, pelo profissionalismo na execução e exigência de treinamento especial, estão a sugerir participação em algum grau dos “kids”.

– “Governo propõe isentar mais pobres de IR e aumentar alíquota dos mais ricos” – 28/11/2024.
“O ministro da Fazenda anunciou na noite de ontem que o governo vai isentar do pagamento de Imposto de Renda quem ganha até R$ 5.000 por mês, mas garantiu que a medida não terá impacto fiscal porque haverá cobrança maior de impostos para quem recebe mais de R$ 50 mil por mês. Hoje, a isenção vale para quem recebe até R$ 2.824 por mês. … a medida deve custar R$ 45,8 bilhões por ano aos cofres públicos e vai isentar 36 milhões de contribuintes, o que representa 78,2% do total do país. O anúncio sobre a mudança no IR foi feito em meio a um discurso a respeito de um pacote de ajuste no Orçamento que será enviado ao Congresso … Fernando Haddad mencionou a reforma na aposentadoria dos militares e a limitação das emendas parlamentares como algumas das
medidas que serão propostas para diminuir os gastos públicos em R$ 70 bilhões até 2026. O ministro disse que o salário mínimo vai continuar sendo reajustado acima da inflação e que o abono do PIS/Pasep continuará sendo de até dois salários mínimos. Haddad disse ainda que o valor total das emendas parlamentares vai crescer abaixo dos limites das regras fiscais e 50% das emendas das comissões do Congresso passarão a ir obrigatoriamente para a saúde pública. .. .”

– “Trump ameaça países dos Brics com tarifa de 100% caso bloco crie moeda” – 30/11/2024
“O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, se posicionou … contra a criação de uma moeda própria do bloco econômico Brics – medida fortemente defendida
pelo presidente … Lula .. e ameaçou os países que aderirem à moeda ou mesmo negociarem sem usar o dólar com ‘tarifas de 100%’ em trocas comerciais com os EUA.”

Aqui, não se trata exatamente de abordar a “Reconstrução do País”, mas de ilustrar o prenúncio de dificuldades que poderão advir do governo Trump. E há que se adicionar um Musk – investido de enorme autoridade no novo governo republicano – ferido em sua suprema vaidade e orgulho após perder o embate com o nosso STF ... (As últimas do Trump: ele considera “tomar” o Canal de Panamá e a Groenlândia!)

– “Com Lula, pobreza e extrema pobreza atingem menor nível no país desde 2012, diz IBGE” – 04/12/2024
“O Brasil terminou 2023 com os menores níveis de pobreza e de extrema pobreza já registrados pela Síntese de Indicadores Sociais, pesquisa feita pelo … IBGE desde 2012. Apesar do recuo, os dados divulgados nesta quarta-feira (4) mostram que 58,9 milhões de pessoas ainda viviam na pobreza; enquanto 9,5 milhões, na extrema pobreza. … Para traçar as linhas limites, o IBGE utilizou o critério do Banco Mundial de US$ 2,15 por pessoa por dia (ou R$ 209 por mês) para a extrema pobreza e de US$ 6,85 por pessoa por dia (ou R$ 665 por mês) para a pobreza. A proporção da população na extrema pobreza terminou 2023 em 4,4%. O índice era … 5,9% em 2022. Entre os dois últimos anos da pesquisa, 3,1 milhões de pessoas deixaram de ser extremamente pobres … Em relação à pobreza, a proporção da população com o equivalente a menos de US$ 6,85
por dia ficou em 27,4%. O índice era de … 31,6% em 2022. Entre 2022 e 2023, 8,7 milhões de pessoas deixaram de ser pobres. … De acordo com o pesquisador do IBGE
Bruno Mandelli Perez, dois fatores explicam as reduções da pobreza e extrema pobreza: o emprego e os benefícios sociais, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação
Continuada (BPC), que garante um salário mínimo para idosos e pessoas com deficiência…. A pesquisa aponta que o Nordeste tem a maior proporção de pessoas na extrema pobreza (9,1%), sendo mais que o dobro da média nacional (4,4%). Já no Sul, o índice é de 1,7% da população, o mais baixo do país.”

– “Mercosul e União Europeia anunciam assinatura de acordo comercial” – 06/12/2024.
“A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou … a conclusão do acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, … Após anos de negociações, o pacto
estabelecerá uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, abrangendo mais de 700 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de US$22,3 trilhões. … ‘O laço entre a Europa e os países do Mercosul … se ancora na confiança, …’ disse Ursula. Ela completou afirmando que o acordo, além do peso econômico, tem um grande peso político. ‘ … ‘O acordo não é apenas necessidade econômica. É necessidade política’, afirmou. … [e] … em o potencial de fortalecer as relações comerciais e atrair novos investimentos ao Brasil e aos demais países do Mercosul. …. Segundo o governo brasileiro, o texto assinado hoje assegura a preservação de espaço para políticas públicas em compromissos sobre compras governamentais, comércio no setor automotivo e
exportação de minerais críticos…. . Os dois blocos acordaram compromissos em matéria de desenvolvimento sustentável que adotam abordagem colaborativa e equilibrada, reconhecendo que os desafios nessa área são comuns e devem ser enfrentados de forma cooperativa.”

A propósito, destaco as declarações de Alkmin, ao Metropoles: “Se não fosse Lula o presidente do Brasil, dificilmente o acordo teria saído.”

– “O mal-estar democrático, hoje” – Roberto Amaral – 06/12/2024
“ …Miséria do capital – As isenções fiscais, segundo o IPEA, chegam a R$ 300 bilhões; já o assalto das emendas parlamentares, em 2024, somou R$ 52 bi. Nada disso ameaça o “arcabouço fiscal’ exigido pela Faria Lima, é o que nos diz uma certa Instituição Fiscal Independente,
ligada ao Senado Federal, para quem os réus são o Bolsa Família (pagando o “absurdo” de R$ 600 a desvalidos … ) e a vinculação dos pisos da saúde e educação à receita e a política de valorização do salário mínimo. … estados e municípios abdicam, neste 2024, de nada menos que R$ 700 bilhões de receitas decorrentes de gastos, abatimentos ou isenção de impostos (Valor, 22/11/24). O Congresso que aí está considera altos os cortes que incidem contra o interesse privado (não cogita, por exemplo, de taxar as grandes fortunas), mas rejeita a elevação da isenção do IR dos que percebem apenas cinco salários mínimos. … As notícias da economia, se boas para o país, desatam apreensões na Faria Lima e no Banco Central: indicam queda do desemprego, crescimento do PIB … , aumento da arrecadação, que possibilita mais gastos (supostamente investimentos sociais) do governo federal. … Gabriel Galípolo, que já disse ao que veio … critica o crescimento ‘sem base’ e anuncia nova alta da Selic. Ele não diz, nem os ‘jornalões’ esclarecem, o quanto a alta de juros onera a dívida nacional. Esse crescimento, porém, deriva da demanda interna: investimento (aumento de 2,1%) e consumo das famílias (aumento de 1,5%). Trata-se da
boa aspiração das economias capitalistas desenvolvidas; é o que custeia, por exemplo, a solidez econômica dos EUA e da China. … os ‘especialistas’ condenam como pressão inflacionária. Neste caso está o ‘lamentável’ crescimento dos serviços, responsáveis por 70% dos empregos do país”.

– “CNPE estabelece 50% de conteúdo nacional para fortalecer indústria de construção de navios-tanque” – 10/12/2024
” ‘Estamos fortalecendo a indústria naval e dando atenção aos estaleiros nacionais’, disse o ministro de Minas e Energia … . Medida [também] … promove investimentos na ampliação da capacidade logística do setor de petróleo e derivados … . . O Conselho Nacional de Política Energética … aprovou, nesta terça-feira (10), a obrigatoriedade de um índice mínimo de 50% de conteúdo local para a construção de novos navios-tanque destinados à cabotagem de petróleo e derivados no Brasil, … . A medida busca fortalecer a indústria naval nacional, gerar empregos
qualificados, incentivar a transferência de tecnologia e promover investimentos em estaleiros locais, combatendo a ociosidade e estimulando a ampliação da capacidade
logística do setor, diz a nota. ….”

Investimentos estrangeiros no turismo brasileiro crescem 231% em 2024” – 15/12/2024.
“O Brasil tem se destacado como um dos destinos mais atraentes para investimentos estrangeiros no setor de turismo. Nos três primeiros trimestres de 2024 … o País registrou mais de R$ 1,28 bilhão … em receitas internacionais relacionadas ao turismo. Esse valor
representa um aumento impressionante de 231% em relação ao mesmo período de 2023, … Essa evolução significativa já coloca os números de 2024 muito próximos ao total de 2023, quando o Brasil captou R$ 1,55 bilhão … em capital estrangeiro. .. Com um mês de antecedência, o Brasil fechou novembro de 2024 com a entrada de 5,967 milhões de visitantes internacionais, superando os 5,908 milhões recebidos ao longo de todo o ano anterior. Esse número é o maior da série histórica para os primeiros onze meses do ano.
Apenas em novembro, o País registrou 560.732 chegadas de estrangeiros, um aumento de 11,2% em relação ao mesmo mês de 2023.”

E isto apesar dos tiroteios e da ação das gangues que nos assola! ....

– “Dino suspende pagamento de R$ 4,2 bi em emendas parlamentares e determina investigação pela PF” – 23/12/2024
“… .  O ministro Flávio Dino, do … STF, determinou nesta segunda-feira (23) a suspensão do pagamento de R$ 4,2 bilhões em emendas parlamentares. A decisão inclui ainda um pedido para que a Polícia Federal (PF) abra inquérito para apurar irregularidades na liberação desse montante. A medida foi tomada em resposta a um pedido do … PSOL, que alegou problemas na destinação das chamadas ‘emendas de comissão’, … ‘Não é compatível com a ordem constitucional, notadamente com os princípios da Administração Pública e das Finanças Públicas, a continuidade desse ciclo de (i) denúncias, … acerca de obras malfeitas; (ii) desvios de verbas identificados em
auditorias dos Tribunais de Contas e das Controladorias; (iii) malas de dinheiro sendo apreendidas em aviões, cofres, armários ou jogadas por janelas, em face de seguidas operações policiais e do Ministério Público’, escreveu o ministro. …Dino também estipulou que a Câmara dos Deputados publique, em até cinco dias, as atas das reuniões que aprovaram as indicações das emendas. … ainda estabeleceu que os pagamentos das emendas só poderão ocorrer após a análise das atas e se os critérios de transparência e rastreabilidade, determinados pelo STF, forem cumpridos …. [e] também condicionou a autorização das emendas de 2025 ao cumprimento rigoroso dessas exigências.

Cópia das atas e parte das informações solicitadas foram encaminhadas ao STF dia 27, mas Dino concedeu novo prazo para que informações complementares sejam fornecidas.

– “Lula fecha o ano com grande notícia: desemprego cai a 6,1%, o menor da série histórica” – 27/12/2024.
“São 6,8 milhões de pessoas em busca de emprego no país, menor contingente desde o trimestre encerrado em dezembro de 2014.” 

nº 84 – Dois dias de Agosto que passarão à História!

Caros leitores / amigos,

O mês de agosto foi marcado por dois eventos de significado muito importante para o momento político nacional. Não é exagero indicar que foram  acontecimentos  históricos a serem lembrados no futuro.

O primeiro deles consistiu a leitura da “Carta aos Brasileiros e Brasileiras em Defesa da Democracia”, dia 11. Não apresentaremos, aqui, maiores detalhes sobre o evento. Cabe recordar apenas que a Carta foi lida, por professoras da USP e pelo jurista Flávio Bierrenbach, no histórico Pátio das Arcadas, mesmo local onde ocorreu a leitura da  “Carta ao Brasileiros”, quarenta e cinco anos antes, que representou um marco notável da insatisfação reinante com o regime autoritário, então vigente. No dia seguinte à leitura, a “Carta” já atingia o milhão de assinaturas certificadas, isto é, conferidas com os CPFs individuais. Embora não explicitasse, o documento, de caráter não partidário,  na essência consistia em claríssimo recado a favor da Democracia, dos Poderes Constituídos e do processo eleitoral existente (que incorpora a urna eletrônica),. Tudo   aquilo que vinha, aliás ainda continua sendo combatido pelo Bolsonaro. Constituiu severo  golpe político porque, aliado a  outras manifestações que também ocorreram, evidenciou a  posição legalista predominante no País.

 Sobre as manifestações congêneres que também ocorreram, destaca-se, em primeiro lugar, o “Manifesto em Defesa da Democracia e do Estado de Direito”, documento patrocinado pela Fiesp, que reuniu mais de 100 entidades incluindo, entre outras,  a Febraban, universidades (USP, Unicamp, Unesp, PUC) e  centrais sindicais (CUT e Força Sindical).   Tal Carta foi lida pouco antes da “Carta aos Brasileiros …”,  na Faculdade de Direito da  USP.  O valor maior e específico do Manifesto foi evidenciar o distanciamento de Bolsonaro – vez primeira tornado tão evidente – do chamado “Mercado”. Outro  rude golpe!

.É fato que tais  documentos tiveram muito êxito em reforçar  a  mobilização da Sociedade em prol da  democracia e do combate às desinformações acerca das urnas eletrônicas,   como aliás, já fora aventado no Desmonte anterior.

Também ocorreram manifestos   específicos  firmados pela OAB, em nome dos advogados do País e dos médicos.

Bolsonaro preferiu adotar o tom de aparente menosprezo aos documentos. No dia 27 de julho já declarava que  não precisava “de nenhuma cartinha para falar que defendemos nossa democracia, para falar que cumprimos a Constituição”. Divulgada  a Carta, subiu o tom,  classificando seus signatários, de modo direto, de   “caras de pau” e “sem caráter”.

No dia 16, apenas cinco dias após a leitura da  “Carta”, teve lugar o  segundo acontecimento de dimensão histórica –  a posse do Min. Alexandre de Moraes como Presidente do TSE. A cerimônia, de modo singular,  contou com a presença de um número muito elevado de convidados (cerca de dois mil), todos da mais alta representatividade dos três Poderes, contando-se entre eles ex-presidentes da República e, também,  dezenas de embaixadores.. Inicialmente imaginado como simples e insosso ato de uma passagem rotineira – o próprio Bolsonaro acreditou nisso – transformou-se em ato político  de grande significado e simbologia.  O novo presidente do TSE,  ao apresentar-se para a leitura de seu discurso de posse, após aclamado por longo tempo, deu diversos “recados” a Bolsonaro, presente na cerimônia, com uma incisiva defesa da Democracia e das urnas e contra as fake  news “Liberdade de expressão não é liberdade de agressão, não é liberdade de destruição da democracia, das instituições, da dignidade e da honra alheias. Não é liberdade de propagação de discursos de ódio e preconceituosos”, disse. Lembrou, ainda, que “somos a única democracia do mundo que apura e divulga os resultados eleitorais no mesmo dia, com agilidade, segurança, competência e transparência. Isso é motivo de orgulho nacional”. Finalizou com a afirmação de que a “intervenção da justiça eleitoral será mínima, porém será célere, firme e implacável no sentido de coibir práticas abusivas ou divulgações de notícias falsas ou fraudulentas principalmente daquelas escondidas no covarde anonimato das redes sociais.”. Teve que interromper sua fala em algumas ocasiões devido aos aplausos feitos de pé, exceção feita a Bolsonaro que, em nenhum momento, aplaudiu o novo presidente do TSE …

A posição do TSE  “célere, firme e implacável no sentido de coibir práticas abusivas” teve comprovação efetiva, já uma semana após a posse de Moraes, quando, no dia 23, ele autorizou, a pedido da Polícia Federal, duras medidas contra empresários bolsonaristas que defendiam, em grupo de WhatsApp, um golpe de estado. Assim, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra oito empresários, entre eles Luciano Hang, fundador da Havan e próximo ao presidente. Todos os oito também tiveram suas contas bloqueadas, bem como a de suas firmas e rompidos seus os sigilos telefônico e fiscal. A operação foi decretada, a pedido da PF,  no âmbito de vários  inquéritos que tramitam  no Supremo, tendo Moraes como relator, visando apurar o financiamento de atos inconstitucionais, entre outros crimes.

Robusteceu-se ainda mais  a resistência da Sociedade, agora com o decidido respaldo do Poder Judiciário Eleitoral,  em prol dos Poderes Constituídos, dos valores democráticos e do devido processo eleitoral. Com isso, a fantasma de um autogolpe, se não é de todo afastado, pelo menos o torna bem mais improvável (o que não parece impedir a ocorrência eventual de arruaças  provocadas deliberadamente). Cabe lembrar que, no debate ocorrido na TV Globo, dia 22, muito embora incentivado  mais de uma vez pelo Bonner,  para que afirmasse, de  público, que reconheceria o resultado das eleições caso não fosse eleito, Bolsonaro não o fez, condicionando tal reconhecimento à ocorrência de eleições “limpas e transparentes”. Ficou a interrogação, não explorada pelo jornalista: quem assegurará a lisura do processo eleitoral? Ele mesmo, Bolsonaro? As FFAA? Sim, porque  por parte do órgão constitucionalmente responsável por dar tal atestado nunca ocorreu dúvida a respeito!

Com todos os percalços ainda perceptíveis, tudo indica que estamos a pique de assistir a um espetáculo grandioso – a marcha da Democracia – a que já estávamos começando a nos desacostumar por conta das ações fascistas  de Bolsonaro e do tempo a  que o assistimos esbravejando contra ela!

Como sempre, anexamos a este Desmonte um conjunto de notícias julgadas mais relevantes. 

Renova-se o meu reconhecimento a todos os que me honram com sua atenção a estes escritos – cujos números anteriores podem ser encontrados em desmonte.net –, por vezes até contribuindo com valiosas sugestões.

Aceitem o cordial abraço do

Luiz Philippe da Costa Fernandes

ARTIGOS SELECIONADOS PARA O DESMONTE Nº 84        

– “Ministro da Defesa está “passando vergonha” ao lado de Bolsonaro, diz editorial do Estadão”  – 04 AGO.
“Jornal repercute o ofício ‘urgentíssimo’ de Nogueira ao TSE pedindo acesso ao código-fonte das urnas eletrônicas, o que já estava disponível desde outubro de 2021.”

 – “Declarações golpistas de Bolsonaro fazem EUA suspenderem venda de US$ 100 mi em mísseis para o Brasil” – 08 AGO.
Um pedido militar brasileiro para comprar mísseis antitanque Javelin no valor de até US$ 100 milhões está parado em Washington há meses devido a preocupações dos legisladores norte-americanos sobre o presidente de extrema direita Jair Bolsonaro (PL), incluindo seus ataques ao sistema eleitoral do Brasil, segundo fontes dos EUA à Reuters”.

– “Após caos bolsonarista, brasileiros não confiam mais nos militares” – 09 AGO.
“O desastre bolsonarista contaminou a imagem das Forças Armadas no Brasil. É o que aponta pesquisa Ipsos, divulgada … na Folha de S. Paulo. ‘Os brasileiros estão entre os que menos confiam em suas Forças Armadas quando comparados com habitantes de outros países. A … pesquisa do Instituto Ipsos [foi] realizada em 28 países entre maio e junho. De acordo com a sondagem, apenas 30% dos brasileiros acreditam nos militares. … E só não é mais baixo do que os verificados entre os colombianos (29%), os sul-africanos (28%) e os sul-coreanos (25%)”, escreve a colunista [Mônica Bérgamo]. ‘A taxa brasileira ficou 11 pontos percentuais abaixo da média global, de 41%. O sentimento de credibilidade também caiu em relação ao ano passado, quando 35% dos brasileiros diziam confiar nos militares’, acrescenta a jornalista.” 

 E pensar que os militares chegaram a ser os  mais bem avaliados há dez anos! De fato, em 2012, as FFAA lideravam o ranking das instituições em que a população mais confiava, com 73% das respostas, seguida da Igreja Católica (56%) e, Ministério Público. (55%).
Quanto tempo levarão para recuperar-se?

– “Em meio à escalada de violência, Bolsonaro cita Bíblia para insuflar caos no Brasil: “comprem armas”– 10 AGO.
“… Bolsonaro …  voltou a demonstrar desprezo pelo aumento da violência política no Brasil e estimulou a compra de armas por civis, fazendo uso até mesmo de uma citação bíblica para tal. ‘Povo armado jamais será escravizado. Comprem suas armas. … Isso também está na Bíblia, lá no Pedrão. Vendam suas capas e comprem espadas’, disse [Bolsonaro] …  nesta quarta-feira (10), em Brasília.”

 – Desmatamento na Amazônia bate recorde nos primeiros 7 meses do ano” – 12 AGO. “De acordo com dados do Inpe, 5.474 quilômetros quadrados foram desmatados na região de janeiro a julho, um aumento de 7,3% em relação ao mesmo período do ano passado … o que significa que uma área sete vezes o tamanho da cidade de Nova York foi destruída no período. … A área desmatada no mês passado foi quase a mesma da cidade de São Paulo. O desmatamento na floresta amazônica brasileira atingiu um recorde nos primeiros sete meses do ano …  enquanto o país caminha para o pior período da temporada anual de queimadas.”

– “Procuradoria da Fazenda alerta: Bolsonaro e Guedes querem doar a Petrobrás a sócios privados ” – 17 AGO.
“A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional [PGFN]fez um duro alerta, em parecer jurídico obtido pela jornalista Idiana Tomazelli, da Folha de S. Paulo. ‘A assessoria jurídica do Ministério da Economia emitiu um duro alerta ao governo após analisar a proposta de privatização da Petrobras e afirmou que o modelo discutido até agora se assemelha a uma doação aos sócios privados da empresa’, escreve a repórter. ‘A PGFN …  frisou que o avanço da proposta pode deixar o governo exposto a questionamentos jurídicos, inclusive por possível lesão ao erário, dado o desprezo a qualquer possibilidade de ganho financeiro para a União”, prossegue a jornalista. ‘Os planos para a privatização da Petrobras foram anunciados pelo ministro Adolfo Sachsida (Minas e Energia) no dia de sua posse, em 11 de maio

 Note-se que “o duro alerta” foi feito por órgão do próprio Governo. Ainda cabe mencionar que, em recente entrevista ao “Pânico”, dia 26 p. p., Bolsonaro reafirmou seu propósito de privatizar a Petrobras, caso reeleito. É a confissão de verdadeiro crime contra a soberania nacional. 

–  “Dias após a posse  de Moraes no TSE, Bolsonaro volta a atacar sem provas o sistema eleitoral” – 22 AGO. “A seus militantes no cercadinho do Alvorada, o ex-capitão tornou a lançar suspeitas vazias sobre o pleito de 2018,”

– “Aras se reúne com ministro da Defesa e comandantes da Forças Armadas” – 24 AGO.
“O procurador-geral da República, Augusto Aras, se reuniu hoje (24) pela manhã com o ministro da Defesa … . O encontro foi realizado no ministério e durou cerca de uma hora. Também participaram da reunião o comandante da Marinha …  o comandante do Exército  … e o comandante da Aeronáutica … .. Segundo a PGR, na reunião foi discutido o papel das instituições.”

    ??????????  A reunião ocorreu logo após ter vasada a informação de que Aras  manteve ligação telefônica com,  pelo menos,  um dos empresários bolsonaristas  que Moraes mandou  investigar.

– “Proposta dos militares para mudar teste das urnas ameaça o sigilo do voto” – 25 AGO.
“A um mês e meio da realização do primeiro turno das eleições, as Forças Armadas ainda tentam convencer o TSE a mudar a forma como hoje é feito o Teste de Integridade,   uma das principais etapas de auditoria do processo eleitoral, informa … Malu Gaspar em sua coluna no Globo. Segundo a jornalista, integrantes do TSE são frontalmente contrários à proposta, apontando uma série de riscos porque o teste pode ameaçar o sigilo do voto, uma garantia protegida pela Constituição. O teste consiste em uma votação paralela à oficial, feita com cédulas de papel no dia da própria eleição. Geralmente ele é feito na sede de Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), como simulação de uma votação normal … Todo o procedimento é filmado. ,,, os militares insistem em que o Teste …seja feito não mais no ambiente controlado dos TREs, mas em seções eleitorais de verdade, escolhidas aleatoriamente, com o uso da biometria para identificar os eleitores. …  dentro do TSE há forte resistência a modificar o procedimento tão em cima da hora da eleição. Técnicos avaliam que, além dos impactos em termos logísticos e da confusão que pode provocar no eleitorado, ficaria mais difícil proteger o sigilo do voto.” .   

Por que tamanha ênfase do Ministério da  Defesa em mudar  o procedimento? O natural, como integrante de uma Comissão, seria apresentar a sugestão e. simplesmente, acatar as ponderações dos técnicos do TSE a respeito. Não há como defender que os militares tenham a última palavra em assunto que não é de sua competência, pela Constituição! Tal descabida insistência parece  sob medida para criar um ambiente de   tensão política que só atende aos interesses eleitorais do capitão-presidente  Não fica bem o MD (basicamente o EB) submeter-se a tais desígnios!

– “Folha exalta privatizações para defender a venda da Petrobrás”  – 28 SET.

“O jornal Folha de S. Paulo … explicitou sua adesão ao neoliberalismo neste domingo com o editorial “Privatizar é bom” [e] …  sinaliza uma preferência tácita por Jair Bolsonaro … Embora a candidata dos neoliberais seja Simone Tebet, o programa não difere muito do de Bolsonaro.,,,   ‘Este jornal Parte inferior do formulário defende a inclusão da Petrobras no programa de desestatização. Nesse caso, o mais crítico será assegurar a concorrência na produção, no refino e na distribuição de combustíveis, bem como um ambiente de incentivos à progressiva descarbonização”, aponta ainda o texto, em seu trecho mais revelador. A Petrobrás foi criada para exercer o monopólio na produção e no refino, oferecendo energia barata para o desenvolvimento brasileiro. Ao propor a transferência do setor mais estratégico da economia ao capital privado, o que pressupõe a manutenção da atual política de preços, que favorece acionistas em detrimento da sociedade, a Folha contribui para o subdesenvolvimento brasileiro.” 

A  pretendida  privatização da Petrobras vem sendo ignorada  na campanha eleitoral em curso. Constitui, a meu ver, assunto da mais alta relevância, razão pela qual, nesta coletânea, esta é o segunda  matéria que aborda o tema. É muito interesse político (geopolítico) e financeiro   em jogo!. E, no atual “carteado político e geopolítico”,”eles” tem muito boas cartas em mão, em contraposição aos interesses nacionais. A grande mídia também não trata do assunto com a devida atenção, o que chega a ser compreensível ...

  “Bolsonaro e família compraram 51 imóveis, avaliados em R$ 26 milhões, pagando em dinheiro vivo” – 30 AGO.

”… .Desde 1990, o clã Bolsonaro negociou 107 imóveis. Destes, ‘pelo menos 51 foram adquiridos total ou parcialmente com uso de dinheiro vivo, …  [que] totalizaram R$ 13,5 milhões. Em valores corrigidos pelo IPCA, este montante equivale, nos dias atuais, a R$ 25,6 milhões. …”.

Segundo vários analistas/especialistas, trata-se, ao que tudo indica,  de um  caso típico  de  grande lavagem de dinheiro, a  ser devidamente investigado.

nº 83: O princípio do fim?

Caros amigos / leitores,

À medida que se aproximam as eleições, os acontecimentos políticos, por vezes de gravidade,  tendem a suceder-se mais rapidamente. De 45 dias para cá temos bons exemplos de eventos  marcantes. Mencione-se, em primeiro lugar, o lançamento de agrotóxico misturado com urina e fezes,  a partir de drone, sobre os participantes de comício a favor de Lula, em Uberlândia (dia 15 de junho), Sucedeu-se, no dia 7 de julho,  a explosão de uma bomba caseira com fezes  na Cinelândia (RJ), também em comício com a presença do ex-presidente. Finaliza-se esta sucessão de violências com o fato mais grave: o assassinato, por razões políticas, dia 9 de julho. do guarda municipal Marcelo Aloizio de Arruda, durante festa de seus 50 anos, em F oz do Iguaçu (PR). O assassino ingressou no recinto com xingamentos ao PT e gritos de “aqui é Bolsonaro”.

Ainda como acontecimentos mais destacados, cabe indicar o  encontro, no Palácio do Planalto,  de Bolsonaro com os embaixadores (dia 18), a vinda ao País do Secretário de Defesa norte-americano Lloyd Austin (dia 22) e o  lançamento da  candidatura de Bolsonaro à reeleição, no Maracanãzinho (dia 24).

Salienta-se que os atos de violência indicados, entre outros, levaram a Sociedade a um estágio de tensão e temor antes não alcançado (excetuado, talvez, o período anterior ao Sete de Setembro do ano anterior). De fato, às repetidas ameaças, começaram a suceder-se atos concretos, atingindo, em seu grau máximo, o assassinato premeditado de um partidário de Lula, durante festa de aniversário, em sua residência, por bolsonarista fanático. O uso de drone despejando detritos perigosos à saúde em manifestantes que participavam de comício a favor de Lula, em Uberlândia   e a explosão de bomba em outro comício também a favor de tal líder, no  Rio de Janeiro, três semanas após, representavam  um péssimo prognóstico. O que viria a seguir?

O que se sucedeu foi um completo vexame a nível internacional, proporcionado pelo presidente, que julgou de bom alvitre  convidar formalmente  o corpo diplomático para encontro  no Palácio do Planalto, ocasião em que criticou o Poder Judiciário  do País e tentou  convencer os embaixadores presentes (alguns, por motivos ideológicos não foram convidados, como o da Argentina!) que o sistema de urnas eletrônicas  em uso desde  1996, sem merecer qualquer crítica concreta, não merecia confiança.  A iniciativa foi classificada como ato inédito na diplomacia mundial; até então, nunca ocorrera um presidente convidar representantes de países estrangeiros para denegrir o seu próprio país! E, note-se, foi esse mesmo “sistema eleitoral corrupto” usando  urnas eletrônicas que possibilitou a eleição do próprio Bolsonaro  para a Câmara Municipal do Rio, para a Câmara de Deputados e para a presidência da República, bem como as eleições de dois filhos seus para a Câmara e o Senado! O ato ignominioso foi de tal monta que teve repercussão mundial e, em âmbito interno, representou virtual tiro no pé na campanha do “mito”.

Ainda ocorreu o lançamento de Bolsonaro à reeleição, no Maracanãzinho, parcialmente vazio. Com muita pompa e circunstância, o presidente e sua consorte adentraram o estádio de esportes após anunciados por conhecido  animador de rodeios, Sonoplastia caprichada lança ao ar acordes de tensão nos momentos mais “expressivos” do discurso do  candidato à reeleição ou de  suspense quando ocorrem as manifestações a favor de um golpe de estado ou  convites para participação nas cerimônias do próximo Sete de Setembro quando, “pela última vez estaremos todos reunidos”…

Deve-se a Isaac Newton o enunciado da lei da Física segundo a qual a toda ação corresponde uma reação igual e de sentido contrário. E não é que a lei do genial  físico inglês também encontra sua aplicação na  política!?  Mas com um diferencial: ainda não chegamos a ter, por aqui,  a reação completa devida ao conjunto da obra, uma grande série de desmandos, de irregularidades, por vezes até de atos criminosos  cometida pelo primeiro mandatário em seus quatro anos de governo, infelizmente ainda inconclusos…

A sucessão de tais  desatinos e ameaças leva finalmente a  Sociedade brasileira a mobilizar-se. Em rápida sequência, sucedem-se atos de repúdio a Bolsonaro e a sua reeleição. Animam-se as próprias instituições democráticas, sistematicamente atacadas e que, até então, com as notáveis exceções do STF e do TSE, vinham adotando  apenas débeis reações de  repúdio aos atos fascistas e desequilibrados. A chamada “Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito”, redigida  na Faculdade de Direito da USP, alcançou em poucos  dias mais de setecentos e quarenta mil assinaturas, que não cessam de aumentar. A Carta será lida pelo ex-ministro do Supremo Celso de Mello no dia 11 de agosto próximo, quando se  comemora o Dia do Estudante. Outra carta, desta feita sob responsabilidade da Fiesp e que já conta com o registro de mais de 100 entidades empresariais, sindicais, sociais, de meio ambiente e até científica, estará sendo  sendo divulgada, amanhã.. Os signatários englobam mais de metade do PIB nacional.

Parece ser o início do fim de Bolsonaro!

Muito tenho pensado sobre a tal  “inercia” social a que me referi contra os desmandos de Bolsonaro, que vigia até há pouco tempo. A que se deveu ela? Não tenho formação para aventurar-me nesse campo. Mas animo-me a opinar que a  prolongada quarentena forçada pela Covid e as decorrentes mudanças sociais e pessoais profundas deve ter tido influência. Outro fator que deve ter contribuído  foi  o desalento e estado de confusão mental de massa considerável da população que evoluiu, aos poucos, da adesão a Bolsonaro até a completa desilusão com o ex-capitão. Não esquecer que, em termos apenas porcentuais,  enquanto Bolsonaro tinha cerca de 55% do eleitorado à época do segundo turno de 2018, apenas cerca de 29% o seguem na atualidade (Datafolha, 28 JUL),. E, finalmente, não deve ser ignorado o fator “medo” inspirado pelo radicalismo boçalnariano …

‎A propósito da porcentagem de brasileiros que ainda votam em Bolsonaro, o fato também é motivo de muita reflexão que faço: como pessoas que reconheço, de boa formação e inteligentes, inclusive pessoas próximas de minha própria família, malgré tout ainda continuam declarando-se bolsonaristas? ‎

Em suma, acho que a população brasileira ora ultrapassa uma fase em que se encontrava  algo aturdida, algo desorientada e meio amedrontada. 

   Ao final, assinale-se outro fator importante da reação newtoniana: a reiterada e clara posição norte-americana contrária ao pretendido golpe. (A  propósito, consultar o Desmonte nº 81,  onde o assunto já é mencionado). Tal postura ficou ainda mais evidente com a visita ao País do  secretário de Defesa norte-americano, com o nítido propósito (embora não exclusivo) de dar um recado aos nossos militares mais “esquecidos” dos ditames constitucionais. Não sou dos que admitem e chegam a entusiasmar-se  com a (por vezes clara) atuação  dos EEUU em nossa política interna, muito mais em defesa de seus interesses, diga-se,  do que da Democracia. Mas há que reconhecer que, no caso, de modo devido, a indicação americana  foi muito bem-vinda.

Pelas últimas notícias, Bolsonaro estaria atravessando uma fase de desespero emocional, muito preocupado com a possibilidade de sua prisão, caso não seja reeleito, com rompantes que chegam a assustar os  mais próximos. Sua declaração de que, caso a polícia venha bater à sua porta para executar uma ordem de prisão, ele  irá atirar “para matar, mas ninguém [o] leva preso. Prefiro morrer” é significativa. Certos acontecimentos estão a indicar, de fato, uma grande preocupação do presidente com o seu futuro: é o caso da articulação, por deputados bolsonaristas, de uma PEC visando a criação da figura  de senador biônico para os ex-presidentes; é também a intenção de estabelecer entendimentos com o TSE visando algum tipo de salvaguarda para si e seus filhos em troca do compromisso de não mais tumultuar a realização das eleições. A última alternativa chega a ser risível .

..

 Mas, atenção!, ele continua, em paralelo, a golpear as instituições, as urnas e a eleição, sendo a iniciativa mais gritante e recente o deslocamento do próximo desfile de Sete de Setembro para a praia de Copacabana, forma de envolver as FFAA em seus interesses pessoais. E também existem os efeitos eleitorais dos benefícios advindos da “PEC kamikase”, também chamada de “PEC do desespero”, ainda não perfeitamente contabilizados …

Os acontecimentos indicados estão, no seu conjunto, a tornar  menos provável o autogolpe pretendido pelo ex-capitão, embora não o afaste de todo. Mas, a meu ver, continua muito presente a possibilidade de ocorrência de agitações e  arruaças localizadas.

No anexo,  fiz constar apenas algumas notícias julgadas de maior relevo que não tem diretamente a ver com os acontecimentos indicados neste texto, todos recentes e já amplamente divulgados.

Com mais esperança de chegarmos as eleições sem golpe e de que, já no primeiro turno, se possível, o Brasil dê uma clara demonstração de que prefere a Democracia à barbárie, segue o abraço, sempre cordial, do

Luiz Philippe da Costa Fernandes

Anexo: 

ARTIGOS SELECIONADOS PARA O DESMONTE Nº 83 

– “Paulo Guedes retoma entrega de refinarias da Petrobrás para manter o Brasil dependente na área de energia– 28 JUN.
“Enquanto o governo tenta enganar a sociedade com controle de preços, anuncia venda de refinarias que poderiam garantir a soberania energética do Brasil”

– “Controladoria-Geral da União diz que MEC não explica gastos de R$ 18 bi no FNDE”   – 29 JUN.
Estudo publicado na revista científica The Lancet, patrocinado pela Fundação Bill e Melinda Gates, e outras, mostra que ao menos 50 mil brasileiros morreram (e continuam morrendo) na pandemia de COVID-19 como efeito das ações ou omissões do governo Bolsonaro. Ações e omissões essas apontadas na CPI da COVID, que, infelizmente não deu em nada, graças ao PGR Aras.”

General Braga Netto ameaça com cancelamento das eleições se exigências de Bolsonaro não forem atendidas” 01 JUL
O general … Braga Netto (PL), pré-candidato a vice de Jair Bolsonaro … disse em um encontro com empresários da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro que, se não for feita a auditoria dos votos defendida pelo presidente, ‘não tem eleição’.”

– “Legisladores dos EUA pressionam militares brasileiros– 07 JUL.
“Emenda à Lei de Autorização de Defesa Nacional para o ano fiscal de 2023 pede o fim da ajuda militar ao Brasil se suas forças armadas interferirem nas eleições deste ano.”

– “‘Forças Armadas devem estar percebendo o erro que foi apoiar Bolsonaro’, diz Celso Amorim”08 JUL
“O embaixador Celso Amorim …  afirmou, em entrevista … que o governo de Jair Bolsonaro vem causando danos significativos à imagem dos militares. ‘As Forças Armadas devem estar percebendo hoje o erro que foi se engajar com uma figura como Bolsonaro’. diz ele. … Amorim afirmou que hoje faltam condições para um golpe militar no Brasil. ‘Se houver um mínimo de civilismo por parte das nossas elites, não haverá golpe’.”   

Ver tambémDesconfiança sobre as Forças Armadas cresce oito pontos durante o governo Bolsonaro”.

Bolsonaro mandou mensagem cifrada a apoiadores para provocar o caos no Brasil antes das eleições” – 08 JUL.
Em novo ataque às eleições e à democracia, Bolsonaro afirmou a seguidores: ‘você sabe o que está em jogo, sabe como se preparar’, citando até mesmo a invasão ao Capitólio, nos EUA.”

– “Elio Gaspari revela estratégias do bolsonarismo contra eleições” – 10 JUL.
“Em sua coluna  publicada [na] ..Folha … Gaspari afirma que ‘está em circulação mais um expediente … para tumultuar a eleição’. …  ‘provocar um apagão no fornecimento de energia por algumas horas em duas ou três grandes cidades, atingindo-se um significativo número de eleitores’. ‘Melada a eleição, aparece a mesma turma pacificadora, marcando uma nova data’. Segundo o colunista, ‘milícias digitais e mobilizações’ também ‘criariam um clima de instabilidade a partir da Semana da Pátria’. ‘Armado o fuzuê, vozes pretensamente pacificadoras defenderiam o adiamento das eleições, com a votação de uma emenda constitucional. Junto com essa emenda seriam prorrogados todos os mandatos, de congressistas, governadores e, é claro, do presidente da República’, complementa.”

– “Estadão condena interferência militar no processo eleitoral– 13 JUL .
“Em editorial …  o Estado de S. Paulo condena a interferência das Forças Armadas, sob ordens do Ministério da Defesa e de Jair Bolsonaro (PL), no processo eleitoral  …  ‘O que o presidente … vem fazendo com o Ministério da Defesa é de enorme gravidade, a exigir imediata contenção. Além de afrontar as regras eleitorais, está em curso uma explícita subversão da ordem constitucional’, alerta o jornal. O texto destaca que a Constituição subordina as Forças Armadas ao poder civil, ‘no entanto, o presidente Jair Bolsonaro vem fazendo o exato contrário. … ’.Parte inferior do formulário

O periódico pede uma reação por parte dos comandantes das três Forças. ‘Uma vez que o presidente …  e o seu Ministério da Defesa vêm tentando inconstitucionalmente envolver as Forças Armadas em questões eleitorais – ação que constitui crime de responsabilidade … é dever dos três comandantes das Forças Armadas reiterarem seu compromisso com a Constituição, bem como sua distância em relação às tramoias inconstitucionais daquele que, quando esteve no Exército, ameaçava colocar bomba nos quartéis. O perigo agora é imensamente maior’.”

– “Sob o governo Bolsonaro, Brasil chega a 46 milhões de permissões para compra de armas por civis” – 17 JUL .
“Três anos depois do início da flexibilização da posse de armas promovida por Jair Bolsonaro, o Brasil aumentou o potencial de acesso a armamentos por cidadãos comuns, chegando hoje a 46 milhões de permissões de compra concedidas a caçadores e atiradores, informa …reportagem no Globo. … Hoje há no país 605,3 mil pessoas que têm carteirinhas ativas para acesso a armamento, inclusive pesado, e munição. … Parte inferior do formulário

 Isso é mais do que o total do efetivo de PMs em ação no país, que hoje chega a 406,3 mil agentes, ou de militares em serviço, que somam 357 mil pessoas nas Forças Armadas.”

“‘Vergonha internacional’, ‘vexame’: militares reagem aos ataques de Bolsonaro às urnas eletrônicas” – 20 JUL .
” Apesar de o ministro da Defesa estar alinhado a Bolsonaro, militares da ativa e da reserva querem distância dos arroubos golpistas de Bolsonaro. Militares de alta patente ouvidos por Carla Araújo, do UOL, classificaram como ‘vergonha internacional’ e ‘vexame’ a reunião de Jair Bolsonaro (PL) com embaixadores que teve como objetivo principal atacar as urnas eletrônicas e colocar sob suspeita o sistema eleitoral brasileiro. Apesar do alinhamento do ministro da Defesa, general Paulo Sérgio …, ao discurso bolsonarista, as Forças Armadas seguem independentes, garante um general da ativa. Paulo Sérgio, que foi chefe do Exército, ‘mudou de emprego’ ao aceitar ser ministro de Bolsonaro, diz o general. … Parte inferior do formulário

  • Um general da reserva deixou claro: ‘a gente não quer participar deste vexame’.”

– “Bolsonaro entregou as chaves do cofre para o Congresso e parlamentares já controlam um quarto do Orçamento” – 24 JUL .
“Nos últimos dois anos, metade dos investimentos foi decidida pelo Legislativo, sem nenhuma análise de custo-benefício”, diz Helio Tollini consultor de Orçamento da Câmara. … Segundo Tollini, o Legislativo se tornou dono de uma grande parte do Orçamento por meio das emendas parlamentares, que foram engordadas durante o governo … Bolsonaro através das chamadas emendas de relator. Estas emendas, batizadas de orçamento secreto em função da falta de critérios de transparência na destinação de recursos, são utilizadas pelo Planalto para cooptar o apoio de parlamentares no Congresso.” 

. CPI da Covid: PGR pede ao STF o arquivamento de apurações contra Bolsonaro” – 25 JUl.
A Procuradoria-Geral da República recomendou nesta segunda-feira 25 ao Supremo Tribunal Federal o arquivamento de apurações preliminares abertas após a publicação do relatório da CPI da Covid. Parte delas mirava o presidente Jair Bolsonaro, acusado dos crimes de charlatanismo, prevaricação, infração de medida sanitária preventiva, emprego irregular de verba pública e epidemia com resultado de morte. Nas petições enviadas à Corte, assinadas pela vice-procuradora-geral, Lindôra Araújo, há também pedidos de arquivamento de procedimentos que envolvem o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), suspeito de ter pressionado o governo federal pela liberação da vacina Covaxin..”

A PGR desmoraliza-se ainda mais! Ver também Aparelhada por Bolsonaro, PGR foi responsável por apenas 2% das ações contra o Executivo”.

-“Desmatamento em três anos equivale à área do estado do Rio” –  28 JUL.

” O Brasil perdeu 42 mil km² de vegetação nativa de 2019 a 2021. A área é quase a mesma do estado do Rio de Janeiro. O dado, …  está no Relatório Anual de Desmatamento no Brasil, do MapBiomas. A cada segundo, 18 árvores foram derrubadas no país.”

Ver também “Queimadas: Amazônia tem pior junho em 15 anos”

-“‘Bolsonaro ainda pode desistir da candidatura’, diz Fernando Horta” – 29 JUL.

“O quadro  político atual, em que Jair Bolsonaro foi completamente abandonado pela classe dominante brasileira, que aderiu aos manifestos pela democracia e contra o golpismo, pode provocar uma grande mudança, na avaliação do historiador Fernando Horta. ‘Bolsonaro pode desistir da candidatura’.”

“Claudio Fonteles: STF tem que inovar diante da omissão da PGR”  – 31 JUL..
Com sua experiência de mais de 40 anos como professor de Direito e 35 anos de carreira no Ministério Público Federal onde exerceu o cargo de procurador-geral da República … Claudio Fonteles defende que o Supremo Tribunal Federal, em uma inovação, rejeite o pedido de arquivamento da representação [proposto pela subprocuradora Lindôra Araujo] que senadores da CPI da Pandemia apresentaram contra o presidente da República Jair Bolsonaro. … No [seu]entendimento …  o pedido da subprocuradora é …  algo monstruoso, sem a devida fundamentação, o que justificaria essa ‘inovação’ por parte da suprema corte. O caminho por ele apontado … é de que o STF entendendo que o pedido é indevido, encaminhe-o à apreciação do Conselho Superior do Ministério Público Federal para uma análise do comportamento da subprocuradora pelo órgão colegiado…. ‘Diante de um quadro de extrema gravidade, em que você tem fatos (do presidente Jair Bolsonaro) bastantes a caracterizar condutas que põem em cheque a permanência do sistema democrático, não se pode aceitar esse pedido de arquivamento’ .”

Cabe indicar que o STF foi acionado por sete senadores que solicitam uma investigação sobre  Lindôra Araújo, por suposta prevaricação.

– “Órgãos de inteligência investigam possível autoatentado bolsonarista no 7 de setembro para culpar o PT” – 02 AGO.

Segundo a Veja, a suspeita é de que radicais ataquem os próprios bolsonaristas, em uma tentativa de culpar a esquerda e gerar pânico para mudar os rumos da eleição.”

nº 82: O Contraditório …

Caros amigos / leitores,

À medida que se aproximam as eleições, os acontecimentos políticos, por vezes de gravidade,  tendem a suceder-se mais rapidamente. De 45 dias para cá temos bons exemplos de eventos  marcantes. Mencione-se, em primeiro lugar, o lançamento de agrotóxico misturado com urina e fezes,  a partir de drone, sobre os participantes de comício a favor de Lula, em Uberlândia (dia 15 de junho), Sucedeu-se, no dia 7 de julho,  a explosão de uma bomba caseira com fezes  na Cinelândia (RJ), também em comício com a presença do ex-presidente. Finaliza-se esta sucessão de violências com o fato mais grave: o assassinato, por razões políticas, dia 9 de julho. do guarda municipal Marcelo Aloizio de Arruda, durante festa de seus 50 anos, em F oz do Iguaçu (PR). O assassino ingressou no recinto com xingamentos ao PT e gritos de “aqui é Bolsonaro”.

Ainda como acontecimentos mais destacados, cabe indicar o  encontro, no Palácio do Planalto,  de Bolsonaro com os embaixadores (dia 18), a vinda ao País do Secretário de Defesa norte-americano Lloyd Austin (dia 22) e o  lançamento da  candidatura de Bolsonaro à reeleição, no Maracanãzinho (dia 24).

Salienta-se que os atos de violência indicados, entre outros, levaram a Sociedade a um estágio de tensão e temor antes não alcançado (excetuado, talvez, o período anterior ao Sete de Setembro do ano anterior). De fato, às repetidas ameaças, começaram a suceder-se atos concretos, atingindo, em seu grau máximo, o assassinato premeditado de um partidário de Lula, durante festa de aniversário, em sua residência, por bolsonarista fanático. O uso de drone despejando detritos perigosos à saúde em manifestantes que participavam de comício a favor de Lula, em Uberlândia   e a explosão de bomba em outro comício também a favor de tal líder, no  Rio de Janeiro, três semanas após, representavam  um péssimo prognóstico. O que viria a seguir?

O que se sucedeu foi um completo vexame a nível internacional, proporcionado pelo presidente, que julgou de bom alvitre  convidar formalmente  o corpo diplomático para encontro  no Palácio do Planalto, ocasião em que criticou o Poder Judiciário  do País e tentou  convencer os embaixadores presentes (alguns, por motivos ideológicos não foram convidados, como o da Argentina!) que o sistema de urnas eletrônicas  em uso desde  1996, sem merecer qualquer crítica concreta, não merecia confiança.  A iniciativa foi classificada como ato inédito na diplomacia mundial; até então, nunca ocorrera um presidente convidar representantes de países estrangeiros para denegrir o seu próprio país! E, note-se, foi esse mesmo “sistema eleitoral corrupto” usando  urnas eletrônicas que possibilitou a eleição do próprio Bolsonaro  para a Câmara Municipal do Rio, para a Câmara de Deputados e para a presidência da República, bem como as eleições de dois filhos seus para a Câmara e o Senado! O ato ignominioso foi de tal monta que teve repercussão mundial e, em âmbito interno, representou virtual tiro no pé na campanha do “mito”.

Ainda ocorreu o lançamento de Bolsonaro à reeleição, no Maracanãzinho, parcialmente vazio. Com muita pompa e circunstância, o presidente e sua consorte adentraram o estádio de esportes após anunciados por conhecido  animador de rodeios, Sonoplastia caprichada lança ao ar acordes de tensão nos momentos mais “expressivos” do discurso do  candidato à reeleição ou de  suspense quando ocorrem as manifestações a favor de um golpe de estado ou  convites para participação nas cerimônias do próximo Sete de Setembro quando, “pela última vez estaremos todos reunidos”…

Deve-se a Isaac Newton o enunciado da lei da Física segundo a qual a toda ação corresponde uma reação igual e de sentido contrário. E não é que a lei do genial  físico inglês também encontra sua aplicação na  política!?  Mas com um diferencial: ainda não chegamos a ter, por aqui,  a reação completa devida ao conjunto da obra, uma grande série de desmandos, de irregularidades, por vezes até de atos criminosos  cometida pelo primeiro mandatário em seus quatro anos de governo, infelizmente ainda inconclusos…

A sucessão de tais  desatinos e ameaças leva finalmente a  Sociedade brasileira a mobilizar-se. Em rápida sequência, sucedem-se atos de repúdio a Bolsonaro e a sua reeleição. Animam-se as próprias instituições democráticas, sistematicamente atacadas e que, até então, com as notáveis exceções do STF e do TSE, vinham adotando  apenas débeis reações de  repúdio aos atos fascistas e desequilibrados. A chamada “Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito”, redigida  na Faculdade de Direito da USP, alcançou em poucos  dias mais de setecentos e quarenta mil assinaturas, que não cessam de aumentar. A Carta será lida pelo ex-ministro do Supremo Celso de Mello no dia 11 de agosto próximo, quando se  comemora o Dia do Estudante. Outra carta, desta feita sob responsabilidade da Fiesp e que já conta com o registro de mais de 100 entidades empresariais, sindicais, sociais, de meio ambiente e até científica, estará sendo  sendo divulgada, amanhã.. Os signatários englobam mais de metade do PIB nacional.

Parece ser o início do fim de Bolsonaro!

Muito tenho pensado sobre a tal  “inercia” social a que me referi contra os desmandos de Bolsonaro, que vigia até há pouco tempo. A que se deveu ela? Não tenho formação para aventurar-me nesse campo. Mas animo-me a opinar que a  prolongada quarentena forçada pela Covid e as decorrentes mudanças sociais e pessoais profundas deve ter tido influência. Outro fator que deve ter contribuído  foi  o desalento e estado de confusão mental de massa considerável da população que evoluiu, aos poucos, da adesão a Bolsonaro até a completa desilusão com o ex-capitão. Não esquecer que, em termos apenas porcentuais,  enquanto Bolsonaro tinha cerca de 55% do eleitorado à época do segundo turno de 2018, apenas cerca de 29% o seguem na atualidade (Datafolha, 28 JUL),. E, finalmente, não deve ser ignorado o fator “medo” inspirado pelo radicalismo boçalnariano …

‎A propósito da porcentagem de brasileiros que ainda votam em Bolsonaro, o fato também é motivo de muita reflexão que faço: como pessoas que reconheço, de boa formação e inteligentes, inclusive pessoas próximas de minha própria família, malgré tout ainda continuam declarando-se bolsonaristas? ‎

Em suma, acho que a população brasileira ora ultrapassa uma fase em que se encontrava  algo aturdida, algo desorientada e meio amedrontada. 

   

Ao final, assinale-se outro fator importante da reação newtoniana: a reiterada e clara posição norte-americana contrária ao pretendido golpe. (A  propósito, consultar o Desmonte nº 81,  onde o assunto já é mencionado). Tal postura ficou ainda mais evidente com a visita ao País do  secretário de Defesa norte-americano, com o nítido propósito (embora não exclusivo) de dar um recado aos nossos militares mais “esquecidos” dos ditames constitucionais. Não sou dos que admitem e chegam a entusiasmar-se  com a (por vezes clara) atuação  dos EEUU em nossa política interna, muito mais em defesa de seus interesses, diga-se,  do que da Democracia. Mas há que reconhecer que, no caso, de modo devido, a indicação americana  foi muito bem-vinda.

Pelas últimas notícias, Bolsonaro estaria atravessando uma fase de desespero emocional, muito preocupado com a possibilidade de sua prisão, caso não seja reeleito, com rompantes que chegam a assustar os  mais próximos. Sua declaração de que, caso a polícia venha bater à sua porta para executar uma ordem de prisão, ele  irá atirar “para matar, mas ninguém [o] leva preso. Prefiro morrer” é significativa. Certos acontecimentos estão a indicar, de fato, uma grande preocupação do presidente com o seu futuro: é o caso da articulação, por deputados bolsonaristas, de uma PEC visando a criação da figura  de senador biônico para os ex-presidentes; é também a intenção de estabelecer entendimentos com o TSE visando algum tipo de salvaguarda para si e seus filhos em troca do compromisso de não mais tumultuar a realização das eleições. A última alternativa chega a ser risível .

..

 Mas, atenção!, ele continua, em paralelo, a golpear as instituições, as urnas e a eleição, sendo a iniciativa mais gritante e recente o deslocamento do próximo desfile de Sete de Setembro para a praia de Copacabana, forma de envolver as FFAA em seus interesses pessoais. E também existem os efeitos eleitorais dos benefícios advindos da “PEC kamikase”, também chamada de “PEC do desespero”, ainda não perfeitamente contabilizados …

Os acontecimentos indicados estão, no seu conjunto, a tornar  menos provável o autogolpe pretendido pelo ex-capitão, embora não o afaste de todo. Mas, a meu ver, continua muito presente a possibilidade de ocorrência de agitações e  arruaças localizadas.

No anexo,  fiz constar apenas algumas notícias julgadas de maior relevo que não tem diretamente a ver com os acontecimentos indicados neste texto, todos recentes e já amplamente divulgados.

Com mais esperança de chegarmos as eleições sem golpe e de que, já no primeiro turno, se possível, o Brasil dê uma clara demonstração de que prefere a Democracia à barbárie, segue o abraço, sempre cordial, do

Luiz Philippe da Costa Fernandes

nº 81: A influência norte-americana nas próximas eleições

Prezados amigos / leitores,

No Desmonte anterior, mencionei a influência externa como um dos fatores a considerar ante a possibilidade do auto-golpe enunciado pelo presidente, quase todos os dias. Não me parece que uma oposição política externa venha a ser elemento decisivo a impedir um golpe no Brasil mas, certamente, ela pode envolver um tal grau de problemas que assuma peso muito ponderável à continuidade de um período ditatorial. Em suma, dar um golpe pode ser mais “fácil” do que manter sua continuidade. Imagine-se um isolamento político e a imposição de barreiras aos nossos produtos de exportação (e reciprocamente aumento de dificuldades para importar o que necessitamos). O desgaste político e o aumento explosivo da crise econômica seriam fatores impeditivos à continuidade de um governo de exceção. Duraria só algum tempo para, por sua vez, cair.

Sob tal enfoque é relevante a posição assumida pelos EEUU, de apoio ao nosso regime democrático e de condenação às ameaças de Bolsonaro, a respeito. Em prazo relativamente curto, sucederam-se gestões, no País, iniciadas em julho de 2021, a favor de eleições presidenciais limpas. por parte do diretor da CIA e, mês seguinte, pelo Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan. Tais démarches vasaram muito convenientemente pela agência de notícias Reuters (Anexo, notícia nº 5). Em maio do ano em curso, sucederam-se declarações do porta-voz do Departamento de Estado americano no mesmo sentido (Anexo, nºs 4 e 6). Ainda mais recentemente, a embaixadora nomeada para o Brasil, em sabatina no Congresso americano, fez declarações muito claras “a favor de eleições livres e justas” (Anexo, nº 7). Aliás, como é sabido, registra-se a existência de alguma animosidade (compreensível) do governo Biden em relação a Bolsonaro, devido ao seu engajamento direto a favor de Trump (com a participação pessoal de um de seus filhos) e a demora a enviar cumprimentos de praxe a Biden, após sua posse).

Seria uma tese muito ousada afirmar-se que a preocupação dos EEUU com a lisura das próximas eleições deva-se a um apreço especial aos valores democráticos do continente. Afinal, após tantos exemplos da política do bick stick na América Latina, existem ponderáveis razões para se imaginar o contrário. A respeito, louve-se a franqueza do historiador americano James Green que mencionou que “a história norte-americana no Brasil e na América Latina” é “horrível”, o que justifica “a esquerda ter razão de não acreditar nos EUA” (Anexo, nº 6). O que estaria movendo, então, os americanos? Algumas suposições parecem fazer sentido: dever-se-ia à preocupação de que Bolsonaro reeleito viesse a apoiar frontalmente Trump nas próximas eleições americanas; ou visaria obstar o engajamento de Putin a favor de Bolsonaro. A segunda alternativa não é tão fantasiosa como possa parecer. Existem fortes indícios de que tal influência, favorável a Trump, ocorreu nas últimas eleições americanas. Ainda mais, há aquela estranha viagem a Moscou, quando Bolsonaro se fez acompanhar do filho Carlos, simples vereador do Rio, mas muito influente no cibernético gabinete do ódio, e do gen. Heleno … Em Desmonte anterior já especulei sobre a possibilidade de que o apoio público e extemporâneo de Bolsonaro a Putin, ainda em Moscou, tenha ido antecedido por algum tipo de acordo relativo às nossas eleições. Ainda outro tipo de motivação americana – essa sempre presente – seria o prejuízo que um golpe causaria aos interesses estadunidenses em nosso País.

Como indicado por um e outro analista, a simpatia de Bidem recairia em representante da chamada Terceira Via, Mas até agora Tebet está longe de apresentar um nível mínimo de musculatura eleitoral. A meu ver, Moro seria o candidato ideal para os EEUU. E as razões são óbvias: são bem conhecidos os seus estreitos vínculos com o FBI e o Departamento de Estado americano, estabelecidos no decorrer da famosa (e ora desacreditada) Operação Lava Jato … A última possibilidade ainda persiste, pois já foi aventado que a atual candidatura de Luciano Bivar seja “para constar”, estando prevista sua desistência em algum momento futuro, exatamente a favor de Moro.

Mas existe um ponto muito dissonante em toda esta história que me arrisco a apresentar: não consigo entender porque foi exatamente após o convite dos americanos para o gen. Paulo Sérgio de Oliveira, ainda comandante do EB, em março deste ano, manter encontros nos EEUU, que ele passou (já na pasta da Defesa, assumida no mês seguinte), a adotar posições muito mais diretas e ostensivas contra as instituições nacionais, abraçando, com muito fervor, a “causa bolsonarista”. Tal fato destoa do conjunto.

A rigor, um golpe no País ainda teria a oposição frontal de países importantes que assumiram posições distantes do Brasil após grosserias de Bolsonaro. É o caso, por exemplo, da França (a esposa de Macron seria muito feia …) e da Argentina (demora nos cumprimentos após o resultado das urnas; ausência na posse).

De toda sorte, já é bom saber que não teremos nenhuma frota da U.S. Navy rumando para apoiar Bolsonaro …

Incluí, ao final do Anexo, algumas notícias sobre “fatos geradores de futuro”.

Deixo o abraço sempre cordial a todos os que me prestigiam com sua atenção aos nossos Desmontes.

Luiz Philippe da Costa Fernandes

Anexos sobre: A influência norte-americana nas próximas eleições

1 – “Só haverá golpe no Brasil com anuência da Casa Branca, diz Carlos Latuff” – 29 ABR.
“… Latuff …alertou que um novo golpe no Brasil, tocado por Jair Bolsonaro … só acontecerá com a anuência da gestão estadunidense.” (Tal notícia, menos resumida, já constou no Desmonte anterior),

2 – “Altman: tendência dos Estados Unidos na eleição brasileira é de relativa neutralidade” – 29 ABR.
“ O jornalista Breno Altman, … afirmou que a tendência é que os Estados Unidos adotem uma posição de neutralidade em relação à eleição brasileira … Os Estados Unidos … ‘gostariam muito que houvesse uma candidatura de terceira via competitiva no Brasil’, cenário … cada vez mais improvável … … apesar da neutralidade, o pior cenário para os Estados Unidos seria a volta de Lula ao poder. ‘O Lula é visto … como um adversário, quando não como um inimigo [e] como um deslocamento do Brasil em favor de uma aliança com a Rússia e a China. A eleição do Lula é um fator de grande preocupação para a burguesia norte-americana … . É mais plausível que a Casa Branca apoie o Bolsonaro, ainda que por baixo dos panos, do que o Lula’.”

Mas é fato que existe certa aproximação de Bolsonaro com Putin. Na linha de apoio dos EEUU à terceira via, um apoio à Tebet não parece viável no atual quadro eleitoral, A meu ver, o candidato ideal para Washington seria o Moro, por suas antigas e bem conhecidas ligações com o Departamento de Estado e o FBI ...

3 – “Governo Biden recebe dossiê com alerta de ‘versão mais extrema do Capitólio’ no Brasil e cita ataques de Bolsonaro” – 29 ABR.
“Integrantes do alto escalão do governo … Biden e do Congresso dos Estados Unidos receberam … um dossiê em que acadêmicos e instituições [do] … Brasil e …EUA pediram aos norte-americanos vigilância permanente sobre o pleito de 2022. De acordo com o documento… Bolsonaro … ‘está criando condições para um ambiente eleitoral muito instável e, se perder, o mundo deve lembrar o ataque de 6 de janeiro de 2021 ao Capitólio dos EUA e estar preparado para testemunhar uma versão provavelmente mais extrema disso no Brasil’. ‘Seus constantes ataques (de Bolsonaro) às eleições devem levar governos internacionais a apoiar a democracia brasileira’. … ‘Bolsonaro não está preocupado com a integridade das eleições, e está tentando encontrar qualquer motivo para contestar os resultados – mesmo antes que a eleição ocorra’ … ‘Bolsonaro já disse que pode não aceitar os resultados da eleição de 2022, … criando um terreno fértil para … atos extremistas’, informou o documento.”

4 – “‘O Brasil tem um forte histórico de eleições livres, justas e transparentes’, diz porta-voz dos EUA” – 05 MAI.
“… O porta-voz do Departamento de Estado … dos Estados Unidos, Ned Price, se manifestou … sobre a reportagem da agência Reuters que informa que um diretor da CIA teria dito a integrantes do governo de Jair Bolsonaro … que o ex-capitão deveria parar de atacar o sistema eleitoral brasileiro. Em entrevista coletiva, Price afirmou que não comentaria mensagens eventualmente transmitidas pelo diretor da CIA … mas afirmou que o Brasil ‘é uma democracia forte’ e que ‘têm um compromisso com a garantia de que a democracia chegue a todas as pessoas’. … ‘É importante que os brasileiros tenham confiança em seu sistema eleitoral. O Brasil, mais uma vez, está na posição de demonstrar ao mundo, via eleições, a resistência de sua democracia’.”

 Amem!

5 – “CIA disse para Bolsonaro não minar eleições, segundo agência” – 5 MAI.
“O diretor da … CIA [William Burns] disse no ano passado a ministros do governo brasileiro que o presidente Jair Bolsonaro deveria parar de lançar dúvidas sobre o sistema de votação do país, relataram fontes à agência de notícias Reuters. … O teor de seus comentários em Brasília foi reforçado no mês seguinte à sua viagem, quando o Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, reuniu-se com Bolsonaro e levantou preocupações semelhantes sobre minar a confiança nas eleições. Entretanto, a mensagem da delegação de Burns foi mais forte do que a de Sullivan, disse a fonte sediada em Washington.”

6 – “’Departamento de Estado dos EUA está deixando claro: não quer golpe no Brasil’, diz James Green” – 05 MAI.
“O historiador disse … que, apesar da história norte-americana no Brasil e na América Latina ser ‘horrível’ e a esquerda ter razão de não acreditar nos EUA, ‘o mundo é complexo’, tem ‘contradições’. Segundo ele, … o presidente Joe Biden pode apoiar o ex-presidente Lula … os EUA não querem um golpe por uma ‘situação pragmática’. ‘Eu acho que o Departamento de Estado está deixando claro que não quer um golpe no Brasil. Eles [autoridades norte-americanas] estão enfrentando ameaça ainda de golpe nos Estados Unidos’, afirmou, referindo-se aos ataques do ex-presidente Donald Trump, aliado de Bolsonaro, às eleições norte-americanas.”

7 – “Eleições no Brasil serão livres e justas apesar de falas de Bolsonaro, diz indicada para embaixada dos EUA – 18 MAI.
“A expectativa é que o Brasil tenha eleições livres e justas em outubro apesar das falas do presidente Jair Bolsonaro, afirmou nesta quarta-feira Elizabeth Frawley Bagley, indicada pelo governo … Biden para ser embaixadora dos Estados Unidos no país, em sabatina no Senado norte-americano, destacando a ‘base institucional’ brasileira. A diplomata … afirmou estar ciente de que não será fácil o pleito no Brasil, mas defendeu o bom funcionamento das instituições democráticas do país. [Os brasileiros] … ‘têm todas as instituições democráticas de que precisam para ter uma eleição livre e justa’, disse. ‘Sei que não será um momento fácil por causa de muitos dos comentários dele (Bolsonaro). [Mas] há uma verdadeira base institucional, e penso que … vamos continuar …[a] mostrar a nossa confiança e a nossa expectativa de que terão eleições livres e justas. Estamos fazendo isso em todos os níveis’, acrescentou. A relação de Biden com Bolsonaro … tem sido distante … .”

8 – “‘Biden tem conflitos estruturais com Lula, mas não confia no Bolsonaro’, diz Altman” – 20 MAI.
“ O jornalista …. avaliou que a Casa Branca não possui alternativas confiáveis para as eleições brasileiras e que a diplomacia americana não irá escolher um candidato para apoiar, como no passado. Segundo ele, a operação [de] Biden no Brasil se limitará à pressão sobre qualquer candidato que vencer as eleições, seja ele Lula ou Jair Bolsonaro. … ‘Em relação ao Brasil, o governo Biden não tem uma carta eleitoral forte … Evidentemente, ele tem conflitos estruturais com o Lula e não confia no Bolsonaro’, disse. … ‘Não é uma estratégia de intervenção no processo eleitoral, é uma estratégia de tentar manter qualquer dos dois governos sobre controle e pressão após as eleições’, disse,”

Algumas notícias sobre “fatos geradores de futuro”*

*a expressão “fato gerador de futuro” é aqui empregada na acepção de que se trata de matéria que poderá ter desdobramentos importantes e significativos

– “MP pede ao TCU investigação de irregularidades em contrato entre Exército e israelense CySource” – 10 MAI.
“O subprocurador-geral do … MPF … enviou ofício ao Tribunal de Contas da União …para apurar possíveis irregularidades no acordo de cooperação entre o Exército e a empresa israelense de cibersegurança CySource. .. o acordo tem indícios de desvio de finalidade que podem colocar em risco as eleições. No documento, argumenta que o general Héber … comandante de Defesa Cibernética do EB … já tinha sido nomeado para integrar a Comissão de Transparência das Eleições (CTE) quando assinou o contrato com a empresa israelense”.
– “Novo ministro de Minas e Energia defende que Brasil se afaste de Rússia e China e se aproxime de ‘democracias amigas’” – 12 MAI.
“Adolfo Sachsida também quer promover mudanças na legislação para acelerar a privatização da Petrobrás e da Eletrobrás, ….”

Coerentemente com as suas péssimas intenções em relação à Petrobras (e à Eletrobras), por solicitação de Sachsida, Bolsonaro assinou, no último dia 27, um decreto que inclui a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) na lista de estudos para uma possível privatização. A estatal é responsável por gerenciar os contratos da União para exploração do petróleo localizado na camada pré-sal.

– “Acordo entre Bolsonaro e Musk é crime de lesa-pátria, diz Janio de Freitas” – 22 MAI.
“ … ‘Musk veio ao Brasil para receber, sob as aparências de um acaso feliz, o que levou para os Estados Unidos. É notória a caça de metais preciosos e outros para inovações nas indústrias americanas de carros elétricos e de exploração espacial privada, por foguetes, satélites e telecomunicações. Três entradas no futuro, nas quais Musk é a figura proeminente no mundo’, acrescenta. ‘Como se tudo fossem entendimentos ali mesmo descobertos e consumados, em algumas dezenas de minutos, Bolsonaro comunicou ao país acordos de boca pelos quais ficam contratadas empresas de Musk para monitoramento da Amazônia por satélite; para telecomunicações lá e em outras regiões, e a ele concedido o uso explorativo das informações detidas por órgãos brasileiros sobre o território amazônico, natureza, solo e subsolo’, pontua ainda Janio de Freitas. ‘Acordo de boca para empresas de Musk devassarem, por satélite e por meios terrenos, o maior patrimônio natural do território, sobretudo a sua riqueza mineral, de importância decisiva para o amanhã do país. Acordo de boca, de pessoa a pessoa, sem interveniência de qualquer das instituições oficiais ao menos como consulta’, afirma o jornalista. ‘Tal acordo é ato de lesa-pátria. Implica violação de exigências constitucionais, contraria os interesses nacionais permanentes … e configura violação da soberania sobre parte do território…’alerta.” , A propósito, ver também “Vinda de Elon Musk ao Brasil esconde risco de manipulação nas eleições de outubro, diz Cristina Serra.”

“Projeto de militares prevê manter poder até 2035 e fim da gratuidade no SUS” – 23 MAI.
“Os Institutos Villas Bôas, Sagres e Federalista apresentaram, no dia 19 de maio, o ‘Projeto de Nação, O Brasil em 2035’, de 93 páginas, em evento que teve a presença do vice-presidente Hamilton Mourão. A proposta traçou um cenário no qual foi projetado o domínio do bolsonarismo no Brasil até 2035. … A proposta foi coordenada pelo general Luiz Eduardo Rocha Paiva, ex-presidente do grupo Terrorismo Nunca Mais (Ternuma), a ONG do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, responsáveis por vários crimes de tortura … . O projeto afirmou que o Brasil está ameaçado pelo ‘globalismo’. ‘O chamado globalismo, movimento internacionalista cujo objetivo é determinar, dirigir e controlar as relações entre as nações e entre os próprios cidadãos, por meio de posições, atitudes, intervenções e imposições de caráter autoritário, porém disfarçados como socialmente corretos e necessários’, afirmou o documento. …. Os militares também pretendem acabar com a Saúde gratuita e universal num eventual segundo mandato de Bolsonaro. A proposta prevê que a classe média deve pagar mensalidades nas universidades públicas e pelo atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS). A cobrança deve começar em 2025. ‘Além disso, a partir de 2025, o Poder Público passa a cobrar indenizações pelos serviços prestados, exclusivamente das pessoas cuja renda familiar fosse maior do que três salários mínimos’. Na Educação, os militares querem limitar o debate acadêmico e a liberdade de cátedra, garantidos pela Constituição. O projeto traça o seguinte cenário para 2035: ‘Os currículos foram desideologizados e hoje são constituídos por avançados conteúdos teóricos e práticos, inclusive no campo social, reforçando valores morais, éticos e cívicos e contribuindo para o progressivo surgimento de lideranças positivas e transformadoras’. Para os generais, as salas de aula estão dominadas por esquerdistas. ‘Há tempos uma parcela de nossas crianças e adolescentes sofria com a ideologização do sistema educacional, com a doutrinação facciosa efetuada por professores militantes de correntes ideológicas utópicas e radicais, com prejuízo da qualidade do ensino’. O documento apontou, ainda, que, ‘no ensino universitário, inclusive no Superior Tecnológico, os debates políticos e ideológicos se tornaram equilibrados, com abertura para diferentes correntes de pensamento’.”
– “Governo do Rio de Janeiro vai distribuir 10 mil pistolas a policiais militares da reserva” – 3 JUN.
“O governo do Rio de Janeiro publicou no Diário Oficial … uma resolução que permitirá que todos os policiais militares da reserva no Estado retiram uma pistola, três carregadores e pelo menos 50 munições no batalhão da PM mais próximo de suas casas. A desculpa para medida, que despejará um verdadeiro arsenal no território fluminense, é que ‘PMs da reserva não deixam de ser policiais só porque se aposentaram’. Como o Estado tem pouco mais de 10 mil servidores militares nessas condições, serão em torno de 10 mil pistolas, 30 mil carregadores e 50 mil balas dadas gratuitamente pelo Estado para esses agentes que já não trabalham mais. Ainda que o governador Cláudio Castro cite pretextos burocráticos para tomar essa decisão, está claro que sua intenção é reforçar os laços políticos com o presidente Jair Bolsonaro e agradar a tropa, fornecendo gratuitamente as armas a agente que já têm o direito de comprá-las e portá-las livremente. … . O custo do arsenal que precisará ser comprado após a publicação da nova resolução não foi divulgado pelo governo do RJ….” .

No cenário atual, cabe dar a devida importância à (inoportuna) providência, pois permite imaginar-se que o Rio vá se constituir uma das possíveis pontas de lança de eventuais badernas que Bolsonaro vier a patrocinar, contando também com as milícias, caso configurada sua derrota nas eleições e sua falta de cacife político e militar para tentar o auto-golpe.

– “Bolsonaro convocou caos armado para tumultuar as eleições” – 4 JUN.
“O presidente Jair Bolsonaro convocou seus apoiadores para uma “guerra” em defesa do que chama de liberdade e para evitar que o Brasil siga o caminho de países que elegeram presidentes de esquerda, como Argentina, Venezuela e Chile. .. ‘Surgiu [no Brasil] uma nova classe de ladrão, que são aqueles que querem roubar nossa liberdade’ disse …[em]discurso em Umuarama (PR). ‘Se precisar iremos à guerra, mas quero o povo ao meu lado consciente do que está fazendo e porque está lutando’… ‘Temos que nos informar e nos preparar. Não podemos deixar que o Brasil siga o caminho de outros países da América do Sul’ afirmou.”

nº 80: Afinal, vai ter golpe ou não?

  If you have to forecast, do it often …

Caros leitores / amigos,

Vai ter golpe ou não? Não se fala de outra coisa no País. A pergunta ora atormenta a população e aumenta a sua aflição com o já atribulado dia a dia. Naturalmente, uma resposta definitiva é inviável. Muitas são as variáveis a considerar. A situação econômica tem muito peso, mas há que  avaliar-se,   também, a situação militar e  política  e até  influências externas. Entramos, portanto, no campo das especulações.

Verdade que tal preocupação tem  motivação bastante sólida. Uma primeira tentativa de golpe já ocorreu anteriormente, no dia sete de setembro de 2021. E,  de forma ou de outra, Bolsonaro deixa muito claro que a permanência no poder é seu obsessivo desejo, não excluindo (até privilegiando?) um golpe contra as instituições como forma  de atingir seu propósito. Lembremo-nos da primeira iniciativa golpista de vulto ocorrida poucos meses após sua posse!

O Desmonte anterior foi dedicado a uma das teses básicas de Bolsonaro usadas como justificativa para o rompimento com a Democracia: a “falta de confiança” nas urnas eletrônicas (as mesmas que vem lhe proporcionando  e à sua prole numérica 01, 02 e 03 –, mandatos ao longo de quase três décadas e meia (primeira eleição de Bolsonaro como vereador. em 1988).

Em terreno instável, parece conveniente verificar a posição de alguns formadores de opinião e periódicos, o que pode ocorrer com a leitura do Anexo. A tônica é a de que as eleições não decorrerão sem algum tipo de agitação, a tentativa de golpe no limite. O que vai estabelecer  tal gradação e o eventual timing de um agravo à Constituição?  Como mencionado, exatamente o grau de apoio militar e político que vigir na ocasião desejada, com ênfase às agruras econômicas que a população estiver enfrentando. Sem esquecer o desenho eleitoral (pela última pesquisa Datafolha, dia 26 p. p., ora favorável a uma vitória de Lula no primeiro turno por 54% x 30% de votos válidos!) e o ambiente externo.

Abaixo, dou maior desenvolvimento à notícia reproduzida do Intercept (Anexo, nº 10), por ser a que traduz, com maior aproximação, o meu próprio pensamento a respeito:

Bolsonaro pode até tentar, mas dificilmente conseguirá ser bem-sucedido num golpe caso perca – ou perceba que vai perder – as eleições de outubro. … falta a Bolsonaro o … apoio simultâneo dos detentores do dinheiro – banqueiros e empresários dos Estados Unidos e, principalmente, a unidade das Forças Armadas em torno do projeto golpista.” As recentes declarações do Comandante da Força Aérea (Anexo, nº 13) são significativas a respeito da falta de um pensamento militar único);

– deve existir “uma ala das Forças Armadas constrangida com a situação na qual foram colocadas por Bolsonaro. …  boa parte das Forças Armadas sonha com a volta da época na qual só eram vistas em situações positivas, como as missões de paz no Haiti e no Líbano”;

– “mais do que dar um golpe para Bolsonaro, os militares desejam tutelar o processo eleitoral e todo o sistema democrático brasileiro.!” (Anexo, nº 12);

  •  “a sanha golpista do presidente tem três objetivos: criar uma cortina de fumaça para impedir o debate sobre problemas reais como a inflação e o desemprego, manter sua tropa unida tanto para a disputa eleitoral quanto para um eventual futuro político de oposição a Lula e amedrontar e reduzir a intensidade da campanha petista. … se perder a eleição, Bolsonaro não irá passar a faixa a Lula, vai sabotar o processo de transição governamental, ... “. Acrescento mais um quarto objetivo: livrar-se da cadeia, simples assim …; e
  •  não se descarta “a possibilidade de episódios de violência, badernas e arruaças, espontâneas ou não, que possam levar à necessidade de intervenção armada.” Tal necessidade é preocupante pois, seja por força de uma GLO (art. 142 da Constituição) ou pela invocação (incorreta) de um “poder moderador” dos militares que inexiste, com a tropa na rua haverá sempre a possibilidade dela lá continuar por mais tempo  …

Aos amigos,  pela paciência com que acompanham tais Desmontes, o abraço agradecido e cordial do

Luiz Philippe da Costa Fernandes

ARTIGOS SELECIONADOS PARA O DESMONTE Nº 80

Anexo: Afinal, vamos ter golpe ou não?

1“Só haverá golpe no Brasil com anuência da Casa Branca, diz Carlos Latuff” – 29 ABR.
“ ,,, a mão amiga dos EUA sempre esteve presente nos principais acontecimentos políticos da América Latina.”

 2-“O golpe está aí, só não vê quem não quer: assunto bomba nas redes após Bolsonaro ameaçar mais uma vez as eleições  06 MAI. 
Após Bolsonaro (PL)  atacar mais uma vez o sistema eleitoral brasileiro … internautas reagiram e afirmaram que um golpe de estado se aproxima”. Hildegard Angel postou, a respeito: ‘O golpe de Estado se arma. O pretexto, ele já tem: as urnas eletrônicas. O inimigo interno também já tem: o Supremo e o TSE. As armas também tem. As civis e as militares. Bolsonaro é um incendiário, que vai às últimas consequências para deter o poder sem prazo para terminar’.”.

3 – “Militares querem impedir a posse de Lula e não é mais possível fingir normalidade, diz Reinaldo Azevedo” 06 MAI.
  Colunista afirma que ‘novo golpe de estado está sendo claramente tramado.’ … ‘Chega de fingir normalidade!’,”

4 -“‘Bolsonaro não vai aceitar o resultado das eleições e a realidade é que o Brasil tem tradição golpista’, diz Eduardo Guimarães” – 06 MAI. 
Jair Bolsonaro se encurralou, podendo ser preso após sair da presidência, mas …  isto o torna mais perigoso…..  ‘Bolsonaro não vai aceitar de maneira nenhuma o resultado das eleições se Lula for o ganhador. É perigoso esperar acontecer para depois correr atrás. O Brasil tem uma tradição golpista …  O Bolsonaro não tem opção, porque, fora do poder, não fica seis meses fora da cadeia’, disse.” 

5 -“Bolsonaro vai tentar mais uma vez dar um golpe se for derrotado em outubro, diz colunista do Globo” – 08 MAI. 
‘Bolsonaro vai tentar mais uma vez dar um golpe se for derrotado em outubro. Para isso, …  é que ele vem alimentando os militares com cargos e salários públicos. E estes têm seguidamente demonstrado boa vontade com o capitão. Viu-se isso no episódio do TSE, na questão da tortura com conhecimento do STM, na ultrajante comemoração do 31 de março e nos sucessivos solavancos dados por Bolsonaro nas instituições. Os oficiais que falam, pessoalmente ou por nota, estão subordinados aos desejos antidemocráticos do capitão’, escreve o jornalista Ascânio Seleme em sua coluna no Globo. Segundo o jornalista, ‘não são poucos os generais dispostos a manchar seus nomes e biografias numa aventura golpista’ … ‘Há pouca ideologia por trás do golpe, trata-se principalmente de dinheiro público em bolsos privados’. Seleme ressalva que ‘por sorte, não são todos’. Ele opina que ‘há outros generais, muitos, que não navegam por essas águas escuras’.”

 6 – “Jânio de Freitas vê cumplicidade de cúpula militar com Bolsonaro na armação de golpe contra processo eleitoral”
08 MAI.
  “Há explícita adesão dos militares à campanha golpista de desmoralização do sistema eleitoral eletrônico.  Em artigo …na Folha de S. Paulo, o jornalista …destaca que o encontro entre o presidente do STF, Luiz Fux, com o ministro  da Defesa, general Paulo Sérgio Oliveira foi um ‘desencontro’… ‘ um dos mais expressivos no questionamento à lealdade das Forças Armadas à Constituição, no processo eleitoral’. ‘Encerrado o encontro … ambos dispensaram-se da praxe de falar, sem dizer, aos repórteres. Mais tarde, Fux distribuiu uma nota sobre a conversa sem, no entanto, assiná-la. … . E noticiava: ‘O ministro da Defesa afirmou que as Forças Armadas estão comprometidas com a democracia brasileira [e que] os militares atuarão, no âmbito de suas competências, para que o processo eleitoral transcorra normalmente’. Parte inferior do formulário

  • Por outro lado, o ministro da Defesa divulgou uma nota com a finalidade de derrubar a versão da conversa difundida por Fux [reduzindo o compromisso militar a um ‘permanente estado de prontidão’] para o ‘cumprimento das suas missões constitucionais’.”

7 – “Pacheco rechaça golpe contra Supremo e sistema eleitoral” 09 MAI.
 O presidente do Congresso Nacional disse que não é possível admitir bravatas sobre fechamento do STF e contra as eleições.”

8 – “ Bolsonaro fala em armar civis contra ‘ditadores’ e volta a atacar o sistema eleitoral” – 12 MAI.

Atrás do ex-presidente Lula nas pesquisas eleitorais, Jair Bolsonaro voltou a defender o uso de armas por civis em função de uma suposta ‘ameaça interna de comunização’.”

 9 – “ Dirceu diz que golpe bolsonarista não vai acontecer por falta de apoio interno e externo – 13 MAI. 
Ex-ministro diz que ameaças são parte da campanha eleitoral para tentar ampliar base de eleitores pelo medo.”

10 O PT não tem medo de golpe” – The Intercept Brasil  – 14 MAI. 
A avaliação é quase unânime no PT e no grupo de auxiliares diretos de Lula: Bolsonaro pode até tentar, mas dificilmente conseguirá ser bem-sucedido num golpe caso perca – ou perceba que vai perder – as eleições de outubro. … a cúpula petista vê com preocupação as ameaças abertas e quase diárias feitas pelo presidente e a estratégia dele de colocar em dúvida a segurança do sistema eleitoral brasileiro. Por outro lado, os petistas acreditam que falta a Bolsonaro o … apoio simultâneo dos detentores do dinheiro – banqueiros e empresários dos Estados Unidos e, principalmente, a unidade das Forças Armadas em torno do projeto golpista. … o ex-presidente e seus conselheiros avaliam que existe uma ala das Forças Armadas constrangida com a situação na qual foram colocadas por Bolsonaro.  A obrigatoriedade da submissão absoluta de fardados ao presidente – inclusive com episódios de humilhação pública –, escândalos como o da compra de Viagra e a mancha irremovível na imagem do Exército pelo fracasso catastrófico na gestão da pandemia fazem o petismo acreditar que boa parte das Forças Armadas sonhe com a volta da época na qual só eram vistas em situações positivas, como as missões de paz no Haiti e no Líbano.  …  Para os conselheiros de Lula, mais do que dar um golpe para Bolsonaro, os militares desejam tutelar o processo eleitoral e todo o sistema democrático brasileiro. Algo que, ao ver deles, já vinha ocorrendo desde o governo Michel Temer, quando o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, foi às redes sociais em 2018 para opinar sobre a concessão de um habeas corpus a Lula pelo STF. … foi Lula quem abriu o caminho para colocar um ponto final na novela da compra dos caças da Força Aérea …  e aportou recursos no projeto do submarino nuclear da Marinha. Embora não acreditem no sucesso do golpe, os interlocutores de Lula não descartam a possibilidade de episódios de violência, badernas e arruaças, espontâneas ou não, que possam levar à necessidade de intervenção armada. Um deles me alertou que toda crise tem regras próprias e que hoje vivemos várias delas: econômica, institucional, social, internacional. Uma leitura corrente no partido é a de que a sanha golpista do presidente tem três objetivos: criar uma cortina de fumaça para impedir o debate sobre problemas reais como a inflação e o desemprego, manter sua tropa unida tanto para a disputa eleitoral quanto para um eventual futuro político de oposição a Lula e amedrontar e reduzir a intensidade da campanha petista. Também é majoritária no PT a leitura de que, se perder a eleição, Bolsonaro não irá passar a faixa a Lula, vai sabotar o processo de transição governamental, …  …  Poucas lideranças petistas aceitaram falar …  sobre o assunto. Uma delas é o senador …  Jaques Wagner … [que] deu a seguinte resposta: ‘Não vai ter. Acho que a gente até fala demais nisso daí. Eles vão tentar, mas não tem espaço internacional [para um golpe]. Bolsonaro vive do conflito. Ele fala uma besteira e a gente passa 10 dias falando da besteira dele. Então, a gente fica na agenda dele’.”

11 –.“Entidades se reúnem com Fachin para dizer que não são ‘reféns’ das ‘chantagens e ameaças’ de Bolsonaro”    16 MAI. “Carta da Coalizão para a Defesa do Sistema Eleitoral é assinada por mais de 200 instituições e entidades da sociedade civil organizada.”

 12 – “Militares querem poder até 2035 e fim do SUS gratuito–   16 MAI.
[no dia 19 p.p.] …  os Institutos Villas Bôas, Sagres e Federalista apresentaram o Projeto de Nação – O Brasil em 2035, com a presença do vice-presidente Hamilton Mourão. O documento de 93 páginas foi desenvolvido por militares e civis e aborda 37 temas estratégicos. Entre as propostas, está o pagamento de mensalidade pela classe média pelas universidades públicas e pelo atendimento no SUS … o que deveria começar em 2025. ‘Além disso, a partir de 2025, o Poder Público passa a cobrar indenizações pelos serviços prestados, exclusivamente das pessoas cuja renda familiar fosse maior do que três salários mínimos’. Ou seja, em um eventual segundo mandato do presidente …  o projeto pretende acabar com o acesso à saúde e à educação gratuita no país…. o projeto foi coordenado pelo general Luiz Eduardo Rocha Paiva, ex-presidente do grupo Terrorismo Nunca Mais (Ternuma), a ONG do coronel e torturador condenado por crimes na ditadura militar Carlos Alberto Brilhante Ustra …  o texto é ‘apartidário, aberto e flexível. Mesmo que haja mudança de governo. Claro que se for de direita para esquerda, vai jogar fora’, disse o general.”

13 – “A FAB é legalista’”, diz brigadeiro Baptista Jr.–  24 MAI.
O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, afirmou ontem que a Força Aérea Brasileira (FAB) vai respeitar as leis brasileiras, qualquer que seja o resultado das eleições presidenciais em outubro, e que atuará para que o pleito ocorra sem confusão’, em clima de tranquilidade’.”

14 – “Maioria diz ser necessário levar a sério as ameaças golpistas de Bolsonaro, apaponta Datafolha –  28 MAI.
“ … pesquisa Datafolha realizada nesta semana mostra que 56% dos brasileiros avaliam ser necessário levar a sério as ameaças do presidente Jair Bolsonaro às eleições. Para 36%, as declarações não terão consequências …”